Como se descreve um movimento?
A bancada acompanha um carro numa estrada reta durante três minutos. Ele sai do repouso, chega a 20 m/s, ou 72 km/h, em 20 s, mantém essa velocidade até os 120 s, freia até parar aos 150 s e fica parado até o fim. A cada 20 s a bancada anota a que distância ele está do ponto de partida, e as dez leituras, de 0 a 2.500 m, formam a tabela à esquerda do gráfico.
Antes da primeira leitura foi preciso fazer duas escolhas. Uma é o ponto do carro cuja posição se anota, digamos a ponta do para-choque dianteiro; como o carro não muda de comprimento, qualquer outro ponto dele daria leituras deslocadas por um valor fixo. A outra é a origem, que aqui é o ponto de partida, com as distâncias contadas no sentido da viagem. Uma origem 500 m adiante tiraria 500 m de todas as leituras, e o que elas dizem sobre o movimento continuaria o mesmo. Feitas as duas escolhas, a cada instante corresponde uma única posição, e a notação \(s = s(t)\) diz só isso; a bancada calcula essa função com uma fórmula para cada trecho da viagem, e a tabela registra dez dos seus valores.
Pondo o tempo no eixo horizontal e a posição no vertical, cada linha da tabela vira um ponto, e a curva que passa por eles conta a viagem de uma vez. Ela sai horizontal e se encurva para cima enquanto o carro ganha velocidade, vira uma reta no trecho em que ele anda 400 m a cada 20 s, encurva-se para o outro lado durante a freada e termina deitada em 2.500 m.
O cenário Queda troca o carro por uma bola solta do repouso, sem resistência do ar, com a distância caída anotada a cada meio segundo. As leituras crescem cada vez mais depressa, de 1,2 m no primeiro meio segundo a 78,4 m aos 4 s, e obedecem a uma regra simples: no dobro do tempo, a bola cai quatro vezes mais, como mostram os 19,6 m aos 2 s. A regra é \(s = \tfrac12 g t^2\), com \(g = 9{,}8\) m/s², e o gráfico é um ramo de parábola. A aula de ensino médio sobre queda livre mostra de onde vem essa fórmula; aqui ela entra apenas como descrição.
Nos dois cenários, a tabela e o gráfico guardam tudo o que se pode dizer do movimento, mas não mostram diretamente quão depressa o corpo anda em cada instante, e ler essa rapidez na curva é o assunto do passo 2. O carro e a bola em queda são os dois exemplos com que o Feynman abre o capítulo, aqui com números nossos.
No Feynman: §8-1 Description of motion ↗
Para conversar
- Entre que linhas da tabela do carro a posição cresce sempre o mesmo tanto? Que forma tem a curva nesse trecho?
- De 120 s a 140 s o carro anda 267 m, e de 140 s a 160 s só 33 m. Arraste o cursor de 120 s a 160 s e diga onde a curva fica horizontal.
- Na queda, cerca de quantas vezes a distância caída entre 3,5 s e 4 s é maior que a do primeiro meio segundo?
- Com a origem 500 m adiante do ponto de partida, o que mudaria no gráfico do carro? E o que ficaria igual?