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Física · Eletrônica

Eletrônica

Um carregador de celular, a placa de um rádio e o controle de um portão automático são feitos de poucas peças que se repetem: resistores, capacitores, indutores, diodos, transistores, amplificadores operacionais e alguns circuitos integrados. Vamos montar cada um desses circuitos numa bancada simulada e medi-los como num laboratório, com o multímetro e o osciloscópio, partindo das leis da aula de Circuitos Elétricos e chegando a uma fonte de alimentação e a um oscilador com o 555.

  1. 1Resistores
  2. 2AC e DC
  3. 3Circuitos RC
  4. 4Circuitos RLC
  5. 5Diodos
  6. 6Diodo zener
  7. 7Transistores bipolares
  8. 8MOSFET
  9. 9Fontes de alimentação
  10. 10Amplificadores operacionais
  11. 11O 555
  12. ✓Desafios

A bancada

Todas as simulações desta aula usam a mesma bancada. O esquema do circuito é resolvido por um programa que aplica as leis de Kirchhoff a cada nó, inclusive para diodos e transistores, e os instrumentos leem os valores calculados por ele, os mesmos que movem o desenho.

Tocar num nó, marcado por um ponto com nome, mostra a sua tensão em relação ao terra. O multímetro mede tensão contínua (V DC) e alternada (V AC, em valor RMS) com as ponteiras em dois nós, corrente (A DC e A AC) entrando em série no ramo escolhido e resistência (Ω) com as fontes desligadas. As ponteiras podem ser arrastadas até um nó, ou tocadas e depois levadas com um segundo toque, o que talvez seja mais fácil no celular.

O osciloscópio tem dois canais, o CH1 em amarelo e o CH2 em azul, ambos medidos em relação ao terra. Ajustamos volts por divisão, tempo por divisão, acoplamento DC ou AC e o gatilho, que deixa a imagem parada, e as medidas de pico a pico, RMS e frequência aparecem embaixo da tela.

PASSO 1

Como a tensão e a corrente se repartem?

Quase todo circuito eletrônico tem, em algum canto, alguns resistores que fixam tensões e correntes para o resto da placa. As ferramentas que resolvem esses trechos voltam em todos os passos seguintes, e por isso vale a pena revê-las com calma.

Em série, a mesma corrente atravessa todos os resistores, e a tensão da fonte se reparte na proporção das resistências. É o divisor de tensão. Em paralelo, todos ficam com a mesma tensão e a corrente se reparte na proporção inversa das resistências, no divisor de corrente.

Quando o circuito não se reduz a série e paralelo, recorremos às leis de Kirchhoff. A dos nós diz que a corrente que chega a um nó é igual à que sai, porque a carga não se acumula no fio, e a das malhas diz que as tensões somadas ao longo de qualquer caminho fechado dão zero, já que voltamos ao mesmo potencial.

Um divisor parece entregar uma tensão fixa, mas ela cai quando ligamos uma carga em paralelo com o resistor de baixo. Como regra prática, a queda tende a ficar pequena quando a carga é umas dez vezes maior que esse resistor, o que podemos conferir na bancada.

A ponte de Wheatstone compara dois divisores ligados à mesma fonte. Quando as razões são iguais, os pontos do meio ficam no mesmo potencial e o multímetro entre eles marca zero, e com isso encontramos uma resistência desconhecida a partir de três conhecidas, sem depender da exatidão do medidor.

\(R_s = R_1 + R_2\)\(\dfrac{1}{R_p} = \dfrac{1}{R_1} + \dfrac{1}{R_2}\)\(V_{\text{saída}} = V\,\dfrac{R_2}{R_1 + R_2}\)\(I_1 = I\,\dfrac{R_2}{R_1 + R_2}\)\(\sum I_{\text{chegam}} = \sum I_{\text{saem}}\)\(\sum V_{\text{malha}} = 0\)\(R_x = R_3\,\dfrac{R_2}{R_1}\)Em eletrônica, escrevemos \(V\) para a tensão (a ddp), e não \(U\). No divisor de corrente, \(I_1\) é a parte da corrente \(I\) que passa por \(R_1\). As fontes da simulação são ideais e os resistores seguem a lei de Ohm sem mudar com a temperatura; os resistores dos controles seguem a série comercial E12, menos o \(R_3\) da ponte, ajustável de 5 em 5 Ω.

Para conversar

  • No divisor, meça a tensão em B com a carga desligada e depois ligada. Quanto ela cai com uma carga de \(1\ \text{k}\Omega\), e quanto com \(100\ \text{k}\Omega\)?
  • Escolha A DC e ponha o amperímetro em \(R_1\), em \(R_2\) e na carga, um de cada vez. A corrente que chega a B confere com a soma das que saem?
  • Em "Duas malhas", meça a tensão em \(R_1\) e em \(R_3\) e some com a de \(E_1\), com os sinais certos. O que sobra?
  • Na ponte, ajuste \(R_3\) até o multímetro entre C e D marcar quase zero e calcule \(R_x\). Depois, troque \(R_x\) e repita sem olhar o valor.
  • Abra \(R_2\) com o botão de falha e meça de novo. Que leitura denunciaria um resistor aberto numa placa?
Corrente da fonte
Tensão em B
Resistência vista pela fonte
Corrente em R₂
Exercícios do passo 1 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Três resistores, de \(1\ \text{k}\Omega\), \(2{,}2\ \text{k}\Omega\) e \(4{,}7\ \text{k}\Omega\), estão em série numa fonte de 12 V. Qual é a resistência equivalente e a corrente no circuito?

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    Em série, as resistências se somam, \(R_s = 1 + 2{,}2 + 4{,}7 = 7{,}9\ \text{k}\Omega\).
    A corrente é a mesma nos três, \(I = \dfrac{12}{7900}\).
    \(R_s = 7{,}9\ \text{k}\Omega\) e \(I \approx 1{,}52\ \text{mA}\)
  2. básico

    Qual é a resistência equivalente de um resistor de \(1\ \text{k}\Omega\) em paralelo com um de \(4{,}7\ \text{k}\Omega\)? Ela fica acima ou abaixo de \(1\ \text{k}\Omega\)?

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    Para dois resistores em paralelo, \(R_p = \dfrac{R_1 R_2}{R_1 + R_2} = \dfrac{1000 \cdot 4700}{5700}\).
    A associação em paralelo oferece mais um caminho à corrente, e por isso fica abaixo do menor dos dois.
    \(R_p \approx 825\ \Omega\), abaixo de \(1\ \text{k}\Omega\)
  3. básico

    Um divisor de tensão tem \(R_1 = 10\ \text{k}\Omega\) em cima e \(R_2 = 4{,}7\ \text{k}\Omega\) embaixo, ligado a uma bateria de 9 V. Qual é a tensão de saída, sobre \(R_2\), sem carga?

    Ver resolução
    A tensão se divide na proporção das resistências, \(V_{\text{saída}} = 9 \cdot \dfrac{4{,}7}{10 + 4{,}7}\).
    \(V_{\text{saída}} \approx 2{,}88\ \text{V}\)
  4. básico

    Para medir a corrente num resistor de uma placa, como o multímetro deve ser ligado? E por que não se mede a resistência de um componente com o circuito ligado?

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    A corrente precisa atravessar o medidor, e por isso abrimos o ramo e ligamos o multímetro em série, no modo A. Ligado em paralelo nesse modo, ele faria um curto, porque a sua resistência interna é muito pequena.
    No modo \(\Omega\), o multímetro injeta uma corrente pequena e lê a tensão que ela produz. Com o circuito ligado, as correntes das fontes se somam à dele e a leitura não tem sentido, e o próprio medidor pode ser danificado.
    Corrente se mede em série, e resistência, com o circuito desligado e, de preferência, com o componente solto de um dos lados.
  5. médio

    Uma corrente de 30 mA chega a dois resistores em paralelo, de \(330\ \Omega\) e \(470\ \Omega\). Quanto passa por cada um?

    Ver resolução
    No divisor de corrente, cada ramo recebe a fração dada pela resistência do outro ramo, \(I_{330} = 30 \cdot \dfrac{470}{330 + 470}\) e \(I_{470} = 30 \cdot \dfrac{330}{800}\).
    Conferimos que \(17{,}625 + 12{,}375 = 30\), como pede a lei dos nós.
    \(I_{330} \approx 17{,}6\ \text{mA}\) e \(I_{470} \approx 12{,}4\ \text{mA}\)
  6. médio

    Um divisor com dois resistores de \(10\ \text{k}\Omega\) recebe 12 V. Qual é a saída sem carga, com uma carga de \(10\ \text{k}\Omega\) e com uma carga de \(100\ \text{k}\Omega\)?

    Ver resolução
    Sem carga, a saída é metade da entrada, 6 V.
    Com \(10\ \text{k}\Omega\), o resistor de baixo fica em paralelo com a carga e vale \(5\ \text{k}\Omega\), e \(V = 12 \cdot \dfrac{5}{10 + 5} = 4\ \text{V}\).
    Com \(100\ \text{k}\Omega\), o paralelo vale \(\dfrac{10 \cdot 100}{110} \approx 9{,}09\ \text{k}\Omega\), e \(V = 12 \cdot \dfrac{9{,}09}{19{,}09}\).
    6 V sem carga, 4 V com \(10\ \text{k}\Omega\) e cerca de 5,71 V com \(100\ \text{k}\Omega\)
  7. médio

    No circuito de duas malhas da simulação, \(E_1 = 12\ \text{V}\) liga-se a N por \(R_1 = 1\ \text{k}\Omega\), \(E_2 = 9\ \text{V}\) liga-se a N por \(R_2 = 2{,}2\ \text{k}\Omega\), e \(R_3 = 1\ \text{k}\Omega\) vai de N ao terra. Encontre a tensão em N e as três correntes.

    Ver resolução
    Pela lei dos nós em N, a corrente que sai pelo \(R_3\) é a soma das que chegam pelos outros dois, \(\dfrac{12 - V_N}{1000} + \dfrac{9 - V_N}{2200} = \dfrac{V_N}{1000}\).
    Isolando, \(V_N = \dfrac{0{,}012 + 9/2200}{0{,}001 + 1/2200 + 0{,}001}\) \(\approx 6{,}56\ \text{V}\).
    Então \(I_1 = \dfrac{12 - 6{,}56}{1000} \approx 5{,}44\ \text{mA}\), \(I_2 = \dfrac{9 - 6{,}56}{2200} \approx 1{,}11\ \text{mA}\) e \(I_3 = \dfrac{6{,}56}{1000} \approx 6{,}56\ \text{mA}\).
    \(V_N \approx 6{,}56\ \text{V}\); as duas fontes fornecem corrente, 5,44 mA e 1,11 mA, que somam os 6,56 mA de \(R_3\).
  8. médio

    Numa ponte de Wheatstone, \(R_1 = 1\ \text{k}\Omega\) e \(R_2 = 2{,}2\ \text{k}\Omega\) formam o divisor da esquerda, e \(R_3\) (ajustável) e \(R_x\) formam o da direita, na mesma ordem. O multímetro entre os pontos do meio marca zero com \(R_3 = 680\ \Omega\). Quanto vale \(R_x\)?

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    Com o medidor em zero, os dois divisores têm a mesma razão, \(\dfrac{R_2}{R_1} = \dfrac{R_x}{R_3}\).
    Então \(R_x = R_3 \cdot \dfrac{R_2}{R_1} = 680 \cdot 2{,}2\).
    \(R_x \approx 1{,}5\ \text{k}\Omega\)
  9. desafio

    Queremos obter 5 V a partir de 12 V com um divisor para alimentar uma carga de \(10\ \text{k}\Omega\), e a saída não pode cair mais de 5% quando a carga é ligada. Qual é o maior valor possível de \(R_2\) (embaixo) e de \(R_1\) (em cima)? Quanta corrente o divisor gasta sozinho nesse limite?

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    Vista da carga, o divisor equivale a uma fonte de 5 V com resistência interna \(R_{th} = R_1 \parallel R_2\). Com a carga, \(V = 5 \cdot \dfrac{R_L}{R_L + R_{th}} \geq 4{,}75\), o que pede \(R_{th} \leq 10\,000 \cdot \left(\dfrac{5}{4{,}75} - 1\right)\) \(\approx 526\ \Omega\).
    Para dar 5 V, \(\dfrac{R_2}{R_1 + R_2} = \dfrac{5}{12}\), ou \(R_1 = 1{,}4\,R_2\), e então \(R_{th} = \dfrac{1{,}4\,R_2^2}{2{,}4\,R_2} \approx 0{,}583\,R_2\).
    Daí \(R_2 \leq \dfrac{526}{0{,}583} \approx 902\ \Omega\) e \(R_1 \leq 1{,}26\ \text{k}\Omega\). Com esses valores, o divisor puxa \(\dfrac{12}{2{,}16\ \text{k}\Omega} \approx 5{,}6\ \text{mA}\).
    \(R_2 \approx 900\ \Omega\) e \(R_1 \approx 1{,}26\ \text{k}\Omega\) no máximo, gastando cerca de 5,6 mA, mais de dez vezes a corrente da carga, de cerca de 0,5 mA.
  10. desafio

    Um divisor de dois resistores de \(1\ \text{M}\Omega\) recebe 10 V. Medimos a tensão no resistor de baixo com um multímetro de resistência interna \(10\ \text{M}\Omega\). Quanto ele marca, e qual é o erro em relação aos 5 V esperados?

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    O multímetro fica em paralelo com o resistor de baixo, e o conjunto vale \(\dfrac{1 \cdot 10}{1 + 10} \approx 0{,}909\ \text{M}\Omega\).
    A leitura é a do novo divisor, \(V = 10 \cdot \dfrac{0{,}909}{1 + 0{,}909}\) \(\approx 4{,}76\ \text{V}\).
    Ele marca cerca de 4,76 V, um erro de quase 5% que vem do próprio medidor; com resistores de \(1\ \text{k}\Omega\), o mesmo multímetro erraria só 0,005%.
PASSO 2

O que muda quando a tensão vai e volta?

Uma pilha nova mantém aproximadamente a mesma tensão por horas, e dizemos que ela é contínua, ou DC. A tomada de casa inverte a polaridade 60 vezes por segundo e fornece um sinal alternado, ou AC, que segue uma senoide. Muitos circuitos misturam os dois, com uma parte alternada somada a um nível contínuo.

Para descrever um sinal periódico, usamos o período \(T\), a duração de um ciclo, e a frequência \(f = 1/T\), o número de ciclos por segundo. A amplitude pode ser dada pelo valor de pico \(V_p\), pelo valor de pico a pico \(V_{pp}\), que é o que o osciloscópio mostra de imediato, ou pelo valor RMS.

O valor RMS de uma tensão alternada é a tensão contínua que aqueceria o mesmo resistor com a mesma potência média. Para uma senoide, ele vale \(V_p/\sqrt{2}\), e os 127 V e 220 V das tomadas são valores RMS, com picos de cerca de 180 V e 311 V. Numa onda quadrada, o RMS é o próprio pico, e numa triangular, \(V_p/\sqrt{3}\); por isso, sinais de mesmo pico podem aquecer de modos bem diferentes.

No osciloscópio, o acoplamento DC mostra a tensão completa, e o AC tira a parte contínua para vermos de perto o que varia. O multímetro em V AC mede o RMS da parte alternada, e os modelos ditos true RMS acertam para qualquer forma de onda, enquanto os mais simples só acertam para a senoide.

\(T = \dfrac{1}{f}\)\(V_{pp} = 2\,V_p\)\(V_{\text{RMS}} = \sqrt{\overline{v^2}}\)senoide: \(V_{\text{RMS}} = \dfrac{V_p}{\sqrt{2}}\)quadrada: \(V_{\text{RMS}} = V_p\)triangular: \(V_{\text{RMS}} = \dfrac{V_p}{\sqrt{3}}\)\(P_{\text{méd}} = \dfrac{V_{\text{RMS}}^2}{R}\)A barra em \(\overline{v^2}\) indica a média sobre um período. As lâmpadas da simulação têm resistência suposta constante, de 12 V e 10 W no gerador e de 100 W na tomada, e o brilho segue a potência média com um pequeno atraso, como o filamento real.

Para conversar

  • Com a senoide de 12 V de pico, ajuste a fonte DC até \(L_2\) brilhar como \(L_1\). Que tensão você encontrou, e como ela se compara a \(12/\sqrt{2}\)?
  • Troque para a quadrada e para a triangular, sem mudar o pico, e repita o ajuste. Qual das três aquece mais?
  • Some um offset de 5 V à senoide e alterne o CH1 entre DC e AC. O que o multímetro mostra em V DC e em V AC?
  • Escolha "Tomada 127 V" e leia o pico e o período na tela. Mude o tempo/div e o volts/div até caber um ciclo completo.
  • Baixe a frequência para 2 Hz. Por que \(L_1\) passa a piscar, e por que não percebemos esse efeito a 60 Hz?
Pico em A
Pico a pico
RMS em A
Frequência e período
Potência média em L₁
Potência em L₂
Exercícios do passo 2 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    A tomada de 127 V tem esse valor em RMS, a 60 Hz. Quais são a tensão de pico, a tensão de pico a pico e o período?

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    Para uma senoide, \(V_p = \sqrt{2}\,V_{\text{RMS}} = 1{,}414 \cdot 127\), e \(V_{pp} = 2\,V_p\).
    O período é \(T = \dfrac{1}{60}\ \text{s}\).
    \(V_p \approx 180\ \text{V}\), \(V_{pp} \approx 359\ \text{V}\) e \(T \approx 16{,}7\ \text{ms}\)
  2. básico

    Na tela do osciloscópio, com 2 V/div e 5 ms/div, uma senoide ocupa 6 divisões de pico a pico e um ciclo completo ocupa 4 divisões. Quais são \(V_{pp}\), \(V_p\), \(V_{\text{RMS}}\), o período e a frequência?

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    Na vertical, \(V_{pp} = 6 \cdot 2 = 12\ \text{V}\), \(V_p = 6\ \text{V}\) e \(V_{\text{RMS}} = \dfrac{6}{\sqrt{2}}\).
    Na horizontal, \(T = 4 \cdot 5 = 20\ \text{ms}\), e \(f = \dfrac{1}{0{,}020}\).
    12 V, 6 V, cerca de 4,24 V, 20 ms e 50 Hz
  3. básico

    Uma tensão contínua de 5 V é ligada ao CH1 do osciloscópio. Onde fica o traço com acoplamento DC e com acoplamento AC? Para que serve o acoplamento AC?

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    No acoplamento DC, o traço mostra a tensão inteira, e a linha fica 5 V acima da marca de zero do canal.
    No acoplamento AC, um capacitor na entrada barra a parte contínua, e a linha volta para a marca de zero.
    O acoplamento AC serve para ver de perto a parte que varia de um sinal que tem um nível contínuo grande, como a ondulação de uma fonte.
  4. básico

    Qual é o valor RMS de uma onda quadrada que vai de \(-5\ \text{V}\) a \(+5\ \text{V}\), e o de uma onda triangular de 5 V de pico?

    Ver resolução
    Na quadrada, \(v^2 = 25\ \text{V}^2\) o tempo todo, e o RMS é o próprio pico, 5 V.
    Na triangular, a média de \(v^2\) é \(V_p^2/3\), e \(V_{\text{RMS}} = \dfrac{5}{\sqrt{3}}\).
    5 V na quadrada e cerca de 2,89 V na triangular
  5. médio

    Um resistor de \(10\ \Omega\) é ligado a 127 V RMS. Qual é a potência média dissipada? E a potência no instante de pico da tensão?

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    A potência média usa o valor RMS, \(P = \dfrac{V_{\text{RMS}}^2}{R} = \dfrac{127^2}{10}\).
    No pico, \(p = \dfrac{V_p^2}{R} = \dfrac{2 \cdot 127^2}{10}\), o dobro da média, porque a média de \(\mathrm{sen}^2\) é \(1/2\).
    Cerca de 1,61 kW em média e 3,23 kW no pico
  6. médio

    Um gerador produz uma senoide de 4 V de pico somada a um nível contínuo de 3 V. Quais são os valores máximo e mínimo, o valor médio e o RMS total? O que marcam um multímetro em V DC e outro em V AC (true RMS)?

    Ver resolução
    A tensão vai de \(3 - 4 = -1\ \text{V}\) a \(3 + 4 = 7\ \text{V}\), e a média é o nível contínuo, 3 V.
    A parte alternada tem RMS \(\dfrac{4}{\sqrt{2}} \approx 2{,}83\ \text{V}\), e o RMS total soma as potências, \(\sqrt{3^2 + 2{,}83^2} = \sqrt{17}\).
    Máximo 7 V, mínimo \(-1\ \text{V}\), média 3 V e RMS total \(\approx 4{,}12\ \text{V}\); o multímetro marca 3 V em V DC e cerca de 2,83 V em V AC.
  7. médio

    Um capacitor vai ser ligado diretamente na rede de 220 V. O fornecedor tem um modelo para 250 V. Ele serve?

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    Os 220 V são o valor RMS, e o dielétrico do capacitor precisa aguentar o pico, \(V_p = \sqrt{2} \cdot 220\) \(\approx 311\ \text{V}\).
    Não serve, porque o pico de cerca de 311 V passa dos 250 V; para a rede, usamos capacitores especificados para tensão alternada, com folga.
  8. médio

    Um multímetro barato mede a média do valor absoluto do sinal e multiplica por 1,11, fator que só acerta o RMS de senoides. Quanto ele marca numa quadrada de 10 V de pico e numa triangular de 10 V de pico, e quanto deveria marcar?

    Ver resolução
    Na quadrada, \(|v| = 10\ \text{V}\) sempre, e ele marca \(1{,}11 \cdot 10 \approx 11{,}1\ \text{V}\), contra 10 V de RMS verdadeiro.
    Na triangular, a média de \(|v|\) é metade do pico, 5 V, e ele marca \(1{,}11 \cdot 5 \approx 5{,}55\ \text{V}\), contra \(\dfrac{10}{\sqrt{3}} \approx 5{,}77\ \text{V}\).
    Erra cerca de 11% para mais na quadrada e 4% para menos na triangular; por isso, fora das senoides, usamos um multímetro true RMS.
  9. desafio

    Um sinal digital fica em 5 V durante 25% do período e em 0 V no resto. Quais são o valor médio, o RMS total e o RMS da parte alternada?

    Ver resolução
    A média é a fração do tempo em nível alto vezes 5 V, \(V_{\text{méd}} = 0{,}25 \cdot 5 = 1{,}25\ \text{V}\).
    A média de \(v^2\) é \(0{,}25 \cdot 25 = 6{,}25\ \text{V}^2\), e \(V_{\text{RMS}} = 2{,}5\ \text{V}\).
    A parte alternada é o que sobra tirando a média, \(\sqrt{6{,}25 - 1{,}25^2}\) \(= \sqrt{4{,}6875}\).
    Média 1,25 V, RMS total 2,5 V e RMS alternado \(\approx 2{,}17\ \text{V}\)
  10. desafio

    Uma lâmpada de 12 V e 10 W, de resistência suposta constante, é ligada a uma onda triangular de 20 V de pico. Quanta potência ela dissipa, em média? Que tensão contínua produziria o mesmo brilho?

    Ver resolução
    A resistência da lâmpada é \(R = \dfrac{12^2}{10} = 14{,}4\ \Omega\), e a triangular tem \(V_{\text{RMS}} = \dfrac{20}{\sqrt{3}} \approx 11{,}55\ \text{V}\).
    A potência média é \(P = \dfrac{V_{\text{RMS}}^2}{R} = \dfrac{400/3}{14{,}4}\).
    Cerca de 9,26 W, o mesmo brilho de uma tensão contínua de 11,55 V, que é o próprio valor RMS.
PASSO 3

Quanto tempo um capacitor leva para carregar?

O flash de uma câmera leva alguns segundos para ficar pronto, e o LED de um carregador continua aceso por um instante depois que o tiramos da tomada. Nos dois casos, um capacitor ganha ou perde carga através de uma resistência. O ritmo desse processo é dado por um único número, a constante de tempo \(\tau = RC\).

No instante em que ligamos a fonte, o capacitor descarregado se comporta como um fio, e toda a tensão fica no resistor. À medida que a carga se acumula, a tensão no capacitor sobe e a corrente diminui, porque sobra cada vez menos tensão para empurrá-la. A subida é exponencial. Depois de um \(\tau\), o capacitor chega a 63% da tensão final, e depois de \(5\tau\), a mais de 99%, o que na prática tomamos como carga completa.

A descarga é o espelho da carga. Em um \(\tau\), a tensão cai para 37% do valor inicial.

Se a tensão aplicada varia o tempo todo, podemos imaginar o capacitor tentando acompanhá-la com esse mesmo atraso. Numa senoide lenta, de período muito maior que \(\tau\), ele acompanha quase sem perda. Numa rápida, não tem tempo de carregar, e vemos a tensão nele ficar pequena. Tirando a saída no capacitor, temos um filtro passa-baixas; trocando de lugar o resistor e o capacitor, com a saída no resistor, temos um passa-altas.

A fronteira entre os dois comportamentos é a frequência de corte \(f_c\), em que a reatância do capacitor, \(X_C = 1/(2\pi f C)\), iguala a resistência. Nela, a saída cai para \(1/\sqrt{2}\) da entrada, cerca de 70,7%, e fica defasada de 45°. É um atraso no passa-baixas e um adiantamento no passa-altas. No osciloscópio, medimos a defasagem pelo intervalo \(\Delta t\) entre as passagens por zero dos dois traços, em proporção ao período.

Uma onda quadrada junta a carga e o filtro, porque cada borda é um degrau. No passa-baixas, a saída sobe e desce em curvas de carga, que só chegam ao topo se meio período durar alguns \(\tau\). No passa-altas, cada borda vira um pico que decai com o mesmo \(\tau\), e o que sobra entre as bordas depende de quantas constantes de tempo cabem em meio período, algo que podemos ler direto na tela. Por isso, uma quadrada no osciloscópio talvez seja o jeito mais rápido de estimar a constante de tempo de um circuito desconhecido.

\(\tau = RC\)carga: \(v_C = V\,(1 - e^{-t/\tau})\)descarga: \(v_C = V_0\,e^{-t/\tau}\)\(i = \dfrac{V}{R}\,e^{-t/\tau}\)\(X_C = \dfrac{1}{2\pi f C}\)\(f_c = \dfrac{1}{2\pi RC}\)passa-baixas: \(\dfrac{V_s}{V_e} = \dfrac{1}{\sqrt{1 + (f/f_c)^2}}\)\(\varphi = -\arctan\dfrac{f}{f_c}\)\(\varphi = 360^\circ\,\dfrac{\Delta t}{T}\)Na carga, \(V\) é a tensão da fonte, e na descarga, \(V_0\) é a tensão inicial do capacitor; \(i\) é a corrente no resistor nos dois casos. No passa-altas, \(V_s/V_e = (f/f_c)/\sqrt{1 + (f/f_c)^2}\) e \(\varphi = 90^\circ - \arctan(f/f_c)\). Supomos resistores e capacitores ideais, sem fuga, e o gerador sem resistência interna; com uma quadrada, a razão e a defasagem da simulação referem-se à componente fundamental.

Para conversar

  • Em "Carga e descarga", com o tempo/div perto de \(\tau\), toque em "Carregar" e veja no CH2, em B, em que divisão depois da borda o capacitor passa de 5,7 V, que são 63% de 9 V. Confere com \(RC\)?
  • Ponha o multímetro em A DC, em série com \(R\), e acompanhe a corrente durante a carga. Quanto ela vale logo depois da chave, e quanto resta depois de um \(\tau\)?
  • No passa-baixas, com o CH1 na entrada (A) e o CH2 no capacitor (B), leve a frequência até \(f_c\). Meça a razão entre os Vpp dos dois canais e o atraso \(\Delta t\) entre as passagens por zero; dá 0,707 e 45°?
  • Com o multímetro em V AC, meça a saída em B para \(f = 10\,f_c\) e para \(f = 100\,f_c\). Em quanto ela cai a cada década acima do corte?
  • No passa-altas, use a quadrada com \(f\) bem abaixo de \(f_c\). Por que a saída vira picos, e o que acontece com eles quando \(f\) passa de \(f_c\)?
Tensão no capacitor
Corrente em R
Constante de tempo τ = RC
Tempo desde a chave
Exercícios do passo 3 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Um resistor de \(10\ \text{k}\Omega\) carrega um capacitor de \(100\ \mu\text{F}\). Qual é a constante de tempo, e depois de quanto tempo podemos considerar o capacitor carregado?

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    A constante de tempo é o produto, \(\tau = RC = 10\,000 \cdot 100 \cdot 10^{-6}\).
    Na prática, a carga se completa em \(5\tau\), quando passa de 99%.
    \(\tau = 1\ \text{s}\), e o capacitor está praticamente carregado depois de 5 s.
  2. básico

    Um capacitor de \(10\ \mu\text{F}\), descarregado, é ligado a 12 V por um resistor de \(4{,}7\ \text{k}\Omega\). Qual é a corrente logo depois de fechar a chave, e qual é a tensão no capacitor depois de uma constante de tempo?

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    No primeiro instante, o capacitor vazio se comporta como um fio, e \(I_0 = \dfrac{12}{4700} \approx 2{,}55\ \text{mA}\).
    A constante de tempo é \(\tau = 4700 \cdot 10 \cdot 10^{-6} = 47\ \text{ms}\), e nela \(v_C = 12\,(1 - e^{-1}) = 12 \cdot 0{,}632\).
    Cerca de 2,55 mA no início e 7,59 V depois de 47 ms.
  3. básico

    Qual é a frequência de corte de um passa-baixas com \(R = 1{,}5\ \text{k}\Omega\) e \(C = 100\ \text{nF}\)?

    Ver resolução
    Pela definição, \(f_c = \dfrac{1}{2\pi RC}\) \(= \dfrac{1}{2\pi \cdot 1500 \cdot 100 \cdot 10^{-9}}\).
    \(f_c \approx 1{,}06\ \text{kHz}\)
  4. básico

    No osciloscópio, o CH1 mostra a entrada de um filtro RC e o CH2 a saída, ambas senoides de 1 kHz. A saída cruza o zero, subindo, \(0{,}125\ \text{ms}\) depois da entrada. Qual é a defasagem, e que filtro deve ser esse?

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    O período é \(T = 1\ \text{ms}\), e a defasagem é a fração do período, \(\varphi = 360^\circ \cdot \dfrac{0{,}125}{1}\).
    Como a saída vem depois, ela está atrasada, como no passa-baixas, e um atraso de 45° indica que o sinal está na frequência de corte.
    \(\varphi = -45^\circ\); é um passa-baixas operando em \(f = f_c = 1\ \text{kHz}\).
  5. médio

    Um capacitor de \(47\ \mu\text{F}\), carregado com 10 V, descarrega através de um resistor de \(22\ \text{k}\Omega\). Quanto tempo leva para a tensão cair a 2 V?

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    A constante de tempo é \(\tau = 22\,000 \cdot 47 \cdot 10^{-6} \approx 1{,}034\ \text{s}\).
    Na descarga, \(2 = 10\,e^{-t/\tau}\), e então \(t = \tau \ln 5 = 1{,}034 \cdot 1{,}609\).
    \(t \approx 1{,}66\ \text{s}\), cerca de \(1{,}6\,\tau\)
  6. médio

    Um passa-baixas com \(R = 10\ \text{k}\Omega\) e \(C = 10\ \text{nF}\) recebe uma senoide de 2 V de pico e 5 kHz. Quais são a amplitude da saída e a defasagem?

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    A frequência de corte é \(f_c = \dfrac{1}{2\pi \cdot 10^4 \cdot 10^{-8}} \approx 1{,}59\ \text{kHz}\), e \(f/f_c \approx 3{,}14\).
    A razão é \(\dfrac{V_s}{V_e} = \dfrac{1}{\sqrt{1 + 3{,}14^2}} \approx 0{,}303\), e \(\varphi = -\arctan 3{,}14\).
    Saída de cerca de 0,61 V de pico, atrasada de cerca de 72°
  7. médio

    Queremos um passa-altas com \(C = 100\ \text{nF}\) e corte perto de 200 Hz, para tirar o zumbido de 60 Hz de um sinal de áudio. Que resistor da série E12 usar, e quanto do zumbido sobra?

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    Da frequência de corte, \(R = \dfrac{1}{2\pi f_c C}\) \(= \dfrac{1}{2\pi \cdot 200 \cdot 10^{-7}}\) \(\approx 7{,}96\ \text{k}\Omega\), e o valor E12 mais próximo é \(8{,}2\ \text{k}\Omega\), com \(f_c \approx 194\ \text{Hz}\).
    Em 60 Hz, \(f/f_c \approx 0{,}309\) e \(\dfrac{V_s}{V_e} = \dfrac{0{,}309}{\sqrt{1 + 0{,}309^2}}\) \(\approx 0{,}295\).
    \(R = 8{,}2\ \text{k}\Omega\); sobram cerca de 30% do zumbido, enquanto um tom de 1 kHz passa com 98%.
  8. médio

    Um capacitor de \(1000\ \mu\text{F}\), carregado com 12 V e desligado do circuito, é medido com um multímetro de resistência interna \(10\ \text{M}\Omega\). Em quanto tempo a própria medição faz a tensão cair 1%?

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    O multímetro fecha um circuito RC de descarga, com \(\tau = 10^7 \cdot 10^{-3} = 10\,000\ \text{s}\).
    Para cair 1%, \(0{,}99 = e^{-t/\tau}\), e \(t = -\tau \ln 0{,}99 \approx 0{,}01005\,\tau\).
    Cerca de 100 s; uma leitura de poucos segundos quase não perturba o capacitor.
  9. desafio

    Uma onda quadrada que vai de 0 a 5 V entra num passa-baixas com \(\tau = 1\ \text{ms}\). Com 500 Hz, meio período dura exatamente \(\tau\). Entre que valores a saída oscila em regime, e qual é o seu \(V_{pp}\)?

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    Em regime, a saída sobe de \(V_{\text{mín}}\) a \(V_{\text{máx}}\) em meio período e desce de volta no outro, então \(V_{\text{máx}} = 5 - (5 - V_{\text{mín}})\,e^{-1}\) e \(V_{\text{mín}} = V_{\text{máx}}\,e^{-1}\).
    Substituindo a segunda na primeira, \(V_{\text{máx}}\,(1 - e^{-2}) = 5\,(1 - e^{-1})\), ou \(V_{\text{máx}} = \dfrac{5}{1 + e^{-1}}\) \(\approx 3{,}66\ \text{V}\), e \(V_{\text{mín}} \approx 3{,}66 \cdot 0{,}368 \approx 1{,}34\ \text{V}\).
    A saída oscila entre cerca de 1,34 V e 3,66 V, com \(V_{pp} \approx 2{,}31\ \text{V}\), em torno da média de 2,5 V da entrada.
  10. desafio

    Uma fonte de 10 V carrega um capacitor de \(100\ \mu\text{F}\), inicialmente vazio, através de um resistor \(R\). Quanta energia fica no capacitor, quanta a fonte fornece e quanta o resistor dissipa? Como isso depende de \(R\)?

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    No fim, o capacitor guarda \(E_C = \tfrac{1}{2}\,C\,V^2\) \(= \tfrac{1}{2} \cdot 10^{-4} \cdot 100 = 5\ \text{mJ}\).
    A fonte empurra a carga \(Q = CV = 1\ \text{mC}\) sob 10 V o tempo todo, e fornece \(QV = 10\ \text{mJ}\).
    A diferença, 5 mJ, aquece o resistor, qualquer que seja \(R\); um \(R\) maior só faz a carga demorar mais, com corrente menor.
    5 mJ no capacitor, 10 mJ da fonte e 5 mJ no resistor, independentemente de \(R\).
PASSO 4

Como um circuito escolhe uma frequência?

Um rádio antigo sintoniza uma estação quando giramos um botão que muda a capacitância de um capacitor ligado a uma bobina. Dos milhares de sinais que chegam à antena ao mesmo tempo, o circuito deixa passar com força só os que estão perto de uma frequência, a de ressonância. Essa preferência nasce de duas oposições à corrente que crescem em sentidos contrários com a frequência e que, numa única frequência, se anulam.

Em corrente alternada, o indutor e o capacitor se opõem à corrente de modos contrários. A reatância indutiva \(X_L\) cresce com a frequência, porque a bobina reage às variações de corrente. A reatância capacitiva \(X_C\) diminui, porque o capacitor mal começa a carregar e a tensão já se inverte. No indutor, a tensão vai 90° adiantada em relação à corrente, e no capacitor, 90° atrasada. Por isso, no circuito série, as duas reatâncias se subtraem na impedância \(Z\).

Na frequência em que \(X_L = X_C\), elas se cancelam, e no RLC série a impedância se reduz ao próprio \(R\), com a corrente máxima e em fase com o gerador. Igualando as duas reatâncias, chegamos a \(f_0 = 1/(2\pi\sqrt{LC})\). Algo que talvez surpreenda é que, nessa frequência, a tensão no capacitor e a tensão na bobina podem passar muito da tensão do gerador. Elas se cancelam entre si a cada instante.

A agudeza da ressonância é medida pelo fator de qualidade \(Q\), que no RLC série vale \(X_L/R\) em \(f_0\). Com \(R\) pequeno, a curva da corrente contra a frequência é um pico estreito, e a largura de banda entre os pontos em que ela cai para 70,7% do máximo é \(f_0/Q\). No RLC paralelo, o circuito tanque, a situação se inverte. Em \(f_0\), a bobina e o capacitor trocam corrente entre si, o conjunto apresenta uma impedância muito alta e, quando medimos a corrente que vem do gerador, vemos que ela cai a quase zero, embora dentro do tanque circule uma corrente que pode ser grande.

A mesma física aparece quando aplicamos um degrau, como a borda de uma onda quadrada. Com pouco amortecimento, a tensão no capacitor passa do valor final e oscila em torno dele, a uma frequência próxima de \(f_0\), até parar. É a resposta subamortecida. Com \(R\) grande, ela tende a subir devagar e sem oscilar, na resposta superamortecida. Entre as duas fica o amortecimento crítico, que chega ao valor final no menor tempo sem passar dele.

\(X_L = 2\pi f L\)\(X_C = \dfrac{1}{2\pi f C}\)\(Z = \sqrt{R^2 + (X_L - X_C)^2}\)\(\tan\varphi = \dfrac{X_L - X_C}{R}\)\(f_0 = \dfrac{1}{2\pi\sqrt{LC}}\)\(Q = \dfrac{1}{R}\sqrt{\dfrac{L}{C}}\)\(\Delta f = \dfrac{f_0}{Q}\)\(R_{\text{crít}} = 2\sqrt{\dfrac{L}{C}}\)\(Z\), \(Q\) e \(\Delta f\) valem para o RLC série; \(\varphi\) é o quanto a tensão do gerador vai adiantada em relação à corrente. No paralelo da simulação, o resistor fica em série com o gerador, e o tanque tem \(Q = R\sqrt{C/L}\). \(R_{\text{crít}}\) é o resistor do amortecimento crítico no circuito série. Supomos a bobina e o capacitor ideais, sem resistência de fio nem perdas, e o gerador sem resistência interna.

Para conversar

  • Em "RLC série", o CH1 está no gerador (A) e o CH2 em B, sobre o resistor, onde a tensão é \(R\) vezes a corrente. Mude a frequência devagar até o Vpp do CH2 ficar máximo e os dois traços entrarem em fase. A frequência confere com \(f_0\)?
  • Toque em "Varrer a frequência" e leia na curva as duas frequências em que a razão passa por 0,707. Calcule \(Q = f_0/\Delta f\) e compare com \(\sqrt{L/C}/R\); depois repita com \(R\) cinco vezes maior.
  • Na ressonância, ponha o multímetro em V AC com a ponteira vermelha em M e a preta em B, sobre o capacitor. Por que ele marca mais que os 3,54 V RMS do gerador?
  • Em "RLC paralelo", ponha o multímetro em A AC, em série com \(R\), e varra a frequência. A corrente que sai do gerador sobe ou desce em \(f_0\)?
  • Em "Degrau", com o CH2 no capacitor, diminua \(R\) até aparecer a oscilação e meça o período dela na tela. Depois procure o \(R\) em que a oscilação some sem a subida ficar lenta, e compare com \(2\sqrt{L/C}\).
f₀ = 1/(2π√LC)
X_L e X_C em f
Fator de qualidade Q
CH2/CH1 e defasagem (medidas)
Exercícios do passo 4 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Quais são as reatâncias de um indutor de 10 mH e de um capacitor de \(1\ \mu\text{F}\) em 1 kHz?

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    \(X_L = 2\pi f L\) \(= 2\pi \cdot 1000 \cdot 0{,}01\) e \(X_C = \dfrac{1}{2\pi f C}\) \(= \dfrac{1}{2\pi \cdot 1000 \cdot 10^{-6}}\).
    \(X_L \approx 62{,}8\ \Omega\) e \(X_C \approx 159\ \Omega\)
  2. básico

    Qual é a frequência de ressonância de um circuito com \(L = 10\ \text{mH}\) e \(C = 1\ \mu\text{F}\)?

    Ver resolução
    Pela fórmula, \(f_0 = \dfrac{1}{2\pi\sqrt{LC}}\) \(= \dfrac{1}{2\pi\sqrt{10^{-2} \cdot 10^{-6}}}\) \(= \dfrac{1}{2\pi \cdot 10^{-4}}\).
    \(f_0 \approx 1{,}59\ \text{kHz}\)
  3. básico

    Num RLC série, numa certa frequência, \(R = 50\ \Omega\), \(X_L = 80\ \Omega\) e \(X_C = 40\ \Omega\). Com 10 V RMS no gerador, quais são a impedância, a corrente e a defasagem? O circuito é indutivo ou capacitivo?

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    As reatâncias se subtraem, \(Z = \sqrt{50^2 + (80 - 40)^2}\) \(\approx 64{,}0\ \Omega\), e \(I = \dfrac{10}{64{,}0}\).
    A defasagem é \(\varphi = \arctan\dfrac{40}{50}\), com a tensão adiantada, porque \(X_L > X_C\).
    \(Z \approx 64\ \Omega\), \(I \approx 156\ \text{mA}\) RMS e \(\varphi \approx 38{,}7^\circ\); o circuito é indutivo, e a corrente vai atrasada.
  4. básico

    Um rádio de ondas médias usa uma bobina de \(250\ \mu\text{H}\). Que capacitância sintoniza uma estação de 1 MHz?

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    Isolando \(C\) na fórmula da ressonância, \(C = \dfrac{1}{(2\pi f_0)^2\,L}\) \(= \dfrac{1}{(2\pi \cdot 10^6)^2 \cdot 250 \cdot 10^{-6}}\).
    \(C \approx 101\ \text{pF}\)
  5. médio

    Um RLC série tem \(R = 10\ \Omega\), \(L = 10\ \text{mH}\) e \(C = 1\ \mu\text{F}\), e o gerador dá 5 V de pico. Quais são \(Q\) e a largura de banda? Na ressonância, quanto valem a corrente de pico e a tensão de pico no capacitor?

    Ver resolução
    O fator de qualidade é \(Q = \dfrac{1}{R}\sqrt{\dfrac{L}{C}} = \dfrac{1}{10}\sqrt{10^4} = 10\), e \(\Delta f = \dfrac{f_0}{Q} \approx \dfrac{1592}{10}\).
    Em \(f_0\), \(Z = R\), e \(I_p = \dfrac{5}{10} = 0{,}5\ \text{A}\); no capacitor, \(V_C = I_p\,X_C = 0{,}5 \cdot 100\), com \(X_C = 100\ \Omega\) em \(f_0\).
    \(Q = 10\), \(\Delta f \approx 159\ \text{Hz}\), \(I_p = 0{,}5\ \text{A}\) e \(V_C = 50\ \text{V}\) de pico, dez vezes a tensão do gerador.
  6. médio

    Numa varredura de um RLC série com \(L = 10\ \text{mH}\) e \(C = 1\ \mu\text{F}\), a razão CH2/CH1 é máxima em 1,59 kHz e cai para 0,707 em 1,45 kHz e em 1,75 kHz. Quanto vale \(Q\), e que resistência total o circuito tem?

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    A largura de banda é \(\Delta f = 1{,}75 - 1{,}45 = 0{,}30\ \text{kHz}\), e \(Q = \dfrac{f_0}{\Delta f} = \dfrac{1{,}59}{0{,}30} \approx 5{,}3\).
    Como \(\sqrt{L/C} = 100\ \Omega\), \(R = \dfrac{100}{Q}\).
    \(Q \approx 5{,}3\) e \(R \approx 19\ \Omega\), que somam o resistor e a resistência do fio da bobina.
  7. médio

    Um degrau de 0 a 5 V é aplicado a um RLC série com \(R = 20\ \Omega\), \(L = 10\ \text{mH}\) e \(C = 1\ \mu\text{F}\). O resultado é sub ou superamortecido? Qual é o período da oscilação e até quanto a tensão no capacitor sobe?

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    O resistor crítico é \(R_{\text{crít}} = 2\sqrt{L/C} = 200\ \Omega\), e com 20 Ω a resposta é subamortecida.
    O amortecimento é \(\alpha = \dfrac{R}{2L} = 1000\ \text{s}^{-1}\), e a oscilação tem \(\omega_d = \sqrt{\omega_0^2 - \alpha^2} = \sqrt{10^8 - 10^6}\) \(\approx 9950\ \text{rad/s}\), com período \(\dfrac{2\pi}{\omega_d}\).
    O primeiro pico passa do valor final pela fração \(e^{-\alpha\pi/\omega_d} = e^{-0{,}316}\) \(\approx 0{,}729\).
    Subamortecido, com período de cerca de 0,63 ms e primeiro pico perto de 8,65 V.
  8. médio

    Um tanque com \(L = 10\ \text{mH}\) e \(C = 1\ \mu\text{F}\) em paralelo é alimentado por um gerador de 5 V de pico através de \(R = 1\ \text{k}\Omega\). Na ressonância, quanto vale a corrente do gerador, e quanto circula na bobina?

    Ver resolução
    Em \(f_0\), o tanque ideal tem impedância infinita; a corrente do gerador é nula e o tanque fica com os 5 V de pico.
    A bobina, com \(X_L = 2\pi f_0 L = 100\ \Omega\), leva \(I_L = \dfrac{5}{100}\), e o capacitor leva a mesma corrente em sentido oposto.
    A corrente do gerador é praticamente nula, mas circulam 50 mA de pico entre a bobina e o capacitor.
  9. desafio

    No modo degrau, com \(L = 10\ \text{mH}\), o osciloscópio mostra um primeiro pico 60% acima do valor final e uma oscilação de período 0,64 ms. Quanto valem \(R\) e \(C\)?

    Ver resolução
    O excesso dá \(e^{-\alpha\pi/\omega_d} = 0{,}6\), e então \(\dfrac{\alpha}{\omega_d} = \dfrac{-\ln 0{,}6}{\pi} \approx 0{,}163\).
    Do período, \(\omega_d = \dfrac{2\pi}{0{,}64 \cdot 10^{-3}} \approx 9817\ \text{rad/s}\), e \(\alpha \approx 1596\ \text{s}^{-1}\), o que dá \(R = 2L\alpha \approx 31{,}9\ \Omega\).
    Como \(\omega_0^2 = \omega_d^2 + \alpha^2 \approx 9{,}89 \cdot 10^7\), \(C = \dfrac{1}{\omega_0^2\,L}\).
    \(R \approx 32\ \Omega\) e \(C \approx 1{,}01\ \mu\text{F}\)
  10. desafio

    O fator de qualidade também é \(Q = 2\pi\) vezes a energia armazenada dividida pela energia dissipada num ciclo. Confira essa definição no RLC série do exercício 5 (\(R = 10\ \Omega\), \(L = 10\ \text{mH}\), \(C = 1\ \mu\text{F}\), 0,5 A de pico na ressonância).

    Ver resolução
    Quando a corrente passa pelo pico, toda a energia está na bobina, \(E = \tfrac{1}{2}\,L\,I_p^2\) \(= \tfrac{1}{2} \cdot 0{,}01 \cdot 0{,}25 = 1{,}25\ \text{mJ}\).
    A potência média no resistor é \(P = \tfrac{1}{2}\,I_p^2 R = 1{,}25\ \text{W}\), e num período, \(T = 1/f_0 \approx 0{,}628\ \text{ms}\), ele dissipa \(P\,T \approx 0{,}785\ \text{mJ}\).
    Então \(2\pi \cdot \dfrac{1{,}25}{0{,}785} \approx 10\).
    Dá \(Q = 10\), o mesmo valor de \(\sqrt{L/C}/R\).
PASSO 5

Por que o diodo deixa a corrente passar num sentido só?

O diodo funciona como uma válvula de mão única para a corrente. Ele é feito de duas regiões de silício dopadas de modos diferentes. Na região P faltam elétrons na rede, e os portadores são as lacunas, que se comportam como cargas positivas; na região N sobram elétrons livres. Na fronteira, a junção PN, elétrons e lacunas se recombinam e deixam uma faixa sem portadores, a camada de depleção, com um campo elétrico que barra a passagem de novas cargas.

Ligando o lado P, o anodo, no positivo da fonte, na polarização direta, empurramos os portadores para a junção e estreitamos a barreira. A partir de uns 0,6 V no silício, a corrente cresce muito depressa. Na polarização reversa, a barreira se alarga e só passa uma corrente de fuga minúscula, até a ruptura, que fica para o passo do zener.

A curva I×V resume esse comportamento. Na prática, costumamos tratar o diodo como uma chave que, quando conduz, tem uma queda quase fixa de cerca de 0,7 V, uma aproximação que parece grosseira mas funciona bem em quase todo circuito.

O LED é um diodo em que a recombinação de elétrons e lacunas emite luz, com uma queda maior, que depende da cor, de cerca de 1,8 V no vermelho a 3 V no azul. Como a corrente sobe exponencialmente com a tensão, nunca ligamos um LED direto numa fonte. Ele queimaria. Um resistor limitador em série absorve a diferença, e escolhemos \(R\) para a corrente desejada, tipicamente entre 5 e 20 mA.

A mão única do diodo transforma a tensão alternada numa tensão pulsante, de um só sentido. No retificador de meia onda, um diodo em série com a carga deixa passar só os semiciclos positivos. A saída tem picos 0,7 V abaixo dos do gerador e média um pouco abaixo de \((V_p - 0{,}7)/\pi\), já que o diodo só conduz quando a entrada passa do joelho. Na ponte de quatro diodos, os dois semiciclos chegam à carga no mesmo sentido, cada um por um caminho com dois diodos que podemos seguir no esquema com o dedo, e a saída tem a frequência dobrada e perto do dobro da média da meia onda, com picos 1,4 V abaixo dos do gerador.

Para vermos a entrada e a saída da ponte ao mesmo tempo, a bancada usa um transformador isolador 1:1. O osciloscópio mede em relação ao terra, e ligar o terra do gerador num dos terminais de entrada da ponte poria um diodo em curto. É um engano que talvez seja o mais frequente na bancada real.

\(I = I_S\left(e^{V/(n V_T)} - 1\right)\)\(V_F \approx 0{,}7\ \text{V}\) (Si)\(R = \dfrac{V - V_F}{I_F}\)meia onda: \(V_{\text{pico}} = V_p - 0{,}7\)\(V_{\text{méd}} \approx \dfrac{V_p - 0{,}7}{\pi}\)ponte: \(V_{\text{pico}} = V_p - 1{,}4\)\(V_{\text{méd}} \approx \dfrac{2\,(V_p - 1{,}4)}{\pi}\)\(f_{\text{saída}} = 2f\)Na equação de Shockley, \(V_T = kT/q \approx 26\ \text{mV}\) à temperatura ambiente, \(I_S\) é a corrente de saturação (\(10^{-14}\ \text{A}\) no diodo da simulação) e \(n\) vale 1 no diodo de silício e 2 nos LEDs da simulação. \(V_F\) e \(I_F\) são a tensão e a corrente diretas desejadas no diodo ou no LED. As médias supõem queda constante nos diodos e carga resistiva e desprezam o trecho do ciclo em que a entrada ainda não venceu a queda, o que as deixa alguns por cento acima do valor medido; o diodo da simulação não tem ruptura, e o transformador é ideal.

Para conversar

  • Em "Curva I×V", com o multímetro em V DC sobre o diodo (P e terra), suba a fonte de 0 a 3 V. Depois passe para A DC, em série com o diodo, e descubra a partir de que tensão nele a corrente passa de 1 mA.
  • Leve a fonte a valores negativos e meça de novo a tensão no diodo e a corrente. Onde fica a tensão da fonte?
  • Escolha o LED azul e uma fonte de 9 V, calcule o resistor para 15 mA e ajuste o valor E12 mais próximo. O amperímetro em série confirma a conta?
  • Na meia onda, com o CH1 no gerador (A) e o CH2 na carga (B), meça a diferença entre os picos dos dois canais. Com o multímetro em V DC na carga, compare a média com \((V_p - 0{,}7)/\pi\).
  • Na ponte, meça a frequência no CH1 e no CH2. Depois abra \(D_1\) com o botão de falha e meça de novo: que mudança na tela denunciaria esse defeito numa fonte?
Tensão no diodo (P)
Corrente no diodo
Tensão em R
Potência no diodo
Exercícios do passo 5 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Um LED vermelho, com queda de 1,8 V, deve funcionar com 10 mA numa fonte de 5 V. Que resistor usar, e que corrente passa com o valor E12 mais próximo?

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    O resistor fica com a diferença, \(R = \dfrac{5 - 1{,}8}{0{,}010} = 320\ \Omega\), e o valor E12 mais próximo é \(330\ \Omega\).
    Com ele, \(I = \dfrac{3{,}2}{330}\).
    \(330\ \Omega\), com cerca de 9,7 mA
  2. básico

    Um diodo de silício e um resistor de \(1\ \text{k}\Omega\) estão em série com uma fonte de 12 V. Qual é a corrente com o diodo em polarização direta? E com a fonte invertida, quanto marca um voltímetro sobre o diodo?

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    Em polarização direta, o diodo fica com cerca de 0,7 V, e \(I = \dfrac{12 - 0{,}7}{1000}\).
    Invertido, o diodo bloqueia e a corrente é praticamente nula; sem queda no resistor, a tensão inteira fica sobre o diodo.
    Cerca de 11,3 mA na direta; na reversa, o voltímetro marca cerca de \(-12\ \text{V}\) sobre o diodo.
  3. básico

    Um retificador de meia onda recebe uma senoide de 10 V de pico e 60 Hz e alimenta uma carga resistiva. Qual é o pico na carga, a frequência da saída e uma estimativa da média?

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    O diodo come cerca de 0,7 V, e o pico na carga é \(10 - 0{,}7 = 9{,}3\ \text{V}\).
    Passa um semiciclo por período, e a saída repete a frequência do gerador.
    A média de meia senoide é o pico dividido por \(\pi\), \(\dfrac{9{,}3}{\pi}\).
    Pico de 9,3 V, 60 Hz e média estimada em cerca de 2,96 V
  4. básico

    Uma ponte de diodos recebe 12 V RMS de um transformador. Quais são o pico na carga, a frequência da saída e uma estimativa da média?

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    O pico da entrada é \(V_p = 12\sqrt{2} \approx 16{,}97\ \text{V}\), e a corrente atravessa dois diodos, \(16{,}97 - 1{,}4\).
    Os dois semiciclos aparecem na carga, e a frequência dobra para 120 Hz.
    A média é \(\dfrac{2 \cdot 15{,}57}{\pi}\).
    Pico de cerca de 15,6 V, 120 Hz e média estimada em cerca de 9,9 V
  5. médio

    No diodo da simulação, \(I_S = 10^{-14}\ \text{A}\), \(n = 1\) e \(V_T \approx 25{,}85\ \text{mV}\). Qual é a tensão no diodo com 10 mA? Quanto a corrente aumenta se a tensão sobe 60 mV?

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    Isolando \(V\) na equação de Shockley, \(V = n V_T \ln\left(\dfrac{I}{I_S} + 1\right)\) \(= 0{,}02585 \cdot \ln 10^{12}\) \(\approx 0{,}714\ \text{V}\).
    Com 60 mV a mais, a corrente é multiplicada por \(e^{0{,}060/0{,}02585} \approx 10{,}2\).
    Cerca de 0,71 V; 60 mV a mais multiplicam a corrente por dez, e por isso tratamos a tensão no diodo como quase fixa.
  6. médio

    Um LED azul (3,0 V) é ligado a 5 V com um resistor de \(100\ \Omega\). Quais são a corrente e as potências no resistor e no LED? E se a fonte subir para 5,5 V?

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    A corrente é \(I = \dfrac{5 - 3}{100} = 20\ \text{mA}\); no resistor, \(P_R = 2 \cdot 0{,}02 = 40\ \text{mW}\), e no LED, \(P_{\text{LED}} = 3 \cdot 0{,}02 = 60\ \text{mW}\).
    Com 5,5 V, \(I = \dfrac{5{,}5 - 3}{100} = 25\ \text{mA}\).
    20 mA, 40 mW e 60 mW; com 10% a mais na fonte, a corrente sobe 25%, porque a queda no LED fica quase igual e todo o aumento vai para o resistor.
  7. médio

    Três LEDs vermelhos (1,8 V cada) em série devem funcionar com 15 mA numa fonte de 12 V. Qual é o resistor E12 adequado, com que corrente, e que potência ele dissipa?

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    Os LEDs somam \(3 \cdot 1{,}8 = 5{,}4\ \text{V}\), e \(R = \dfrac{12 - 5{,}4}{0{,}015} = 440\ \Omega\). O E12 logo acima é \(470\ \Omega\).
    Com ele, \(I = \dfrac{6{,}6}{470} \approx 14{,}0\ \text{mA}\), e \(P = \dfrac{6{,}6^2}{470}\).
    \(470\ \Omega\), cerca de 14 mA e 93 mW, folgado para um resistor de 1/4 W.
  8. médio

    Um retificador de meia onda ligado direto na rede de 127 V RMS alimenta uma carga resistiva. Que tensão reversa máxima o diodo precisa aguentar?

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    No semiciclo negativo, o diodo bloqueia, a carga fica sem corrente e a tensão inteira do gerador aparece sobre o diodo.
    O máximo é o pico da rede, \(V_p = 127\sqrt{2}\).
    Cerca de 180 V; escolhemos um diodo de 400 V ou mais, com folga para os picos da rede.
  9. desafio

    Um diodo com \(I_S = 10^{-14}\ \text{A}\) e \(n = 1\) está em série com \(1\ \text{k}\Omega\) numa fonte de 5 V. Encontre a tensão e a corrente no diodo resolvendo a reta de carga por iteração, a partir de \(V = 0{,}7\ \text{V}\).

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    A reta de carga dá \(I = \dfrac{5 - V}{1000}\), e a curva do diodo dá \(V = V_T \ln\left(\dfrac{I}{I_S} + 1\right)\).
    Com \(V = 0{,}7\ \text{V}\), \(I = 4{,}30\ \text{mA}\) e \(V = 0{,}02585 \cdot \ln(4{,}3 \cdot 10^{11})\) \(\approx 0{,}6925\ \text{V}\).
    Com esse \(V\), \(I \approx 4{,}307\ \text{mA}\), e a nova tensão muda menos de 0,1 mV.
    \(V \approx 0{,}693\ \text{V}\) e \(I \approx 4{,}31\ \text{mA}\), o ponto em que a curva cruza a reta de carga.
  10. desafio

    Na meia onda de 10 V de pico com carga de \(1\ \text{k}\Omega\), o multímetro em V DC marca cerca de 2,84 V, e não os 2,96 V da estimativa \((V_p - 0{,}7)/\pi\). Supondo uma queda constante de 0,7 V, a partir de que ângulo o diodo conduz, e que média isso dá?

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    O diodo só conduz quando \(10\,\mathrm{sen}\,\theta > 0{,}7\), a partir de \(\theta_1 = \arcsin 0{,}07 \approx 0{,}070\ \text{rad}\), e para em \(\pi - \theta_1\).
    A média sobre o período é \(\dfrac{1}{2\pi}\displaystyle\int_{\theta_1}^{\pi - \theta_1} (10\,\mathrm{sen}\,\theta - 0{,}7)\,d\theta\) \(= \dfrac{10\cos\theta_1 - 0{,}7\,(\pi/2 - \theta_1)}{\pi}\).
    Com os números, \(\dfrac{9{,}976 - 1{,}050}{\pi}\).
    O diodo conduz a partir de cerca de 4°, e a média fica em cerca de 2,84 V, como no multímetro.
PASSO 6

Como tirar uma tensão firme de uma fonte que varia?

Uma bateria que descarrega, um carregador barato ou uma fonte com ondulação entregam tensões que sobem e descem, enquanto muitos circuitos que montamos pedem uma referência firme, de 5 V ou de 3,3 V. O diodo zener é a peça mais simples que faz esse serviço.

Em polarização direta, o zener se comporta como um diodo comum, com cerca de 0,7 V. Em polarização reversa, ele bloqueia até a tensão de ruptura \(V_Z\), e a partir dela a corrente reversa cresce muito depressa enquanto a tensão quase não sai do lugar. Ele é fabricado para trabalhar nessa ruptura sem se danificar, desde que a potência fique dentro do limite.

No regulador zener, ligamos o zener com o cátodo no lado positivo, em paralelo com a carga, e um resistor \(R_S\) em série com a entrada. A tensão em \(R_S\) é a diferença entre a entrada e \(V_Z\), e por isso a corrente \(I_S\) que ele deixa passar fica fixada pela entrada; a carga leva \(V_Z/R_L\), e o zener absorve o que sobra. Quando a entrada sobe, quase todo o aumento cai sobre \(R_S\), e é o zener que engole a corrente extra.

A regulação tem limites dos dois lados. Se a carga pede mais corrente do que \(R_S\) consegue entregar com a entrada no mínimo, a corrente no zener cai abaixo de cerca de 1 mA, ele sai da ruptura e a saída passa a seguir o divisor formado por \(R_S\) e pela carga.

No outro extremo, sem carga e com a entrada no máximo, toda a corrente de \(R_S\) passa pelo zener, que dissipa \(V_Z\,I_Z\) e pode passar da potência que aguenta. Ao projetar o regulador, escolhemos \(R_S\) entre esses dois limites.

Na bancada, a entrada tem uma ondulação de 120 Hz, parecida com a de uma fonte com retificação e filtro, que montaremos no passo 9. Com os dois canais do osciloscópio, vemos quanto dessa ondulação chega à saída, e talvez surpreenda que ela caia a menos de um centésimo.

\(I_S = \dfrac{V_E - V_Z}{R_S}\)\(I_L = \dfrac{V_Z}{R_L}\)\(I_Z = I_S - I_L\)\(P_Z = V_Z\,I_Z\)\(I_Z \geq I_{Z,\text{mín}}\)\(R_S \leq \dfrac{V_{E,\text{mín}} - V_Z}{I_{L,\text{máx}} + I_{Z,\text{mín}}}\)\(V_E\) é a tensão de entrada, contínua mais a ondulação. O zener da simulação segue um modelo exponencial de ruptura, com \(V_Z\) medida a 5 mA e uma resistência dinâmica de poucos ohms; tomamos \(I_{Z,\text{mín}} \approx 1\ \text{mA}\) como a corrente abaixo da qual ele deixa de regular e 0,5 W como a potência que ele aguenta. Os resistores seguem a série E12.

Para conversar

  • Com a carga de \(1\ \text{k}\Omega\), meça com o multímetro a tensão em B e, no modo A DC, a corrente em \(R_S\), no zener e na carga, uma de cada vez. A corrente que chega a B confere com a soma das que saem?
  • Leve a entrada de 8 V a 20 V e anote a tensão em B a cada 2 V. Quanto a saída muda para cada volt a mais na entrada?
  • Baixe a carga, passo a passo, até a saída começar a cair. Em que valor isso acontece, e ele confere com \(R_L = V_Z/(I_S - 1\ \text{mA})\)?
  • Ponha a ondulação em 2 V, o CH1 em A e o CH2 em B com acoplamento AC e 20 mV/div. Qual é o Vpp em cada canal, e qual é a razão entre eles?
  • Desligue a carga, suba a entrada para 20 V e baixe \(R_S\) para \(100\ \Omega\). Qual é a potência no zener, e que \(R_S\) o deixaria abaixo de 0,5 W?
Tensão em B (saída)
Corrente em Rₛ
Corrente no zener
Corrente na carga
Potência no zener
Ondulação (Vpp) A → B
Exercícios do passo 6 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Um zener de 5,1 V é ligado a uma entrada de 12 V por um resistor \(R_S = 330\ \Omega\), sem carga. Qual é a corrente em \(R_S\) e a potência no zener?

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    A tensão em \(R_S\) é a diferença entre a entrada e a do zener, \(I_S = \dfrac{12 - 5{,}1}{330}\) \(\approx 20{,}9\ \text{mA}\).
    Sem carga, toda essa corrente passa pelo zener, e \(P_Z = 5{,}1 \cdot 0{,}0209\).
    \(I_S \approx 20{,}9\ \text{mA}\) e \(P_Z \approx 107\ \text{mW}\)
  2. básico

    No regulador do exercício anterior, ligamos uma carga de \(470\ \Omega\). Quanta corrente vai para a carga e quanta fica no zener?

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    A saída continua em 5,1 V, e a carga leva \(I_L = \dfrac{5{,}1}{470} \approx 10{,}9\ \text{mA}\).
    A corrente de \(R_S\) não muda, porque a tensão nele não mudou, e o zener fica com a diferença, \(I_Z = 20{,}9 - 10{,}9\).
    Cerca de 10,9 mA na carga e 10,1 mA no zener
  3. básico

    Um aluno monta o regulador com o zener invertido, com o ânodo no lado positivo. Quanto o multímetro marca na saída, e por quê?

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    Invertido, o zener fica em polarização direta e se comporta como um diodo comum.
    A saída fica presa na queda direta da junção, de cerca de 0,7 V, e \(R_S\) leva quase toda a tensão da entrada.
    Cerca de 0,7 V; o zener só regula em \(V_Z\) com o cátodo no lado positivo.
  4. básico

    Num regulador com zener de 5,1 V e \(R_S = 470\ \Omega\), a entrada sobe de 12 V para 15 V e a saída continua em 5,1 V. Para onde vão os 3 V a mais, e o que acontece com a corrente do zener?

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    A saída não mudou, e os 3 V a mais caem todos sobre \(R_S\).
    A corrente em \(R_S\) aumenta \(\Delta I_S = \dfrac{3}{470} \approx 6{,}4\ \text{mA}\), e como a carga continua com a mesma tensão, esse acréscimo vai todo para o zener.
    Os 3 V ficam em \(R_S\), e o zener passa a conduzir cerca de 6,4 mA a mais.
  5. médio

    Queremos 5,1 V para uma carga que puxa até 20 mA, a partir de uma entrada que varia de 9 V a 12 V. Com \(I_{Z,\text{mín}} = 1\ \text{mA}\), qual é o maior \(R_S\) possível? Escolhendo o valor E12 logo abaixo, quanto o zener dissipa no pior caso?

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    O pior caso para a regulação é a entrada mínima com a carga máxima, \(R_S \leq \dfrac{9 - 5{,}1}{0{,}020 + 0{,}001}\) \(\approx 186\ \Omega\), e o valor E12 abaixo é \(180\ \Omega\).
    O pior caso para o zener é a entrada máxima sem carga, \(I_Z = \dfrac{12 - 5{,}1}{180} \approx 38{,}3\ \text{mA}\), e \(P_Z = 5{,}1 \cdot 0{,}0383\).
    \(R_S = 180\ \Omega\), com o zener dissipando até cerca de 196 mW
  6. médio

    Com zener de 5,1 V, \(R_S = 470\ \Omega\) e entrada de 12 V, qual é a menor carga que ainda deixa 1 mA no zener?

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    A corrente em \(R_S\) é \(I_S = \dfrac{12 - 5{,}1}{470} \approx 14{,}7\ \text{mA}\), e a carga pode levar até \(14{,}7 - 1 = 13{,}7\ \text{mA}\).
    Então \(R_L \geq \dfrac{5{,}1}{0{,}0137}\).
    \(R_L \approx 373\ \Omega\); abaixo disso, a saída cai e segue o divisor de \(R_S\) com a carga.
  7. médio

    O zener de um regulador tem resistência dinâmica \(r_z = 8\ \Omega\), e \(R_S = 470\ \Omega\). A entrada tem 2 V de ondulação pico a pico. Quanto dessa ondulação chega à saída, desprezando a carga?

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    Para a parte que varia, o zener se comporta como um resistor \(r_z\), e \(R_S\) com \(r_z\) forma um divisor, \(\Delta V_{\text{saída}} = 2 \cdot \dfrac{8}{470 + 8}\).
    Cerca de 33 mV pico a pico, uns 60 vezes menos que na entrada
  8. médio

    Num regulador com zener de 5,1 V e \(R_S = 470\ \Omega\), a entrada pode chegar a 20 V sem carga. Quanto dissipam o zener e \(R_S\) nessa situação? Um resistor de 1/4 W serve?

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    A corrente é \(I_S = \dfrac{20 - 5{,}1}{470} \approx 31{,}7\ \text{mA}\), e o zener dissipa \(P_Z = 5{,}1 \cdot 0{,}0317 \approx 162\ \text{mW}\).
    No resistor, \(P_R = \dfrac{(20 - 5{,}1)^2}{470}\) \(\approx 472\ \text{mW}\).
    O zener fica bem abaixo de 0,5 W, mas \(R_S\) dissipa cerca de 0,47 W e pede um resistor de 1 W; o de 1/4 W queimaria.
  9. desafio

    No regulador da bancada, com 12 V de entrada, \(R_S = 470\ \Omega\), zener de 5,1 V e carga de \(1\ \text{k}\Omega\), qual é a eficiência, a razão entre a potência entregue à carga e a tirada da entrada? Para onde vai o resto?

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    A entrada fornece \(P_E = 12 \cdot 0{,}0147 \approx 176\ \text{mW}\), e a carga recebe \(P_L = \dfrac{5{,}1^2}{1000} \approx 26\ \text{mW}\).
    A eficiência é \(\eta = \dfrac{26}{176} \approx 0{,}15\). O resto vira calor em \(R_S\), com \(\dfrac{6{,}9^2}{470} \approx 101\ \text{mW}\), e no zener, com \(5{,}1 \cdot 0{,}0096 \approx 49\ \text{mW}\).
    Cerca de 15%; por isso o regulador zener aparece em referências e cargas pequenas, e não para alimentar circuitos que consomem muito.
  10. desafio

    Projete um regulador de 5,1 V para uma entrada de 10 V a 14 V e uma carga que vai de 0 a 15 mA, com um zener de 0,5 W e \(I_{Z,\text{mín}} = 1\ \text{mA}\). Em que faixa \(R_S\) pode ficar? Escolha um valor E12 e confira os dois limites.

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    Para regular com a entrada mínima e a carga máxima, \(R_S \leq \dfrac{10 - 5{,}1}{0{,}016} \approx 306\ \Omega\).
    Para o zener aguentar a entrada máxima sem carga, \(5{,}1 \cdot \dfrac{14 - 5{,}1}{R_S} \leq 0{,}5\), e \(R_S \geq 90{,}8\ \Omega\).
    Com \(270\ \Omega\), o zener dissipa no máximo \(5{,}1 \cdot \dfrac{8{,}9}{270} \approx 168\ \text{mW}\) e fica, no pior caso, com \(\dfrac{4{,}9}{270} - 0{,}015 \approx 3{,}1\ \text{mA}\).
    \(R_S\) entre cerca de \(91\ \Omega\) e \(306\ \Omega\); \(270\ \Omega\) atende os dois limites com folga.
PASSO 7

Como uma corrente pequena controla uma corrente grande?

Um microcontrolador entrega poucos miliamperes por pino, e um relé, um motor ou uma fileira de LEDs pedem dezenas ou centenas. O transistor bipolar faz a ponte entre os dois, porque uma corrente pequena na base controla uma corrente bem maior entre o coletor e o emissor.

Ele tem três camadas de silício, na ordem NPN ou PNP. No NPN, quando a junção base-emissor conduz, com \(V_{BE}\) perto de 0,7 V, os elétrons que o emissor injeta na base, que é muito fina, quase todos atravessam até o coletor, e a corrente de coletor fica proporcional à de base, \(I_C = \beta\,I_B\). O ganho \(\beta\) tipicamente fica entre 50 e 300, e o PNP funciona do mesmo modo com todos os sinais invertidos, com o emissor ligado ao lado positivo.

Distinguimos três regiões de funcionamento. Em corte, \(V_{BE}\) fica abaixo de uns 0,6 V, quase nenhuma corrente passa e o transistor é uma chave aberta; na região ativa, vale \(I_C = \beta\,I_B\) com \(V_{CE}\) bem acima de zero.

Na saturação, a base recebe mais corrente do que a carga deixa o coletor usar, e \(V_{CE}\) cai para 0,1 ou 0,2 V, como numa chave fechada. As medidas que contam a história são quatro, \(I_B\), \(I_C\), \(V_{BE}\) e \(V_{CE}\), e podemos lê-las todas na bancada.

Como chave, queremos só corte e saturação, porque nas duas a potência \(V_{CE}\,I_C\) é pequena. A regra prática é dar à base algumas vezes a corrente mínima \(I_C/\beta\), o que tende a garantir a saturação mesmo num transistor de \(\beta\) mais baixo.

A bobina de um relé guarda energia no campo magnético, e o diodo de roda livre em paralelo com ela dá caminho à corrente quando o transistor abre. Sem ele, a tensão no coletor saltaria a centenas de volts no desligamento e poderia destruir o transistor.

Como amplificador, mantemos o transistor na região ativa. No emissor comum com polarização por divisor, \(R_1\) e \(R_2\) fixam a tensão da base e \(R_E\) fixa a corrente de repouso, quase sem depender de \(\beta\); um sinal pequeno somado à base pelo capacitor varia a corrente do emissor em \(v_{\text{in}}/R_E\), e essa variação, passando por \(R_C\), produz uma saída invertida e maior, com ganho perto de \(-R_C/R_E\).

\(I_E = I_B + I_C\)ativa: \(I_C = \beta\,I_B\)\(V_{BE} \approx 0{,}7\ \text{V}\)\(V_{CE,\text{sat}} \approx 0{,}1\text{ a }0{,}2\ \text{V}\)chave: \(I_B > \dfrac{I_{C,\text{sat}}}{\beta}\)\(V_B \approx V_{CC}\,\dfrac{R_2}{R_1 + R_2}\)\(I_E \approx \dfrac{V_B - V_{BE}}{R_E}\)\(A_v \approx -\dfrac{R_C}{R_E}\)O transistor da simulação segue o modelo de Ebers-Moll, sem efeito Early, com \(\beta = 150\) na chave e \(\beta = 200\) no amplificador; num transistor real, \(\beta\) muda de uma peça para outra e com a corrente e a temperatura. No ganho, \(R_C\) aparece em paralelo com a carga de \(100\ \text{k}\Omega\), e a resistência interna do emissor, \(r_e \approx 26\ \text{mV}/I_E\), soma-se a \(R_E\). A bobina do relé tem 0,1 H e \(240\ \Omega\), e o contato fecha acima de cerca de 35 mA.

Para conversar

  • Na chave com LED, ponha o amperímetro na base e depois no coletor e leve a entrada de 0 a 5 V. Anote \(I_B\) e \(I_C\) em cinco pontos e calcule \(I_C/I_B\). A partir de que entrada a razão deixa de ser \(\beta\)?
  • Meça \(V_{BE}\) e \(V_{CE}\) com o multímetro, com a ponteira preta no terra, e diga em que região o transistor está com a entrada em 0,5 V, em 1,5 V e em 5 V.
  • No relé, com \(R_B = 47\ \text{k}\Omega\), o contato não fecha. Meça \(I_B\), \(I_C\) e \(V_{CE}\), descubra a região e encontre o maior \(R_B\) que faz o relé fechar com folga.
  • Ainda no relé, ponha o CH2 no coletor e desligue a entrada. Até que tensão o coletor sobe, e qual componente segura esse valor?
  • No amplificador, meça \(V_B\), \(V_E\) e \(V_C\) em V DC e confira \(I_E \approx V_E/R_E\) com o amperímetro no \(R_E\). Depois, com o CH1 em S e o CH2 em O, leia os dois Vpp e calcule o ganho. Ele confere com \(-R_C/R_E\)?
  • Suba a amplitude do gerador até a saída achatar. Qual dos lados achata antes, e em que região o transistor entra nesse momento?
IB (base)
IC (coletor)
VBE
VCE
Região
IC/IB
Exercícios do passo 7 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Um NPN com \(\beta = 150\) está na região ativa com \(I_B = 40\ \mu\text{A}\). Quanto valem \(I_C\) e \(I_E\)?

    Ver resolução
    Na região ativa, \(I_C = \beta\,I_B = 150 \cdot 40\ \mu\text{A}\) \(= 6\ \text{mA}\).
    O emissor recebe as duas correntes, \(I_E = I_B + I_C = 0{,}04 + 6\).
    \(I_C = 6\ \text{mA}\) e \(I_E \approx 6{,}04\ \text{mA}\)
  2. básico

    Num circuito com \(V_{CC} = 12\ \text{V}\), medimos três transistores NPN com o emissor no terra. O primeiro tem \(V_{BE} = 0{,}05\ \text{V}\) e \(V_{CE} = 12\ \text{V}\), o segundo \(V_{BE} = 0{,}68\ \text{V}\) e \(V_{CE} = 6\ \text{V}\), e o terceiro \(V_{BE} = 0{,}75\ \text{V}\) e \(V_{CE} = 0{,}1\ \text{V}\). Em que região está cada um?

    Ver resolução
    No primeiro, a junção base-emissor nem chegou a conduzir, e toda a tensão fica entre coletor e emissor, o que indica corte.
    No segundo, a junção conduz e \(V_{CE}\) fica longe de zero e longe de 12 V, na região ativa.
    No terceiro, a junção conduz e \(V_{CE}\) caiu a uma fração de volt, o que indica saturação.
    Corte, ativa e saturação
  3. básico

    Um NPN acende um LED vermelho (1,8 V) a partir de 12 V, com o LED e um resistor \(R_C\) entre a fonte e o coletor. Com \(V_{CE,\text{sat}} = 0{,}2\ \text{V}\), que \(R_C\) deixa o LED com 15 mA? Qual é a corrente com o valor E12 mais próximo acima?

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    Com o transistor saturado, \(R_C\) fica com o que sobra da fonte, \(R_C = \dfrac{12 - 1{,}8 - 0{,}2}{0{,}015}\) \(\approx 667\ \Omega\).
    Com \(680\ \Omega\), \(I_C = \dfrac{10}{680}\).
    \(R_C \approx 667\ \Omega\); com \(680\ \Omega\), cerca de 14,7 mA
  4. básico

    Por que se liga um diodo em paralelo com a bobina de um relé comandado por transistor, e em que sentido ele vai?

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    A bobina mantém a sua corrente no instante em que o transistor abre, e sem caminho ela produziria uma tensão enorme no coletor, capaz de romper o transistor.
    O diodo, com o cátodo no \(+V_{CC}\) e o ânodo no coletor, fica cortado com o relé ligado e conduz a corrente da bobina no desligamento, segurando o coletor em cerca de 0,7 V acima de \(V_{CC}\).
    Para proteger o transistor no desligamento; o cátodo vai no lado positivo, e o diodo só conduz quando a bobina é desligada.
  5. médio

    Um pino de microcontrolador de 5 V vai comandar, por um NPN, um relé de 12 V com bobina de \(240\ \Omega\). O transistor tem \(\beta\) mínimo de 100, e queremos o dobro da corrente de base mínima. Que \(R_B\) usar, com \(V_{BE} = 0{,}7\ \text{V}\) e \(V_{CE,\text{sat}} = 0{,}2\ \text{V}\)?

    Ver resolução
    A bobina pede \(I_C = \dfrac{12 - 0{,}2}{240} \approx 49\ \text{mA}\), e a base precisa de pelo menos \(0{,}049/100 \approx 0{,}5\ \text{mA}\), ou 1 mA com a folga de dois.
    Então \(R_B = \dfrac{5 - 0{,}7}{0{,}001} = 4{,}3\ \text{k}\Omega\), e o valor E12 logo abaixo é \(3{,}9\ \text{k}\Omega\), que dá \(I_B \approx 1{,}1\ \text{mA}\).
    \(R_B = 3{,}9\ \text{k}\Omega\), bem dentro do que um pino fornece
  6. médio

    Com 2 V na entrada, \(R_B = 47\ \text{k}\Omega\), \(\beta = 150\), \(R_C = 1\ \text{k}\Omega\) (sem LED) e \(V_{CC} = 12\ \text{V}\), calcule \(I_B\), \(I_C\) e \(V_{CE}\), confirme a região e calcule a potência no transistor.

    Ver resolução
    A base recebe \(I_B = \dfrac{2 - 0{,}7}{47\,000} \approx 27{,}7\ \mu\text{A}\), e supondo a região ativa, \(I_C = 150 \cdot 27{,}7\ \mu\text{A} \approx 4{,}15\ \text{mA}\).
    Então \(V_{CE} = 12 - 1000 \cdot 0{,}00415\) \(\approx 7{,}85\ \text{V}\), bem acima da saturação, o que confirma a suposição.
    A potência é \(P = V_{CE}\,I_C = 7{,}85 \cdot 0{,}00415\).
    \(I_B \approx 27{,}7\ \mu\text{A}\), \(I_C \approx 4{,}15\ \text{mA}\), \(V_{CE} \approx 7{,}85\ \text{V}\), região ativa, cerca de 33 mW
  7. médio

    No amplificador da bancada, \(V_{CC} = 12\ \text{V}\), \(R_1 = 47\ \text{k}\Omega\), \(R_2 = 10\ \text{k}\Omega\), \(R_C = 2{,}2\ \text{k}\Omega\) e \(R_E = 470\ \Omega\). Desprezando a corrente de base, calcule \(V_B\), \(V_E\), \(I_E\), \(V_C\) e \(V_{CE}\).

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    O divisor dá \(V_B = 12 \cdot \dfrac{10}{57} \approx 2{,}11\ \text{V}\), e \(V_E = V_B - 0{,}7 \approx 1{,}41\ \text{V}\).
    A corrente é \(I_E = \dfrac{1{,}41}{470} \approx 2{,}99\ \text{mA}\), e com \(I_C \approx I_E\), \(V_C = 12 - 2200 \cdot 0{,}00299\) \(\approx 5{,}42\ \text{V}\).
    \(V_B \approx 2{,}11\ \text{V}\), \(V_E \approx 1{,}41\ \text{V}\), \(I_E \approx 3{,}0\ \text{mA}\), \(V_C \approx 5{,}4\ \text{V}\) e \(V_{CE} \approx 4{,}0\ \text{V}\); a bancada mostra valores um pouco menores, porque a base tira do divisor cerca de 14 µA.
  8. médio

    No mesmo amplificador, um sinal de 0,2 V de pico entra na base. Qual é o ganho esperado, e como fica a saída no osciloscópio?

    Ver resolução
    O ganho do emissor comum com \(R_E\) é \(A_v \approx -\dfrac{R_C}{R_E} = -\dfrac{2200}{470} \approx -4{,}7\).
    A saída tem \(0{,}2 \cdot 4{,}7 \approx 0{,}94\ \text{V}\) de pico, ou cerca de 1,9 Vpp.
    Ganho de cerca de \(-4{,}7\); no osciloscópio, a saída é uma senoide de quase 1,9 Vpp, invertida em relação à entrada, com o máximo de uma no mínimo da outra.
  9. desafio

    Na chave com LED da bancada (\(V_{CC} = 12\ \text{V}\), \(R_C = 1\ \text{k}\Omega\), LED de 1,8 V, \(R_B = 47\ \text{k}\Omega\), entrada de 5 V), o transistor satura com \(\beta = 150\)? E se for trocado por outro do mesmo modelo com \(\beta = 80\)? Que \(R_B\) garantiria a saturação com folga de dois para esse \(\beta\)?

    Ver resolução
    A base recebe \(I_B = \dfrac{5 - 0{,}7}{47\,000} \approx 91\ \mu\text{A}\), e a carga deixa passar no máximo \(I_{C,\text{sat}} = \dfrac{12 - 1{,}8 - 0{,}2}{1000}\) \(= 10\ \text{mA}\).
    Com \(\beta = 150\), \(\beta\,I_B \approx 13{,}7\ \text{mA}\) passa de 10 mA, e o transistor satura, com folga de só 1,37. Com \(\beta = 80\), \(\beta\,I_B \approx 7{,}3\ \text{mA}\), e ele fica na região ativa, com \(V_{CE} \approx 12 - 1{,}8 - 7{,}3 \approx 2{,}9\ \text{V}\) e o LED mais fraco.
    Com folga de dois, \(I_B = \dfrac{2 \cdot 0{,}010}{80} = 0{,}25\ \text{mA}\) e \(R_B = \dfrac{4{,}3}{0{,}00025} = 17{,}2\ \text{k}\Omega\).
    Satura com \(\beta = 150\), não satura com \(\beta = 80\); \(R_B = 15\ \text{k}\Omega\) (E12) resolve para os dois.
  10. desafio

    No amplificador do exercício 7, qual é a maior amplitude de entrada antes de a saída achatar? Suponha \(V_{CE,\text{sat}} = 0{,}2\ \text{V}\) e despreze \(r_e\) e a carga.

    Ver resolução
    Um acréscimo \(v\) na base aumenta a corrente em \(v/R_E\), o que sobe o emissor em \(v\) e desce o coletor em \(v\,R_C/R_E\). Então \(V_{CE}\) cai \(v\,\dfrac{R_C + R_E}{R_E} \approx 5{,}68\,v\).
    Partindo de \(V_{CE} \approx 4{,}02\ \text{V}\), a saturação chega com \(v = \dfrac{4{,}02 - 0{,}2}{5{,}68}\) \(\approx 0{,}67\ \text{V}\). Para o outro lado, o corte só viria com \(v \approx -1{,}41\ \text{V}\), quando a corrente do emissor zera.
    Cerca de 0,67 V de pico; a saída, com uns 3,1 V de pico, achata primeiro embaixo, na saturação.
PASSO 8

Como controlar uma corrente sem gastar corrente no controle?

O transistor bipolar pede corrente na base o tempo todo em que conduz, e para um motor de 2 A com \(\beta = 100\) seriam 20 mA tirados do circuito de controle. Com o MOSFET, controlamos a corrente de outro jeito, por meio do campo elétrico que a tensão na porta cria.

No MOSFET canal N de intensificação, a porta (gate) é uma placa condutora separada do silício por uma camada finíssima de óxido, que é isolante. Com tensão positiva entre a porta e a fonte (source), a porta atrai elétrons para a superfície embaixo dela, e acima da tensão de limiar \(V_{th}\) eles formam um canal que liga o dreno (drain) à fonte. Como a porta está isolada, podemos tratá-la como um capacitor, e em regime contínuo nenhuma corrente passa por ela.

Abaixo de \(V_{th}\), dizemos que o MOSFET está em corte. Acima, com \(V_{DS}\) grande, ele está na saturação, e a corrente depende só de \(V_{GS}\), pela lei quadrática \(I_D = k(V_{GS} - V_{th})^2\); com \(V_{DS}\) pequeno, no triodo, ele se comporta como um resistor controlado pela porta.

Os nomes tendem a confundir quem vem do bipolar, porque a saturação do MOSFET corresponde à região ativa do BJT. A chave fechada do MOSFET é o triodo, com \(V_{GS}\) bem acima de \(V_{th}\) e uma resistência de condução \(R_{DS(\text{on})}\) que tipicamente fica em décimos ou centésimos de ohm.

Para controlar a velocidade de um motor ou o brilho de um LED, ligamos e desligamos a chave milhares de vezes por segundo com modulação por largura de pulso, o PWM. A carga recebe, em média, a fração \(D\) do tempo em que a chave fica fechada, o ciclo de trabalho, vezes a tensão da fonte, e o transistor dissipa pouco porque passa quase todo o tempo em corte ou plenamente ligado.

A camada de óxido da porta tem poucos nanômetros e rompe com algumas dezenas de volts. A eletricidade estática do corpo, de milhares de volts, pode furá-la num toque, e por isso manuseamos MOSFETs com pulseira aterrada e os guardamos em embalagem antiestática. No circuito, um resistor entre a porta e a fonte impede que a porta fique solta, com carga acumulada e estado indefinido.

corte: \(V_{GS} < V_{th}\), \(I_D \approx 0\)saturação: \(I_D = k\,(V_{GS} - V_{th})^2\)\(V_{DS} \geq V_{GS} - V_{th}\)triodo: \(R_{DS(\text{on})} \approx \dfrac{1}{2k\,(V_{GS} - V_{th})}\)\(I_G = 0\) (DC)\(V_{\text{méd}} = D\,V_{DD}\)\(P = R_{DS(\text{on})}\,I_D^2\)No triodo, a lei completa é \(I_D = k\,[2(V_{GS} - V_{th})V_{DS} - V_{DS}^2]\), que para \(V_{DS}\) pequeno se reduz ao resistor \(R_{DS(\text{on})}\). O MOSFET da simulação segue a lei quadrática escrita sem o fator 1/2, com \(k = 0{,}5\ \text{A/V}^2\) e \(V_{th} = 2\ \text{V}\), sem o diodo interno e com uma capacitância de 2 nF entre porta e fonte, que o desenho não mostra. O motor é representado pela resistência e pela indutância do enrolamento, sem a força contraeletromotriz da rotação. O shunt de \(0{,}1\ \Omega\) na fonte converte a corrente de dreno numa tensão que o osciloscópio vê, 0,1 V para cada ampere, e o PWM tem 1 kHz.

Para conversar

  • Em "Curva Id × VGS", meça \(V_{GS}\) com o multímetro, vermelha em G e preta em S, e a corrente de porta com o amperímetro. Suba a porta de 0 a 5 V. Em que \(V_{GS}\) a lâmpada começa a acender?
  • Anote \(I_D\) para \(V_{GS}\) de 2,5 V e de 3 V e confira com \(k(V_{GS} - V_{th})^2\). A partir de que \(V_{GS}\) a corrente deixa a parábola, e por quê?
  • Escolha a rampa e ponha o CH1 em G e o CH2 em S, com 50 mV/div. Por que a forma no CH2 reproduz a curva do MOSFET, e onde fica \(V_{th}\) na tela?
  • Com a lâmpada acesa, tire o \(R_{GS}\) e desligue a porta. O que acontece com a lâmpada, e o que muda quando o \(R_{GS}\) volta?
  • Em "Chave PWM", varie o ciclo de trabalho e meça a tensão média no motor em V DC, com as ponteiras em V e D. Ela segue \(D \cdot 12\ \text{V}\)? Com o CH2 no dreno, em que trecho aparece o diodo D?
  • Troque o MOSFET pelo BJT com 5 V de PWM e compare a corrente de controle e a potência no transistor. Depois, volte ao MOSFET e passe a porta de 5 V para 10 V.
VGS
Id
VDS
Corrente na porta
Região
Potência no MOSFET
Exercícios do passo 8 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Um MOSFET canal N tem \(k = 0{,}5\ \text{A/V}^2\) e \(V_{th} = 2\ \text{V}\). Qual é a corrente de dreno na saturação com \(V_{GS} = 3\ \text{V}\)? E com \(V_{GS} = 1{,}5\ \text{V}\)?

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    Com 3 V, \(I_D = k\,(V_{GS} - V_{th})^2\) \(= 0{,}5 \cdot (3 - 2)^2 = 0{,}5\ \text{A}\).
    Com 1,5 V, a porta está abaixo do limiar, não se forma canal e o MOSFET está em corte.
    0,5 A com 3 V e praticamente zero com 1,5 V
  2. básico

    Com o MOSFET do exercício anterior, medimos três situações: \(V_{GS} = 1\ \text{V}\) e \(V_{DS} = 12\ \text{V}\); \(V_{GS} = 3\ \text{V}\) e \(V_{DS} = 8\ \text{V}\); \(V_{GS} = 10\ \text{V}\) e \(V_{DS} = 0{,}2\ \text{V}\). Em que região está cada uma?

    Ver resolução
    Na primeira, \(V_{GS} < V_{th}\), e o MOSFET está em corte.
    Na segunda, \(V_{GS} - V_{th} = 1\ \text{V}\) e \(V_{DS} = 8\ \text{V} \geq 1\ \text{V}\), na saturação.
    Na terceira, \(V_{GS} - V_{th} = 8\ \text{V}\) e \(V_{DS} = 0{,}2\ \text{V}\) fica muito abaixo disso, no triodo, a chave fechada.
    Corte, saturação e triodo
  3. básico

    Para o mesmo MOSFET, estime \(R_{DS(\text{on})}\) com \(V_{GS} = 10\ \text{V}\) e a potência que ele dissipa conduzindo 2 A.

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    Com \(V_{DS}\) pequeno, \(R_{DS(\text{on})} \approx \dfrac{1}{2k\,(V_{GS} - V_{th})}\) \(= \dfrac{1}{2 \cdot 0{,}5 \cdot 8}\) \(= 0{,}125\ \Omega\).
    A potência é \(P = R_{DS(\text{on})}\,I_D^2 = 0{,}125 \cdot 2^2\).
    \(R_{DS(\text{on})} \approx 0{,}125\ \Omega\) e \(P \approx 0{,}5\ \text{W}\)
  4. básico

    Um PWM de 1 kHz com ciclo de trabalho de 30% comanda um MOSFET que liga um motor a 12 V. Quanto tempo a chave fica fechada em cada ciclo, e qual é a tensão média no motor, desprezando as perdas?

    Ver resolução
    O período é \(T = \dfrac{1}{1000} = 1\ \text{ms}\), e a chave fica fechada \(0{,}3 \cdot 1\ \text{ms} = 0{,}3\ \text{ms}\).
    A tensão média é \(V_{\text{méd}} = D\,V_{DD} = 0{,}3 \cdot 12\).
    0,3 ms por ciclo e 3,6 V em média
  5. médio

    Um motor de 2 A precisa ser ligado por um pino de microcontrolador que fornece no máximo 20 mA. Com um transistor bipolar de potência de \(\beta = 50\), e a folga de dois na corrente de base, o pino dá conta? E com um MOSFET?

    Ver resolução
    O bipolar pede \(I_B = 2 \cdot \dfrac{2}{50} = 80\ \text{mA}\), quatro vezes o que o pino fornece, e precisaria de um segundo transistor para comandar a base.
    A porta do MOSFET não consome corrente contínua, e o pino só precisa carregar e descarregar a capacitância da porta a cada comutação.
    Com o bipolar, não; com o MOSFET, sim, desde que \(V_{GS}\) chegue bem acima de \(V_{th}\), o que pede um MOSFET próprio para 5 V ou 3,3 V na porta.
  6. médio

    A porta de um MOSFET tem 2 nF e é carregada a 10 V por um resistor de \(100\ \Omega\). Qual é a constante de tempo, quanta carga entra na porta e qual é a corrente média que o circuito de comando fornece com um PWM de 20 kHz?

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    A constante de tempo é \(\tau = R\,C = 100 \cdot 2 \cdot 10^{-9}\) \(= 0{,}2\ \mu\text{s}\), e a carga é \(Q = C\,V = 2 \cdot 10^{-9} \cdot 10\) \(= 20\ \text{nC}\).
    A cada ciclo, essa carga é tirada da fonte do comando e devolvida ao terra, e a corrente média é \(I = Q\,f = 20 \cdot 10^{-9} \cdot 20\,000\).
    \(\tau = 0{,}2\ \mu\text{s}\), \(Q = 20\ \text{nC}\) e cerca de 0,4 mA em média; a corrente DC da porta é nula, mas a comutação rápida tem custo.
  7. médio

    O MOSFET do exercício 1 liga uma lâmpada de \(6\ \Omega\) a 12 V, com a fonte no terra. Em que região ele está com \(V_{GS} = 3{,}5\ \text{V}\), e quanto vale a corrente? E com \(V_{GS} = 5\ \text{V}\)?

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    Supondo saturação com 3,5 V, \(I_D = 0{,}5 \cdot 1{,}5^2 \approx 1{,}13\ \text{A}\) e \(V_{DS} = 12 - 6 \cdot 1{,}125 = 5{,}25\ \text{V}\), maior que \(V_{GS} - V_{th} = 1{,}5\ \text{V}\), o que confirma a saturação.
    Com 5 V, a mesma conta daria 4,5 A, mais do que a lâmpada deixa passar, e o MOSFET vai para o triodo. Com \(R_{DS(\text{on})} \approx \dfrac{1}{2 \cdot 0{,}5 \cdot 3} \approx 0{,}33\ \Omega\), \(I_D \approx \dfrac{12}{6{,}33}\).
    Saturação e cerca de 1,13 A com 3,5 V; triodo e cerca de 1,9 A com 5 V (a conta exata do triodo dá 1,88 A).
  8. médio

    Um modelo comum para a descarga eletrostática do corpo humano é um capacitor de 100 pF carregado a 2 kV. Se ele descarregar na porta de um MOSFET de 2 nF, a que tensão a porta chega? O óxido aguenta?

    Ver resolução
    A carga se reparte entre os dois capacitores, e a tensão final é \(V = \dfrac{C_1\,V_1}{C_1 + C_2} = \dfrac{100 \cdot 2000}{100 + 2000}\) \(\approx 95\ \text{V}\).
    Os MOSFETs comuns aceitam \(V_{GS}\) de até cerca de 20 V.
    Cerca de 95 V, bem acima do que o óxido aguenta; um toque sem cuidado pode inutilizar o MOSFET sem nenhum sinal visível.
  9. desafio

    Um motor de \(6\ \Omega\) a 12 V fica ligado o tempo todo. Compare a potência dissipada por um MOSFET com \(R_{DS(\text{on})} = 0{,}125\ \Omega\) e por um bipolar de \(\beta = 100\) com a base alimentada por 5 V através de \(1\ \text{k}\Omega\), com \(V_{BE} = 0{,}7\ \text{V}\).

    Ver resolução
    Com o MOSFET, \(I = \dfrac{12}{6 + 0{,}125} \approx 1{,}96\ \text{A}\) e \(P = 0{,}125 \cdot 1{,}96^2 \approx 0{,}48\ \text{W}\).
    No bipolar, \(I_B = \dfrac{5 - 0{,}7}{1000} = 4{,}3\ \text{mA}\), e \(\beta\,I_B = 0{,}43\ \text{A}\), menos que os 2 A do motor, e o transistor fica na região ativa. Então \(V_{CE} = 12 - 6 \cdot 0{,}43 \approx 9{,}4\ \text{V}\), e \(P = 9{,}42 \cdot 0{,}43\).
    Cerca de 0,48 W no MOSFET, com o motor em plena carga, contra uns 4 W no bipolar, que ainda entrega ao motor só um quinto da corrente.
  10. desafio

    Um MOSFET com \(R_{DS(\text{on})} = 0{,}125\ \Omega\) comanda 2 A numa carga indutiva, com PWM de 20 kHz e ciclo de trabalho de 50%, a partir de 12 V. Cada transição dura 100 ns e dissipa cerca de \(V\,I\,t/2\). Quanto ele dissipa ao todo, somando condução e comutação?

    Ver resolução
    Na condução, \(P_{\text{cond}} = D\,R_{DS(\text{on})}\,I^2\) \(= 0{,}5 \cdot 0{,}125 \cdot 4 = 0{,}25\ \text{W}\).
    Cada transição dissipa \(E = \dfrac{12 \cdot 2 \cdot 100 \cdot 10^{-9}}{2}\) \(= 1{,}2\ \mu\text{J}\), e há duas por ciclo, \(P_{\text{com}} = 2 \cdot 1{,}2 \cdot 10^{-6} \cdot 20\,000\) \(= 48\ \text{mW}\).
    Cerca de 0,30 W; a comutação pesa mais quanto maior a frequência, e é por isso que os circuitos de comando carregam a porta depressa.
PASSO 9

Como a tomada vira 5 V contínuos?

A maior parte dos circuitos eletrônicos funciona com alguns volts contínuos, enquanto a tomada entrega 127 V alternados. Uma fonte linear faz essa conversão em quatro estágios, que podemos acompanhar um a um com o osciloscópio, do transformador ao regulador.

O transformador tem dois enrolamentos no mesmo núcleo de ferro, e a tensão em cada um é proporcional ao seu número de espiras. Num transformador de 127 V para 9 V, encontramos uma relação de espiras perto de 14 para 1, e o pico no secundário vale \(9\sqrt{2} \approx 12{,}7\ \text{V}\). Os dois enrolamentos não têm ligação elétrica entre si, e por isso o secundário fica isolado da rede.

Na ponte retificadora, dois diodos conduzem em cada meio ciclo e levam a corrente para o mesmo lado da carga nas duas metades do ciclo. A saída P perde duas quedas de cerca de 0,7 V e repete as meias ondas a 120 Hz, o dobro da frequência da rede. Como o osciloscópio mede em relação ao terra, que aqui é o negativo da ponte, S1 e S2 mostram cada um só metade da senoide, e para ver o secundário completo medimos com o multímetro em V AC entre os dois.

O capacitor de filtro carrega no alto de cada meia onda e sustenta a carga sozinho até o pico seguinte, descarregando em rampa. Essa ondulação (o ripple) cresce com a corrente e diminui com a capacitância. A estimativa \(\Delta V \approx I/(f\,C)\) supõe que a descarga dura até o pico seguinte, sem descontar o tempo da recarga, e por isso tende a dar um pouco mais do que medimos. É essa ondulação que vemos no CH1 com acoplamento AC.

O regulador 7805 entrega 5 V enquanto a sua entrada fica cerca de 2 V acima disso, a chamada queda mínima (dropout). Podemos pensar nele como uma resistência que se ajusta sozinha, e a diferença de tensão vezes a corrente vira calor dentro dele. Quando o vale da ondulação desce abaixo de cerca de 7 V, a regulação se perde e a ondulação passa para a saída.

Os carregadores de celular de hoje, em geral, usam fontes chaveadas, mais leves e eficientes, mas também retificam e filtram a tensão da rede logo na entrada.

\(\dfrac{V_2}{V_1} = \dfrac{N_2}{N_1}\)\(V_{p2} = \sqrt{2}\,V_{2,\text{RMS}}\)\(V_{P,\text{pico}} \approx V_{p2} - 1{,}4\ \text{V}\)\(\Delta V \approx \dfrac{I}{f\,C}\), com \(f = 120\ \text{Hz}\)\(V_{\text{entrada}} \geq 5\ \text{V} + V_{\text{queda}}\)\(P_{\text{reg}} \approx (\overline{V}_{\text{entrada}} - 5\ \text{V})\,I\)As tensões do transformador são valores RMS, e o transformador da simulação é ideal, sem perdas. Os diodos são de silício. O 7805 da simulação é um modelo com referência de 5 V, amplificador de erro e par Darlington, com queda mínima de 1,7 V a 2 V, conforme a corrente, e consumo próprio de cerca de 4 mA; ao contrário do componente real, não limita a corrente nem desliga quando esquenta. O neutro da rede e o negativo da ponte usam o mesmo símbolo de terra só para dar uma referência aos instrumentos, e nenhuma corrente passa de um lado do transformador para o outro.

Para conversar

  • Com o multímetro em V AC, ponha a ponteira vermelha em S1 e a preta em S2 e leia a tensão do secundário. Ela confere com \(127 \cdot N_2/N_1\) nos três transformadores?
  • Tire o capacitor e ponha o CH1 em P. Que forma aparece na tela, e que frequência o osciloscópio marca embaixo dela?
  • Ligue o capacitor, passe o CH1 para acoplamento AC com 0,5 V/div e meça a ondulação em P com 470 µF, 1000 µF e 2200 µF, numa carga de 10 Ω. Compare cada leitura com \(I/(120\,C)\).
  • Escolha o transformador de 6 V e a carga de 10 Ω, com o CH1 em P e o CH2 em O. Em que tensão de P a saída começa a acompanhar a ondulação?
  • Ponha o amperímetro em série com a carga, depois com \(D_1\), em A DC, e por fim com o capacitor, em A AC. Por que a média em \(D_1\) é metade da corrente da carga?
  • Com o transformador de 12 V e a carga de 5,6 Ω, leia a potência no regulador. Quanto dela sobra com o transformador de 9 V?
Pico no secundário
Pico / vale em P
Ondulação em P (pico a pico)
Saída O (média)
Corrente na carga
Potência no 7805
Exercícios do passo 9 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Um transformador baixa os 127 V da rede para 12 V, ambos em RMS. Qual é a relação de espiras \(N_1/N_2\), e qual é a tensão de pico no secundário?

    Ver resolução
    A relação de espiras é a mesma das tensões, \(\dfrac{N_1}{N_2} = \dfrac{127}{12} \approx 10{,}6\).
    No secundário, o pico vale \(V_{p2} = \sqrt{2} \cdot 12\).
    Cerca de 10,6 espiras no primário para cada espira do secundário, e um pico de cerca de 17,0 V
  2. básico

    Um secundário de 9 V RMS alimenta uma ponte de diodos de silício, sem capacitor. Qual é o pico da tensão na saída da ponte, e quantas meias ondas por segundo o osciloscópio mostra?

    Ver resolução
    O pico do secundário é \(9\sqrt{2} \approx 12{,}73\ \text{V}\), e a corrente passa por dois diodos, que tiram cerca de 0,7 V cada, \(V_{P,\text{pico}} \approx 12{,}73 - 1{,}4\).
    Cada meio ciclo da rede vira uma meia onda positiva, e são 2 por ciclo, \(2 \cdot 60\).
    Cerca de 11,3 V de pico, com 120 meias ondas por segundo
  3. básico

    Uma fonte com retificador em ponte entrega 0,5 A a uma carga, com um capacitor de filtro de 2200 µF. Estime a ondulação de pico a pico.

    Ver resolução
    Na ponte, o capacitor recarrega 120 vezes por segundo, e \(\Delta V \approx \dfrac{I}{f\,C} = \dfrac{0{,}5}{120 \cdot 2200 \cdot 10^{-6}}\).
    Cerca de 1,9 V, um pouco acima do que mediríamos, porque o capacitor volta a carregar antes do fim de cada meio ciclo
  4. básico

    Na ponte retificadora, quantos diodos conduzem ao mesmo tempo? Se a carga puxa 0,5 A, qual é a corrente média em cada diodo?

    Ver resolução
    Em cada meio ciclo conduzem dois diodos, um de cada lado da carga, e no meio ciclo seguinte conduzem os outros dois.
    Cada diodo leva a corrente da carga só na metade do tempo, e a sua média é \(\dfrac{0{,}5}{2} = 0{,}25\ \text{A}\).
    Dois de cada vez, com 0,25 A de média em cada diodo; os picos de corrente, durante a recarga do capacitor, são bem maiores que isso
  5. médio

    Queremos uma ondulação de no máximo 1 V com uma carga de 1 A e retificação em ponte. Qual é o menor capacitor que serve, e que valor comercial escolheríamos?

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    Isolando \(C\) na estimativa da ondulação, \(C \geq \dfrac{I}{f\,\Delta V} = \dfrac{1}{120 \cdot 1}\) \(\approx 8{,}3 \cdot 10^{-3}\ \text{F}\).
    Pelo menos cerca de 8300 µF; o valor comercial seguinte é 10 000 µF
  6. médio

    A entrada de um 7805 tem média de 12 V, e a carga puxa 0,5 A a 5 V. Quanta potência o regulador dissipa, e qual é a eficiência desse estágio?

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    A diferença de tensão fica no regulador, \(P_{\text{reg}} = (12 - 5) \cdot 0{,}5 = 3{,}5\ \text{W}\).
    A carga recebe \(5 \cdot 0{,}5 = 2{,}5\ \text{W}\) dos \(12 \cdot 0{,}5 = 6\ \text{W}\) que entram, e \(\eta = \dfrac{2{,}5}{6}\).
    Cerca de 3,5 W viram calor, e a eficiência fica perto de 42%, sem contar o consumo próprio do regulador
  7. médio

    Uma fonte tem secundário de 9 V RMS, ponte de silício, capacitor de 1000 µF e carga de 0,5 A, seguida de um 7805 com queda mínima de 2 V. Pela estimativa da ondulação, o regulador consegue manter os 5 V?

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    O pico em P é \(9\sqrt{2} - 1{,}4 \approx 11{,}33\ \text{V}\), e a ondulação estimada é \(\Delta V \approx \dfrac{0{,}5}{120 \cdot 0{,}001} \approx 4{,}17\ \text{V}\).
    O vale fica em \(11{,}33 - 4{,}17 \approx 7{,}16\ \text{V}\), e o regulador pede \(5 + 2 = 7\ \text{V}\).
    Pela estimativa, o vale fica em cerca de 7,2 V, no limite dos 7 V. A estimativa exagera a ondulação e o vale real fica um pouco mais alto, mas sobra pouca folga para uma queda da rede.
  8. médio

    Com a mesma carga de 0,5 A e o mesmo capacitor de 2200 µF, como fica a ondulação se trocarmos a ponte por um retificador de meia onda, com um só diodo?

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    Na meia onda, o capacitor só recarga uma vez por ciclo da rede, e a frequência da conta passa a 60 Hz, \(\Delta V \approx \dfrac{0{,}5}{60 \cdot 2200 \cdot 10^{-6}}\).
    Cerca de 3,8 V, o dobro dos 1,9 V da ponte, porque o capacitor espera um ciclo inteiro entre uma recarga e outra
  9. desafio

    Precisamos de 5 V e 1 A a partir da rede de 127 V, com um 7805 de queda mínima de 2 V e um capacitor de 4700 µF, deixando 0,5 V de folga no vale. Qual é a menor tensão RMS de secundário que serve? Com um transformador de 9 V, quanto o regulador dissipa?

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    A ondulação estimada é \(\Delta V \approx \dfrac{1}{120 \cdot 4{,}7 \cdot 10^{-3}} \approx 1{,}77\ \text{V}\), e o vale precisa de \(5 + 2 + 0{,}5 = 7{,}5\ \text{V}\).
    O pico em P precisa chegar a \(7{,}5 + 1{,}77 = 9{,}27\ \text{V}\), e o do secundário a \(9{,}27 + 1{,}4 = 10{,}67\ \text{V}\), ou \(V_{\text{RMS}} \geq \dfrac{10{,}67}{\sqrt{2}} \approx 7{,}55\ \text{V}\).
    Com 9 V, o pico em P é \(11{,}33\ \text{V}\), e a média de uma rampa fica perto do pico menos meia ondulação, \(11{,}33 - 0{,}89 \approx 10{,}44\ \text{V}\). Então \(P_{\text{reg}} \approx (10{,}44 - 5) \cdot 1\).
    O secundário precisa de pelo menos cerca de 7,6 V RMS, e o de 9 V é o valor comercial que serve; com ele, o regulador dissipa uns 5,4 W e precisa de dissipador.
  10. desafio

    Sem dissipador, um 7805 no encapsulamento TO-220 tem resistência térmica de cerca de 65 °C/W entre a junção e o ar, e a junção não deve passar de 125 °C. Num ambiente a 25 °C, com a entrada em 10,4 V de média, qual é a maior corrente que ele fornece sem dissipador?

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    A junção pode subir \(125 - 25 = 100\ ^\circ\text{C}\) acima do ar, e a potência máxima é \(P = \dfrac{100}{65} \approx 1{,}54\ \text{W}\).
    Essa potência é \((10{,}4 - 5)\,I\), e \(I = \dfrac{1{,}54}{5{,}4}\).
    Cerca de 285 mA; acima disso, o regulador precisa de um dissipador ou de uma tensão de entrada mais baixa
PASSO 10

Quem decide o ganho de um amplificador operacional?

O amplificador operacional, ou amp-op, é um circuito integrado com duas entradas, a não inversora (+) e a inversora (−), e uma saída. Ele amplifica a diferença entre as entradas com um ganho enorme, tipicamente da ordem de cem mil, e por isso raramente trabalha sozinho. Quem decide o que o circuito faz são os resistores e capacitores que ligamos em volta dele.

Quando parte da saída volta para a entrada inversora, essa realimentação negativa leva o amp-op a ajustar a saída até as duas entradas ficarem quase no mesmo potencial. Daí tiramos as duas regras de ouro, válidas enquanto a saída não encosta nos limites, que dizem que a diferença de tensão entre as entradas é praticamente nula e que nenhuma corrente entra nelas.

No inversor, a entrada + está no terra e a entrada − fica num terra virtual, e como a corrente que chega por \(R_1\) só tem \(R_f\) por onde seguir, o ganho vale \(-R_f/R_1\). Se o sinal entra direto na entrada +, temos o não inversor, com a saída em fase e ganho \(1 + R_f/R_g\), e o caso de ganho 1 é o seguidor, que quase não puxa corrente de quem o alimenta e fornece sozinho a corrente da carga.

Com várias entradas, cada uma com o seu resistor, as correntes se juntam no terra virtual e o inversor vira um somador, tipicamente o coração de um misturador de som analógico. Trocando \(R_f\) por um capacitor, chegamos ao integrador, em que uma entrada constante carrega o capacitor com corrente fixa e a saída desce em rampa.

Se tiramos a realimentação, o ganho enorme joga a saída para um dos extremos assim que uma entrada passa da outra, e o circuito vira um comparador. Esses extremos, os trilhos, ficam um pouco abaixo da tensão de alimentação, e a saída não passa deles, por maior que seja o ganho pedido. Quando pedimos mais, a onda sai cortada e dizemos que o amp-op saturou.

\(v_S = A\,(v_+ - v_-)\), \(A \approx 10^5\)\(v_+ \approx v_-\)\(i_+ = i_- \approx 0\)inversor: \(G = -\dfrac{R_f}{R_1}\)não inversor: \(G = 1 + \dfrac{R_f}{R_g}\)somador: \(v_S = -R_f\left(\dfrac{v_1}{R_1} + \dfrac{v_2}{R_2}\right)\)integrador: \(v_S = -\dfrac{1}{R\,C}\displaystyle\int v_E\,dt\)\(|v_S| \leq V_{CC} - 1{,}5\ \text{V}\)O amp-op da simulação tem ganho de \(10^5\), entradas que não puxam corrente e saída que satura 1,5 V abaixo de cada trilho, sem limite de velocidade (slew rate) nem de banda; os amp-ops reais perdem ganho em frequências altas. No integrador, um \(R_f\) de \(1\ \text{M}\Omega\) em paralelo com C impede que pequenos desvios contínuos levem a saída aos trilhos.

Para conversar

  • No inversor, leve o CH2 até N e baixe o volts/div até 5 mV. Quanto a entrada inversora se afasta do terra, e o que acontece com ela quando a saída satura?
  • Com o multímetro em A AC, ponha o amperímetro em série com \(R_1\) e depois com \(R_f\). Por que as duas correntes são iguais?
  • Aumente \(R_f\) até a saída cortar, com 1 V de pico na entrada. Em que ganho isso acontece com alimentação de ±15 V, e com ±5 V?
  • No seguidor, meça a corrente em \(R_s\) e na carga. De onde vem a corrente da carga?
  • No comparador, mova Vref e leia a fração do período com a saída em alto. Que Vref dá 50%, e o que acontece quando Vref passa do pico da entrada?
  • No integrador, com a entrada quadrada, meça o Vpp da triangular em 1 kHz e em 500 Hz. A saída dobra quando a frequência cai à metade?
Ganho previsto
Ganho medido (Vpp S / Vpp E)
Saída: máx / mín
Maior |V(+) − V(−)|
Exercícios do passo 10 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Um amplificador inversor tem \(R_1 = 10\ \text{k}\Omega\) e \(R_f = 47\ \text{k}\Omega\), com uma senoide de 0,5 V de pico na entrada. Qual é o ganho, e como fica a saída?

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    O ganho do inversor é \(G = -\dfrac{R_f}{R_1} = -\dfrac{47}{10} = -4{,}7\).
    A saída tem pico \(4{,}7 \cdot 0{,}5 = 2{,}35\ \text{V}\), e o sinal negativo indica que ela sobe quando a entrada desce.
    \(G = -4{,}7\); a saída é uma senoide de 2,35 V de pico, invertida em relação à entrada
  2. básico

    Um amplificador não inversor tem \(R_g = 10\ \text{k}\Omega\) e \(R_f = 22\ \text{k}\Omega\). Qual é o ganho, e qual é o pico da saída para uma entrada de 1 V de pico?

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    No não inversor, \(G = 1 + \dfrac{R_f}{R_g} = 1 + \dfrac{22}{10} = 3{,}2\).
    \(G = 3{,}2\), com saída de 3,2 V de pico, em fase com a entrada
  3. básico

    No inversor com \(R_1 = 10\ \text{k}\Omega\) e \(R_f = 47\ \text{k}\Omega\), a entrada recebe 1 V contínuo. Usando as regras de ouro, encontre a tensão na entrada inversora, a corrente em \(R_1\) e a tensão de saída.

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    A entrada + está no terra e a realimentação leva a entrada − ao mesmo potencial, 0 V, o terra virtual.
    A corrente em \(R_1\) é \(I = \dfrac{1 - 0}{10\,000} = 0{,}1\ \text{mA}\), e como nada entra no amp-op, ela segue toda por \(R_f\).
    Então \(V_S = 0 - R_f\,I\) \(= -47\,000 \cdot 0{,}1 \cdot 10^{-3}\).
    0 V na entrada inversora, 0,1 mA em \(R_1\) e em \(R_f\), e \(V_S = -4{,}7\ \text{V}\)
  4. básico

    Um sensor se comporta como uma fonte de 1 V de pico com resistência interna de \(100\ \text{k}\Omega\). Que tensão chega a uma carga de \(1\ \text{k}\Omega\) ligada direto nele, e que tensão chega com um seguidor no meio?

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    Ligada direto, a carga forma um divisor com a resistência interna, \(V = 1 \cdot \dfrac{1}{100 + 1} \approx 0{,}0099\ \text{V}\).
    O seguidor não puxa corrente do sensor, recebe o 1 V inteiro na entrada + e o repete na saída, fornecendo ele mesmo a corrente da carga.
    Cerca de 9,9 mV de pico sem o seguidor e 1 V com ele, com 1 mA de pico na carga vindo do amp-op
  5. médio

    Um inversor tem \(R_1 = 10\ \text{k}\Omega\) e \(R_f = 220\ \text{k}\Omega\), alimentado com ±15 V e saturando 1,5 V abaixo de cada trilho. Como fica a saída para uma senoide de 1 V de pico? Qual é o maior pico de entrada que passa sem corte, e qual seria com alimentação de ±5 V?

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    O ganho é \(-22\), e a saída pediria 22 V de pico, mas só chega a \(15 - 1{,}5 = 13{,}5\ \text{V}\), e os picos saem achatados.
    Sem corte, a entrada pode ir até \(\dfrac{13{,}5}{22} \approx 0{,}614\ \text{V}\). Com ±5 V, a saída satura em 3,5 V, e o limite cai para \(\dfrac{3{,}5}{22}\).
    A saída fica cortada em ±13,5 V; o maior pico sem corte é de cerca de 0,61 V com ±15 V e de cerca de 0,16 V com ±5 V
  6. médio

    Um somador inversor tem \(R_1 = R_2 = R_f = 10\ \text{k}\Omega\). Uma entrada recebe uma senoide de 1 V de pico, e a outra, 2 V contínuos. Entre que valores a saída oscila, e qual é a sua média?

    Ver resolução
    Com os resistores iguais, \(v_S = -(v_1 + v_2) = -(v_1 + 2)\).
    Quando \(v_1 = 1\ \text{V}\), \(v_S = -3\ \text{V}\), e quando \(v_1 = -1\ \text{V}\), \(v_S = -1\ \text{V}\).
    A saída oscila entre −3 V e −1 V, com média de −2 V
  7. médio

    Um comparador recebe na entrada + uma senoide de 2 V de pico e na entrada − uma referência de 1 V, com alimentação de ±15 V (saturação em ±13,5 V). Que fração do período a saída passa em alto, e qual é a sua média? Que referência daria 50%?

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    A saída fica em alto enquanto \(2\,\mathrm{sen}\,\theta > 1\), ou \(\mathrm{sen}\,\theta > 0{,}5\), o que vale de 30° a 150°, uma faixa de 120° em 360°.
    A média é \(13{,}5 \cdot \dfrac{1}{3} - 13{,}5 \cdot \dfrac{2}{3}\).
    Um terço do período em alto, com média de −4,5 V; a referência de 0 V daria 50%
  8. médio

    Um integrador tem \(R = 10\ \text{k}\Omega\) e \(C = 10\ \text{nF}\) e recebe uma onda quadrada de ±1 V a 1 kHz. Qual é a inclinação da rampa na saída e o seu pico a pico? E a 500 Hz?

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    Em cada meio ciclo, a entrada é constante e a saída varia a \(\dfrac{V_E}{R\,C} = \dfrac{1}{10^4 \cdot 10^{-8}} = 10\,000\ \text{V/s}\), ou 10 V/ms.
    Meio ciclo a 1 kHz dura 0,5 ms, e a saída anda \(10 \cdot 0{,}5 = 5\ \text{V}\). A 500 Hz, o meio ciclo dura 1 ms.
    Rampas de 10 V/ms, formando uma triangular de 5 V de pico a pico a 1 kHz e de 10 V a 500 Hz
  9. desafio

    Um microfone entrega 20 mV de pico, e queremos 2 V de pico para a entrada de um conversor, sem inverter o sinal. Projete o amplificador com resistores da série E12 e confira se ele satura com alimentação de ±5 V (saturação em ±3,5 V).

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    Sem inverter, usamos o não inversor, com \(1 + \dfrac{R_f}{R_g} = \dfrac{2}{0{,}02} = 100\), ou \(\dfrac{R_f}{R_g} = 99\).
    Com \(R_g = 1\ \text{k}\Omega\) e \(R_f = 100\ \text{k}\Omega\), o ganho fica em 101, e a saída em \(101 \cdot 0{,}02 = 2{,}02\ \text{V}\) de pico.
    \(R_g = 1\ \text{k}\Omega\) e \(R_f = 100\ \text{k}\Omega\), com cerca de 2,02 V de pico na saída, abaixo dos 3,5 V de saturação
  10. desafio

    Um integrador com \(R = 100\ \text{k}\Omega\) e \(C = 1\ \mu\text{F}\), sem resistor em paralelo com C, parte de 0 V e recebe 0,5 V contínuos. Quanto tempo leva para a saída saturar em −13,5 V? Por que, na prática, ligamos um resistor grande em paralelo com C?

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    A saída desce a \(\dfrac{0{,}5}{10^5 \cdot 10^{-6}} = 5\ \text{V/s}\), e chega a −13,5 V em \(t = \dfrac{13{,}5}{5}\).
    Qualquer tensão contínua pequena na entrada, até o desvio interno do próprio amp-op, é integrada da mesma forma e leva a saída ao trilho com o tempo. Um resistor \(R_f\) em paralelo limita o ganho em contínua a \(-R_f/R\).
    Cerca de 2,7 s; o resistor em paralelo impede que desvios contínuos se acumulem até a saturação
PASSO 11

Como um chip de oito pinos marca o tempo?

O 555 é um circuito integrado dos anos 1970 que provavelmente ainda está em algum pisca-pisca, alarme ou temporizador perto de nós. Por fora ele tem oito pinos, e por dentro tem poucas peças, que o quadro "dentro do 555", na bancada, mostra com as tensões do circuito a cada instante.

Três resistores iguais, de 5 kΩ, dividem a alimentação e criam duas referências, em 2/3 e em 1/3 de VCC. O comparador de limiar observa o pino 6 e avisa quando ele passa de 2/3 de VCC, e o comparador de disparo observa o pino 2 e avisa quando ele desce abaixo de 1/3. Os dois comandam um flip-flop, uma memória de um bit. O disparo liga a saída, no pino 3, o limiar a desliga, e enquanto a saída está baixa um transistor liga ao terra o pino 7, a descarga.

No modo astável, o capacitor carrega por \(R_1 + R_2\) até 2/3 de VCC, quando o limiar desliga a saída e a descarga passa a esvaziá-lo só por \(R_2\). Ao chegar a 1/3 de VCC, o disparo liga a saída de novo. O ciclo então se repete sem parar. Cada trecho é uma carga ou descarga RC entre 1/3 e 2/3 da tensão, que leva \(\ln 2 \approx 0{,}693\) constantes de tempo, e daí sai a fórmula da frequência.

Como o tempo em alto usa \(R_1 + R_2\) e o tempo em baixo só \(R_2\), a saída fica mais tempo alta do que baixa, e o ciclo de trabalho desse astável fica acima de 50%. Ele chega perto de 50% quando \(R_2\) é bem maior que \(R_1\).

No modo monoestável, a saída fica baixa até um toque no pino 2, que liga o flip-flop e faz a descarga soltar o capacitor, e este então carrega por R de zero até 2/3 de VCC, quando o limiar encerra o pulso. Esse tempo, que podemos medir no osciloscópio, vale \(R\,C\ln 3 \approx 1{,}1\,R\,C\) e não depende da duração do toque, desde que o toque seja mais curto que o pulso.

Com um LED na saída, vemos o 555 trabalhar. Em frequências baixas o LED pisca, e acima de umas vinte piscadas por segundo o olho tende a juntá-las, e o LED parece aceso sem parar, com o brilho médio.

\(t_{\text{alto}} = 0{,}693\,(R_1 + R_2)\,C\)\(t_{\text{baixo}} = 0{,}693\,R_2\,C\)\(f = \dfrac{1}{t_{\text{alto}} + t_{\text{baixo}}}\)\(f \approx \dfrac{1{,}44}{(R_1 + 2R_2)\,C}\)\(D = \dfrac{R_1 + R_2}{R_1 + 2R_2}\)monoestável: \(T \approx 1{,}1\,R\,C\)limiares: \(\tfrac{1}{3}\,V_{CC}\) e \(\tfrac{2}{3}\,V_{CC}\)\(D\) é o ciclo de trabalho, a fração do período com a saída alta. O 555 da simulação é um modelo com o divisor interno de 5 kΩ, comparadores ideais, flip-flop com prioridade do disparo e saída alta 1,7 V abaixo de VCC, como num 555 bipolar com carga. O pino 4 (reset) está ligado a VCC, e o pino 5 fica livre, embora nos circuitos reais costume receber um capacitor de 10 nF ao terra. Os comparadores são avaliados a cada passo de tempo, o que deixa a frequência com erro abaixo de 0,5%.

Para conversar

  • No astável, com o CH1 no capacitor (T) e o CH2 na saída (O), entre que tensões o capacitor oscila? Que comparador acende no quadro "dentro do 555" no instante em que a saída sobe, e qual acende quando ela desce?
  • Meça na tela o tempo em alto e o tempo em baixo da saída e compare com \(0{,}693\,(R_1 + R_2)\,C\) e \(0{,}693\,R_2\,C\).
  • Leve \(R_2\) de 10 kΩ a 100 kΩ, sem mexer em \(R_1\). O ciclo de trabalho se aproxima de 50%? E com \(R_1 = 100\ \text{k}\Omega\) e \(R_2 = 1\ \text{k}\Omega\)?
  • Com o multímetro em V DC na saída, leia a média e compare com a tensão alta vezes \(D\). Depois, em A DC, ponha o amperímetro em série com \(R_3\) e meça a corrente média do LED.
  • Diminua C aos poucos. Em que frequência o LED deixa de piscar e parece aceso sem parar?
  • No monoestável, toque em "Disparar" e meça a largura do pulso. Ela muda se você tocar de novo no meio do pulso?
f prevista
f medida na saída
Ciclo de trabalho previsto
Ciclo de trabalho medido
Exercícios do passo 11 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Um 555 astável tem \(R_1 = 1\ \text{k}\Omega\), \(R_2 = 10\ \text{k}\Omega\) e \(C = 100\ \text{nF}\). Qual é a frequência e o ciclo de trabalho?

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    A frequência é \(f \approx \dfrac{1{,}44}{(1 + 2 \cdot 10) \cdot 10^3 \cdot 100 \cdot 10^{-9}}\) \(= \dfrac{1{,}44}{2{,}1 \cdot 10^{-3}}\).
    O ciclo de trabalho é \(D = \dfrac{1 + 10}{1 + 20} = \dfrac{11}{21}\).
    Cerca de 686 Hz, com a saída alta em 52,4% do período
  2. básico

    Um 555 monoestável tem \(R = 100\ \text{k}\Omega\) e \(C = 10\ \mu\text{F}\). Quanto dura o pulso de saída depois de um toque no disparo?

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    No monoestável, \(T \approx 1{,}1\,R\,C = 1{,}1 \cdot 10^5 \cdot 10^{-5}\).
    Cerca de 1,1 s
  3. básico

    Um 555 astável é alimentado com 9 V. Entre que tensões o capacitor oscila, e qual é o pico a pico dessa tensão no osciloscópio?

    Ver resolução
    Os comparadores trocam o estado em \(\tfrac{1}{3} \cdot 9 = 3\ \text{V}\) e em \(\tfrac{2}{3} \cdot 9 = 6\ \text{V}\), e o capacitor vai e volta entre esses dois valores.
    Entre 3 V e 6 V, com 3 V de pico a pico
  4. básico

    No astável da simulação, com \(R_1 = 10\ \text{k}\Omega\), \(R_2 = 47\ \text{k}\Omega\) e \(C = 10\ \mu\text{F}\), quanto tempo a saída passa em alto e em baixo? Qual é a frequência?

    Ver resolução
    Em alto, o capacitor carrega por \(R_1 + R_2\), \(t_{\text{alto}} = 0{,}693 \cdot 57\,000 \cdot 10^{-5}\) \(\approx 0{,}395\ \text{s}\).
    Em baixo, descarrega só por \(R_2\), \(t_{\text{baixo}} = 0{,}693 \cdot 47\,000 \cdot 10^{-5}\) \(\approx 0{,}326\ \text{s}\).
    O período é a soma, \(T \approx 0{,}721\ \text{s}\), e \(f = \dfrac{1}{0{,}721}\).
    Cerca de 0,40 s em alto e 0,33 s em baixo, com \(f \approx 1{,}39\ \text{Hz}\)
  5. médio

    Queremos um LED piscando a cerca de 1 Hz com um 555 astável, \(R_1 = 10\ \text{k}\Omega\) e \(R_2 = 68\ \text{k}\Omega\). Que capacitor usar, e qual frequência teremos com o valor comercial mais próximo?

    Ver resolução
    Isolando C na fórmula, \(C \approx \dfrac{1{,}44}{(R_1 + 2R_2)\,f} = \dfrac{1{,}44}{146\,000 \cdot 1}\) \(\approx 9{,}86\ \mu\text{F}\).
    Com \(10\ \mu\text{F}\), \(f \approx \dfrac{1{,}44}{146\,000 \cdot 10^{-5}}\).
    \(C = 10\ \mu\text{F}\), com cerca de 0,99 Hz
  6. médio

    Calcule o ciclo de trabalho de um astável com \(R_1 = 1\ \text{k}\Omega\) e \(R_2 = 100\ \text{k}\Omega\), e com \(R_1 = 100\ \text{k}\Omega\) e \(R_2 = 1\ \text{k}\Omega\). Por que esse circuito nunca chega a menos de 50%?

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    No primeiro caso, \(D = \dfrac{101}{201} \approx 50{,}2\%\), e no segundo, \(D = \dfrac{101}{102} \approx 99{,}0\%\).
    O capacitor carrega por \(R_1 + R_2\) e descarrega só por \(R_2\), e a carga sempre demora mais que a descarga.
    Cerca de 50,2% e 99,0%; o tempo em alto é sempre maior que o tempo em baixo, e \(D\) só se aproxima de 50% quando \(R_2 \gg R_1\)
  7. médio

    A saída de um 555 alimentado com 9 V fica em 7,3 V quando alta. Que resistor, da série E12, limita um LED vermelho (1,8 V a 10 mA) a cerca de 10 mA? Com o ciclo de trabalho de 54,8%, qual é a corrente média no LED?

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    Sobram \(7{,}3 - 1{,}8 = 5{,}5\ \text{V}\) para o resistor, e \(R = \dfrac{5{,}5}{0{,}01} = 550\ \Omega\). O valor E12 logo acima é \(560\ \Omega\), com \(I = \dfrac{5{,}5}{560} \approx 9{,}8\ \text{mA}\).
    A média leva em conta só o tempo em alto, \(0{,}548 \cdot 9{,}8\).
    \(560\ \Omega\), com cerca de 9,8 mA no LED aceso e 5,4 mA de média
  8. médio

    Um monoestável tem \(R = 47\ \text{k}\Omega\) e \(C = 22\ \mu\text{F}\). Quanto dura o pulso? O que acontece se a pessoa segurar o botão do disparo por 3 s?

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    O pulso dura \(T \approx 1{,}1 \cdot 47\,000 \cdot 22 \cdot 10^{-6}\) \(\approx 1{,}14\ \text{s}\).
    Com o pino 2 abaixo de 1/3 de VCC, o disparo continua mandando ligar o flip-flop, e ele tem prioridade sobre o limiar. O capacitor chega a 2/3 de VCC, mas a saída só cai quando o botão é solto.
    Cerca de 1,14 s; segurando o botão por 3 s, a saída fica alta durante os 3 s
  9. desafio

    Queremos um temporizador de 10 s com um 555 monoestável e um capacitor eletrolítico de 100 µF. Qual resistor serve? Com resistores da série E12, como chegar perto disso? A tolerância do capacitor, de ±20%, pesa mais ou menos que a escolha do resistor?

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    Da fórmula, \(R = \dfrac{T}{1{,}1\,C} = \dfrac{10}{1{,}1 \cdot 10^{-4}}\) \(\approx 90{,}9\ \text{k}\Omega\).
    Na E12, \(82\ \text{k}\Omega + 8{,}2\ \text{k}\Omega\) em série dão \(90{,}2\ \text{k}\Omega\), e \(T \approx 1{,}1 \cdot 90\,200 \cdot 10^{-4} \approx 9{,}9\ \text{s}\).
    Com o capacitor variando ±20%, o tempo pode ir de cerca de 7,9 s a 11,9 s.
    Cerca de 91 kΩ, por exemplo 82 kΩ + 8,2 kΩ; a tolerância do capacitor pesa muito mais que o resistor, e um ajuste fino pede um potenciômetro em série
  10. desafio

    No astável com \(R_1 = 10\ \text{k}\Omega\), \(R_2 = 47\ \text{k}\Omega\) e \(C = 10\ \mu\text{F}\), o capacitor parte de 0 V quando ligamos a alimentação. Quanto dura o primeiro tempo em alto, e por que ele é mais longo que os outros?

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    No primeiro ciclo, o capacitor sobe de 0 a 2/3 de VCC, e não de 1/3 a 2/3. O tempo é \((R_1 + R_2)\,C \ln\dfrac{V_{CC} - 0}{V_{CC} - \tfrac{2}{3}V_{CC}}\) \(= (R_1 + R_2)\,C\ln 3\).
    Com os valores, \(t_1 = 57\,000 \cdot 10^{-5} \cdot 1{,}0986\) \(\approx 0{,}626\ \text{s}\), contra \(0{,}395\ \text{s}\) nos ciclos seguintes.
    Cerca de 0,63 s, porque o capacitor começa vazio e precisa subir também o trecho de 0 a 1/3 de VCC
FECHAMENTO

Desafios

Circuitos RC

Num temporizador de luz de escada, um capacitor de 470 µF carregado com 12 V descarrega através de 100 kΩ, e a luz apaga quando a tensão nele cai abaixo de 4 V. Quanto tempo a luz fica acesa?

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A constante de tempo é \(\tau = 10^5 \cdot 470 \cdot 10^{-6} = 47\ \text{s}\).
A luz apaga quando \(4 = 12\,e^{-t/\tau}\), em \(t = \tau \ln 3 = 47 \cdot 1{,}099\) \(\approx 52\ \text{s}\), menos de um minuto e pouco mais de uma constante de tempo.
Circuitos RLC

O sintonizador de um rádio FM usa uma bobina de 0,1 µH. Que capacitância sintoniza uma estação de 100 MHz? Se o circuito tem Q = 50, que largura de banda ele deixa passar?

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Da ressonância, \(C = \dfrac{1}{(2\pi f_0)^2\,L}\) \(= \dfrac{1}{(2\pi \cdot 10^8)^2 \cdot 10^{-7}}\) \(\approx 25\ \text{pF}\).
A largura de banda é \(\Delta f = \dfrac{f_0}{Q} = \dfrac{100\ \text{MHz}}{50} = 2\ \text{MHz}\), larga demais para separar estações a 200 kHz umas das outras, e por isso os receptores reais filtram de novo depois de converter o sinal para uma frequência menor.
LEDs

Uma lanterna tem 4 LEDs brancos (3,1 V e 20 mA cada) em paralelo, cada um com o seu resistor, alimentados por três pilhas em série (4,5 V). Que resistor E12 usar em cada LED, e quanta corrente as pilhas fornecem?

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Cada resistor fica com \(4{,}5 - 3{,}1 = 1{,}4\ \text{V}\), e \(R = \dfrac{1{,}4}{0{,}020} = 70\ \Omega\); o E12 mais próximo é \(68\ \Omega\), com \(I = \dfrac{1{,}4}{68} \approx 20{,}6\ \text{mA}\).
Os quatro ramos somam \(4 \cdot 20{,}6 \approx 82\ \text{mA}\), e as pilhas fornecem \(4{,}5 \cdot 0{,}082 \approx 0{,}37\ \text{W}\). Um resistor para cada LED evita que o de menor queda roube a corrente dos outros.
Diodo zener

Uma placa usa um zener de 3,3 V e um resistor de 220 Ω, alimentados por uma bateria de 9 V que descarrega até 6 V. Até que corrente de carga a saída fica regulada no fim da bateria, com 1 mA no zener?

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Com 6 V, o resistor entrega \(I_S = \dfrac{6 - 3{,}3}{220} \approx 12{,}3\ \text{mA}\).
Reservando 1 mA para o zener, a carga pode levar até cerca de 11,3 mA; com a bateria nova, a mesma carga deixaria \(\dfrac{9 - 3{,}3}{220} - 0{,}0113 \approx 14{,}6\ \text{mA}\) no zener.
Fonte de alimentação · AC e DC

Um transformador de 127 V para 12 V (RMS) alimenta uma ponte de silício, um capacitor de 2200 µF e um 7805 que entrega 0,5 A. Qual é o pico em cima do capacitor, a ondulação estimada e a potência no regulador?

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O pico do secundário é \(12\sqrt{2} \approx 16{,}97\ \text{V}\), e a ponte tira duas quedas, \(16{,}97 - 1{,}4 \approx 15{,}6\ \text{V}\).
A ondulação é \(\Delta V \approx \dfrac{0{,}5}{120 \cdot 2200 \cdot 10^{-6}} \approx 1{,}9\ \text{V}\), e a média na entrada do regulador fica perto de \(15{,}6 - 0{,}95 \approx 14{,}6\ \text{V}\).
No 7805, \(P \approx (14{,}6 - 5) \cdot 0{,}5\), cerca de 4,8 W, e ele precisa de dissipador.
Transistor como chave

Um NPN com β = 100 liga uma lâmpada de 12 V e 3 W a partir de um pino de 3,3 V. Que resistor de base garante a saturação com folga de dois, com \(V_{BE} = 0{,}7\ \text{V}\)?

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A lâmpada pede \(I_C = \dfrac{3}{12} = 0{,}25\ \text{A}\), e a base precisa de \(2 \cdot \dfrac{0{,}25}{100} = 5\ \text{mA}\).
Então \(R_B = \dfrac{3{,}3 - 0{,}7}{0{,}005} = 520\ \Omega\), e o valor E12 abaixo é \(470\ \Omega\), com cerca de 5,5 mA, perto do limite de muitos pinos.
MOSFET e PWM

Uma fita de LED de 12 V e 24 W é controlada por um MOSFET com \(R_{DS(\text{on})} = 50\ \text{m}\Omega\) e PWM a 25%. Qual é a potência média na fita e no MOSFET, tratando a fita como um resistor?

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A fita puxa \(I = \dfrac{24}{12} = 2\ \text{A}\) quando ligada, e recebe em média \(0{,}25 \cdot 24 = 6\ \text{W}\).
O MOSFET dissipa \(0{,}25 \cdot 0{,}05 \cdot 2^2 = 0{,}05\ \text{W}\) na condução, pouco o bastante para dispensar dissipador.
Divisor, comparador e 555

Um alarme de gaveta usa um LDR em cima e 10 kΩ embaixo, em 9 V. O LDR tem 100 kΩ no escuro e 1 kΩ com luz, e um comparador compara o meio do divisor com 4,5 V e libera um 555 astável com \(R_1 = 1\ \text{k}\Omega\), \(R_2 = 4{,}7\ \text{k}\Omega\) e \(C = 100\ \text{nF}\). Que tensões o comparador vê, e que som o alarme faz?

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No escuro, \(V = 9 \cdot \dfrac{10}{100 + 10}\) \(\approx 0{,}82\ \text{V}\), abaixo de 4,5 V.
Com luz, \(V = 9 \cdot \dfrac{10}{1 + 10}\) \(\approx 8{,}2\ \text{V}\), acima, e a saída do comparador muda de trilho.
O 555 oscila a \(f \approx \dfrac{1{,}44}{(1 + 9{,}4) \cdot 10^3 \cdot 10^{-7}}\) \(\approx 1{,}4\ \text{kHz}\), um apito agudo que um alto-falante ou buzzer reproduz.

Cola da aula

Divisor de tensão\(V_{\text{saída}} = V\,\dfrac{R_2}{R_1 + R_2}\)
Senoide\(V_{\text{RMS}} = V_p/\sqrt{2}\), \(T = 1/f\)
Constante de tempo RC\(\tau = RC\), 63% em \(\tau\), carga completa em \(5\tau\)
Frequência de corte RC\(f_c = \dfrac{1}{2\pi RC}\)
Ressonância LC\(f_0 = \dfrac{1}{2\pi\sqrt{LC}}\)
Resistor do LED\(R = \dfrac{V - V_F}{I_F}\)
Regulador zener\(I_Z = \dfrac{V_E - V_Z}{R_S} - \dfrac{V_Z}{R_L}\)
Transistor bipolar (ativa)\(I_C = \beta\,I_B\)
Emissor comum com \(R_E\)\(A_v \approx -R_C/R_E\)
MOSFET (saturação)\(I_D = k\,(V_{GS} - V_{th})^2\)
PWM\(V_{\text{méd}} = D\,V_{DD}\)
Ondulação do filtro (ponte)\(\Delta V \approx \dfrac{I}{f\,C}\), \(f = 120\ \text{Hz}\)
Regulador 7805\(V_E \geq 5\ \text{V} + 2\ \text{V}\), \(P \approx (\overline{V}_E - 5)\,I\)
Amp-op: inversor e não inversor\(G = -\dfrac{R_f}{R_1}\), \(G = 1 + \dfrac{R_f}{R_g}\)
555 astável\(f \approx \dfrac{1{,}44}{(R_1 + 2R_2)\,C}\), \(D = \dfrac{R_1 + R_2}{R_1 + 2R_2}\)
555 monoestável\(T \approx 1{,}1\,R\,C\)