PASSO 10
Globo da morte: por que a moto não cai lá no alto?
No globo, a moto anda por dentro de uma esfera, num círculo vertical. Se desprezamos o ar e o atrito, agem nela duas forças, o peso P, sempre para baixo, e a normal N, que a parede faz e que aponta sempre para o centro.
Embaixo, o peso aponta para fora do círculo, e por isso a normal precisa ser grande, o que faz o piloto se sentir "mais pesado". No topo, peso e normal apontam juntos para o centro. Se a moto vai devagar, só o peso já é mais do que a curva pede, e ela descola da parede e cai.
A geometria do topo. Sem a parede, a moto viraria um projétil e cairia por uma parábola que, perto do topo, curva como um círculo de raio v²/g. Se v²/g > R, a queda seria mais aberta que o globo, e a moto tentaria atravessar a parede, que empurra de volta. Se v²/g < R, a queda curva mais que o globo, e a moto se afasta da parede e cai. Podemos comparar as duas curvas na lupa embaixo da simulação.
Topo: \(N + P = \dfrac{m\,v^2}{R}\)Embaixo: \(N - P = \dfrac{m\,v^2}{R}\)\(v_{\text{mín}} = \sqrt{g\,R}\)raio da queda livre no topo: \(\dfrac{v^2}{g}\)A velocidade mínima no topo corresponde a N = 0, quando só o peso faz a força centrípeta, e ela não depende da massa da moto.
peso P normal N resultante para o centro v
Para conversar
- Olhe a linha tracejada "caminho sem parede" e veja quando ela entra na parede (verde) e quando se solta para dentro do globo (vermelha).
- Na lupa, deixe a curva da queda exatamente em cima do globo e compare essa velocidade com vmín.
- Diminua a velocidade até a moto cair e observe em que ponto ela descola. Como essa velocidade se compara com vmín?
- Mude a massa e veja se a velocidade mínima muda. Por quê?
- Em que ponto do globo o piloto se sente mais pesado, e quantas vezes o próprio peso?
- Por que a água não cai de um balde girado bem rápido na vertical?