O que quer dizer “probabilidade de 1/6”?
A bancada tem três dados, A, B e C, e um deles foi sorteado em segredo para ser viciado. Nele o seis sai uma vez em três, e cada uma das outras faces sai duas vezes em quinze. Cada clique lança os três dados juntos, e os histogramas mostram a fração de vezes em que cada face apareceu, ao lado de uma linha tracejada em 1/6. Depois de dez lançamentos, os três histogramas costumam parecer igualmente tortos, e não é raro que um dado honesto mostre três ou quatro seis.
A linha em 1/6 não vem de lançamento nenhum. Ela vem de olhar para um dado bem feito e não encontrar motivo para preferir uma face às outras, e seis faces sem preferência dividem o total em seis partes iguais. O que essa fração promete é uma proporção ao longo de muitas repetições, e não o resultado de um lançamento: a fração observada \(N_A/N\) oscila em volta de 1/6 e tende a se aproximar dela à medida que o número \(N\) de lançamentos cresce, sem nunca parar de oscilar.
Com 600 lançamentos por dado, o número esperado de seis é 100 num dado honesto e 200 no viciado. Um dado honesto raramente se afasta de 100 por mais de uns 20, e a distância entre 100 e 200 é grande o bastante para que os histogramas, que no começo se confundiam, passem a contar histórias diferentes.
As barras de baixo respondem a outra pergunta, qual dos três é o viciado. Antes do primeiro lançamento as três ficam em 1/3, porque nada distingue um dado do outro. A cada lançamento a bancada compara quão provável seria obter as contagens observadas supondo viciado cada um dos dados, e o dado que acumula seis em excesso ganha crédito. Nas nossas simulações, com 10 lançamentos por dado o palpite passa de 95 % em menos de um sorteio em dez, e com 100 passa em quase todos.
Os dados não mudam durante o experimento, e ainda assim a probabilidade de B ser o viciado sobe e desce a cada clique. Isso só parece estranho enquanto se pensa na probabilidade como uma propriedade do dado. A leitura do Feynman é outra: a probabilidade é o nosso melhor palpite diante de uma informação incompleta, e por isso depende do que sabemos. O botão que mostra o viciado deixa isso à vista, porque quem o aperta passa a atribuir 1 a um dado e 0 aos outros dois sem que nada tenha acontecido aos dados.
No Feynman: §6-1 Chance and likelihood ↗
Para conversar
- Lance 10 vezes, olhe o palpite e lance mais 10. O dado mais suspeito mudou? Por que isso não indica um defeito da bancada?
- Troque os dados, lance 30 vezes e tente apontar o viciado só pelos histogramas, antes de olhar as barras de baixo. Repita algumas vezes. Quantas vezes você acerta?
- Com 600 lançamentos por dado, quantos seis você espera em cada um? Confira com a frequência do seis nas estatísticas.
- Aperte “Mostrar o viciado”. A probabilidade de A ser o viciado mudou para você? E para quem não viu a tela?