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Matemática · Ensino Médio · Exponencial e Logaritmo

Exponencial e Logaritmo

Uma colônia de bactérias, o saldo de uma aplicação e a atividade de uma amostra radioativa mudam por multiplicação, e em intervalos iguais de tempo ficam multiplicados sempre pelo mesmo número. A função exponencial descreve esse jeito de mudar. O logaritmo, que desfaz a exponencial, responde à pergunta inversa, quanto tempo leva para chegar a um valor, e permite pôr numa régua só grandezas que vão de um sussurro a uma sirene, como fazem o pH, os decibéis e a magnitude dos terremotos.

  1. 1Crescer multiplicando
  2. 2A função exponencial
  3. 3Meia-vida
  4. 4Logaritmo
  5. 5Propriedades
  6. 6Tempo de dobra
  7. 7pH, decibéis e magnitude
  8. 8Eixo logarítmico
  9. ✓Desafios
PASSO 1

O que muda quando uma grandeza cresce multiplicando?

Uma grandeza pode crescer de duas maneiras bem diferentes. Na primeira, ela ganha a mesma quantidade a cada passo, como um cofrinho que recebe R$ 10 por semana, e a lista dos valores é uma progressão aritmética. Na segunda, ela fica multiplicada pelo mesmo número a cada passo, como uma colônia de bactérias que dobra a cada hora, e a lista é uma progressão geométrica.

Na progressão aritmética, a diferença entre dois termos vizinhos é sempre a mesma, a razão \(k\). Na geométrica, o que fica constante é o quociente entre vizinhos, a razão \(b\), e as diferenças crescem junto com a própria grandeza. Quanto maior ela fica, mais ela ganha no passo seguinte.

Por isso a multiplicação acaba passando a soma, mesmo quando começa atrás. Uma soma de 40 por passo pode ficar muito tempo à frente de uma multiplicação por 1,1, e ainda assim a multiplicação a alcança e a deixa para trás. A bancada mostra em que passo isso acontece, e o passo 6 mostra como calcular esse passo sem tentativa.

\(a_n = a_0 + k\,n\)\(g_n = a_0 \cdot b^{\,n}\)\(a_n\) soma \(k\) a cada passo e \(g_n\) multiplica por \(b\) a cada passo, as duas começando em \(a_0\). Vale \(a_{n+1} - a_n = k\) e \(g_{n+1} / g_n = b\).

Para conversar

  • Com \(b = 1{,}5\) e \(k = 10\), arraste o cursor de \(n = 0\) até \(n = 12\) e acompanhe as duas diferenças entre vizinhos. Qual delas fica parada, e qual cresce?
  • Leve \(k\) até 40 e \(b\) até 1,1. A soma fica à frente por muito tempo. A leitura diz em que passo a multiplicação passa. Isso cabe na tela?
  • Ponha \(b = 2\) e encontre o primeiro \(n\) em que a multiplicação já vale mais que mil vezes o ponto de partida. Quantos passos foram?
  • Com o cursor em \(n = 12\), mude \(b\) de 1,5 para 1,6. Quanto mudou o valor da multiplicação, e por que a mudança é tão grande para um ajuste tão pequeno?
Somando
Multiplicando
Diferença entre vizinhos
Razão entre vizinhos
A multiplicação passa a soma
Exercícios do passo 1 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    As duas sequências começam em 4. Uma soma 3 a cada passo e a outra multiplica por 3. Quanto vale cada uma no passo \(n = 4\)?

    Ver resolução
    Na soma, \(a_4 = 4 + 3 \cdot 4 = 16\).
    Na multiplicação, \(g_4 = 4 \cdot 3^4 = 4 \cdot 81 = 324\).
    16 e 324.
  2. básico

    A sequência 5, 10, 20, 40, … soma ou multiplica? Quanto vale o termo \(n = 10\), contando o 5 como \(n = 0\)?

    Ver resolução
    As diferenças são 5, 10 e 20, e mudam. Os quocientes são todos 2.
    É uma progressão geométrica de razão 2, e \(g_{10} = 5 \cdot 2^{10} = 5 \cdot 1024\).
    Multiplica por 2, e \(g_{10} = 5120\).
  3. básico

    Uma cultura começa com 300 bactérias e, nas condições do laboratório, dobra a cada hora. Quantas bactérias haverá depois de 5 horas?

    Ver resolução
    Cada hora multiplica por 2, e cinco horas multiplicam por \(2^5 = 32\).
    \(300 \cdot 32 = 9600\).
    9600 bactérias.
  4. básico

    Um carro de R$ 50.000 perde 10% do valor a cada ano. Quanto ele vale depois de 2 anos? Por que a resposta não é R$ 40.000?

    Ver resolução
    Perder 10% é ficar com 90%, e cada ano multiplica o valor por 0,9.
    \(50.000 \cdot 0{,}9^2 = 50.000 \cdot 0{,}81\)
    \(= 40.500\).
    No segundo ano os 10% incidem sobre R$ 45.000, e a perda é de R$ 4500, menor que a do primeiro ano.
    R$ 40.500. Os R$ 40.000 supõem uma perda fixa de R$ 5000 por ano, que seria uma progressão aritmética.
  5. médio

    As sequências 2, 6, 18, … e 2, 6, 10, … começam iguais. Em que passo cada uma passa de 1000 pela primeira vez?

    Ver resolução
    A primeira multiplica por 3, \(g_n = 2 \cdot 3^n\). Com \(n = 5\) dá 486, e com \(n = 6\) dá 1458.
    A segunda soma 4, \(a_n = 2 + 4n\), e \(2 + 4n > 1000\) pede \(n > 249{,}5\).
    A geométrica passa de 1000 em \(n = 6\), com 1458. A aritmética só em \(n = 250\), com 1002.
  6. médio

    Um preço sobe 20% num mês e cai 20% no mês seguinte. Ele volta ao valor de antes?

    Ver resolução
    Subir 20% multiplica por 1,2 e cair 20% multiplica por 0,8.
    \(1{,}2 \cdot 0{,}8 = 0{,}96\).
    Não volta. O preço termina em 96% do inicial, 4% abaixo, porque a queda incide sobre um valor maior que o da subida.
  7. médio

    Uma folha de papel tem 0,1 mm de espessura. Supondo que ela pudesse ser dobrada ao meio quantas vezes quiséssemos, a cada dobra a espessura dobraria. Depois de quantas dobras a pilha passaria de 1 m?

    Ver resolução
    Depois de \(n\) dobras a espessura é \(0{,}1 \cdot 2^n\) mm, e 1 m são 1000 mm. Precisamos de \(2^n > 10.000\).
    \(2^{13} = 8192\) não basta e \(2^{14} = 16.384\) basta.
    14 dobras, com cerca de 1,64 m. Com 13 a pilha teria 819,2 mm. Na prática uma folha comum não aguenta nem perto disso, e a conta mostra só o que a multiplicação faria.
  8. médio

    Uma cidade de 1.000.000 de habitantes cresce 2% ao ano. Quantos habitantes ela tem depois de 3 anos? Quanto ela ganhou no primeiro ano, e quanto no terceiro?

    Ver resolução
    Cada ano multiplica por 1,02. Depois de 1, 2 e 3 anos, a população é 1.020.000, 1.040.400 e 1.061.208.
    No primeiro ano ela ganhou 20.000 habitantes, e no terceiro, \(1.061.208 - 1.040.400 = 20.808\).
    1.061.208 habitantes. O ganho anual cresce, porque os 2% incidem sobre uma população cada vez maior, enquanto a razão entre anos vizinhos fica em 1,02.
  9. desafio

    Na lenda do tabuleiro de xadrez, a primeira casa recebe 1 grão de trigo, a segunda 2, a terceira 4, e assim por diante, dobrando até a casa 64. Quantos grãos vão para a última casa? Use \(2^{10} \approx 10^3\) para estimar a ordem de grandeza do total.

    Ver resolução
    A casa \(m\) recebe \(2^{m-1}\) grãos, e a 64ª recebe \(2^{63}\).
    O total é \(1 + 2 + \dots + 2^{63}\). Somando 1 a essa soma, os termos se juntam dois a dois, \(1 + 1 = 2\), \(2 + 2 = 4\), até \(2^{63} + 2^{63} = 2^{64}\), e o total é \(2^{64} - 1\).
    Com \(2^{10} \approx 10^3\), \(2^{64} = 2^4 \cdot (2^{10})^6 \approx 16 \cdot 10^{18}\).
    \(2^{63}\) grãos na última casa, e o total, \(2^{64} - 1\), é da ordem de \(10^{19}\). O valor exato é cerca de \(1{,}8 \cdot 10^{19}\), e a estimativa fica um pouco abaixo porque \(2^{10} = 1024\) passa de mil.
  10. desafio

    Duas sequências começam em \(a_0 = 10\), uma somando \(k = 10\) e a outra multiplicando por \(b\). Mostre que, com \(b = 2\), a multiplicação nunca fica atrás da soma. Com \(b = 1{,}1\), em que passo ela passa à frente? Use uma calculadora.

    Ver resolução
    Com \(b = 2 = 1 + k/a_0\), queremos \(10 \cdot 2^n \ge 10 + 10n\), isto é, \(2^n \ge 1 + n\). Pelo binômio, \(2^n = (1 + 1)^n = 1 + n + \dots\), com todas as outras parcelas positivas, e a desigualdade vale para todo \(n\).
    Com \(b = 1{,}1\) precisamos de \(1{,}1^n > 1 + n\). A calculadora dá \(1{,}1^{38} \approx 37{,}4\), menor que 39, e \(1{,}1^{39} \approx 41{,}1\), maior que 40.
    Com \(b = 2\) a multiplicação fica sempre à frente ou empatada. Com \(b = 1{,}1\) ela só passa em \(n = 39\), bem fora da tela da bancada, que mesmo assim mostra esse passo na leitura.
PASSO 2

Como é o gráfico de \(y = a \cdot b^x\)?

A função exponencial de base \(b\) é \(f(x) = a \cdot b^x\), com \(b > 0\) e \(b \ne 1\). Nos números naturais ela repete a progressão geométrica do passo 1, e o resto do domínio vem das regras das potências. O expoente negativo inverte, \(2^{-1} = 1/2\), e o expoente fracionário tira raiz, \(2^{1/2} = \sqrt{2}\). Com essas regras, e com um pouco de cuidado para os expoentes irracionais, \(b^x\) fica definido para todo \(x\) real, e o gráfico vira uma curva sem saltos.

Com \(a > 0\), a curva corta o eixo \(y\) em \((0, a)\) e fica sempre acima do eixo \(x\). Com \(b > 1\) ela cresce, devagar à esquerda e cada vez mais depressa à direita. Com \(0 < b < 1\) ela decresce, e \((1/2)^x = 2^{-x}\) mostra que essa curva é a de \(2^x\) espelhada no eixo \(y\). Nos dois casos ela se aproxima do eixo \(x\) sem nunca tocá-lo, e a reta \(y = 0\) é uma assíntota horizontal.

A propriedade que define a exponencial vale para qualquer \(x\), inteiro ou não. Andar uma unidade para a direita multiplica a altura por \(b\), e andar \(h\) unidades multiplica por \(b^h\). Entre as bases possíveis, uma aparece em quase toda a ciência, o número \(e \approx 2{,}718\), e o passo 6 sugere de onde ele vem.

\(f(x) = a \cdot b^x\)\(b^0 = 1\)\(b^{-x} = \dfrac{1}{b^x}\)\(b^{p/q} = \sqrt[q]{b^p}\)Com \(a > 0\), \(b > 0\) e \(b \ne 1\), o domínio é \(\mathbb{R}\) e a imagem é \(]0; +\infty[\). Para todo \(x\) real, \(f(x + 1) = b \cdot f(x)\).

Para conversar

  • Com \(a = 1\), troque \(b = 2\) por \(b = 1/2\). Onde o gráfico novo fica em relação ao antigo, e que ponto os dois têm em comum?
  • Com \(b = 2\), arraste P até \(x = -4\). A curva encosta no eixo \(x\)? Quanto vale a altura ali?
  • Mude \(a\) sem mexer em \(b\). Que ponto da curva acompanha o \(a\), e a razão \(f(x + 1)/f(x)\) muda?
  • Leve \(b\) até 1. Que gráfico sobra, e por que a definição deixa essa base de fora?
Domínio
Imagem
A função
Ponto P
f(x + 1) / f(x)
Exercícios do passo 2 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Para \(f(x) = 3 \cdot 2^x\), calcule \(f(0)\), \(f(3)\) e \(f(-1)\).

    Ver resolução
    \(f(0) = 3 \cdot 1 = 3\), \(f(3) = 3 \cdot 8 = 24\) e \(f(-1) = 3 \cdot \tfrac{1}{2} = 1{,}5\).
    3, 24 e 1,5.
  2. básico

    Calcule \(8^{2/3}\), \(4^{-1/2}\) e \((1/2)^{-3}\).

    Ver resolução
    \(8^{2/3} = \big(\sqrt[3]{8}\big)^2 = 2^2 = 4\).
    \(4^{-1/2} = \dfrac{1}{\sqrt{4}} = \dfrac{1}{2}\).
    \((1/2)^{-3} = 2^3 = 8\).
    4, 1/2 e 8.
  3. básico

    Quais destas funções são crescentes e quais são decrescentes: \(3^x\), \(0{,}4^x\), \((5/2)^x\) e \(2^{-x}\)?

    Ver resolução
    Com \(a > 0\), a exponencial cresce quando a base passa de 1 e decresce quando a base fica entre 0 e 1.
    \(2^{-x} = (1/2)^x\), de base 1/2.
    \(3^x\) e \((5/2)^x\) são crescentes; \(0{,}4^x\) e \(2^{-x}\) são decrescentes.
  4. básico

    O gráfico de \(f(x) = a \cdot b^x\) passa por \((0, 5)\) e por \((1, 15)\). Quanto valem \(a\) e \(b\)?

    Ver resolução
    Em \(x = 0\), \(f(0) = a \cdot b^0 = a\), e daí \(a = 5\).
    Em \(x = 1\), \(5 \cdot b = 15\), e daí \(b = 3\).
    \(a = 5\) e \(b = 3\), e \(f(x) = 5 \cdot 3^x\).
  5. médio

    O gráfico de \(f(x) = a \cdot b^x\), com \(b > 0\), passa por \((1, 6)\) e por \((3, 24)\). Encontre \(a\) e \(b\).

    Ver resolução
    Dividindo as duas equações, \(\dfrac{a\,b^3}{a\,b} = \dfrac{24}{6}\), isto é, \(b^2 = 4\). Com \(b > 0\), \(b = 2\).
    De \(a \cdot 2 = 6\) vem \(a = 3\).
    \(a = 3\) e \(b = 2\). Dois pontos de \(x\) diferentes bastam para determinar uma exponencial, como bastam para uma reta.
  6. médio

    Quais são o domínio e a imagem de \(f(x) = 2^x - 3\)? Qual é a assíntota do gráfico?

    Ver resolução
    O \(2^x\) existe para todo \(x\) real e assume todos os valores positivos, e só esses.
    Subtrair 3 desce o gráfico inteiro 3 unidades, e a imagem desce junto.
    Domínio \(\mathbb{R}\), imagem \(]-3; +\infty[\) e assíntota \(y = -3\). O gráfico cruza o eixo \(x\) onde \(2^x = 3\), um \(x\) entre 1 e 2 que o passo 4 aprende a escrever.
  7. médio

    Sem calculadora, ponha em ordem crescente \(2^{1{,}5}\), \(2^{-1}\), \(4^{0{,}5}\) e \((1/2)^{-2}\).

    Ver resolução
    Escrevemos tudo na base 2. \(4^{0{,}5} = (2^2)^{0{,}5} = 2^1\) e \((1/2)^{-2} = (2^{-1})^{-2} = 2^2\).
    Os expoentes ficam \(1{,}5\), \(-1\), \(1\) e \(2\), e como \(2^x\) é crescente, a ordem dos valores é a ordem dos expoentes.
    \(2^{-1} < 4^{0{,}5} < 2^{1{,}5} < (1/2)^{-2}\).
  8. médio

    Resolva \(3^{x + 1} = 81\) e \(2^{2x} = \dfrac{1}{8}\).

    Ver resolução
    \(81 = 3^4\), e como \(3^x\) é injetora, os expoentes são iguais, \(x + 1 = 4\).
    \(\dfrac{1}{8} = 2^{-3}\), e daí \(2x = -3\).
    \(x = 3\) e \(x = -1{,}5\).
  9. desafio

    Mostre que, para \(f(x) = a \cdot b^x\), o quociente \(f(x + h)/f(x)\) não depende de \(x\). Uma população cresceu 44% em 2 anos, multiplicando-se pelo mesmo fator a cada ano. Qual foi o crescimento anual?

    Ver resolução
    \(\dfrac{a\,b^{x + h}}{a\,b^x} = b^h\), que só depende de \(h\).
    Em 2 anos o fator foi \(b^2 = 1{,}44\), e com \(b > 0\), \(b = 1{,}2\).
    20% ao ano, e não 22%. Metade dos 44% dá 22%, mas o crescimento do segundo ano incide sobre a população já aumentada, e \(1{,}2^2 = 1{,}44\).
  10. desafio

    Quantas vezes os gráficos de \(y = 2^x\) e \(y = x^2\) se cruzam? Encontre os cruzamentos inteiros e diga qual das duas funções vence para \(x\) grande.

    Ver resolução
    Em \(x = 2\) as duas valem 4, e em \(x = 4\) as duas valem 16.
    Para \(x\) negativo, \(2^x\) fica entre 0 e 1 e \(x^2\) vem de valores grandes. Em \(x = -1\), \(2^{-1} = 0{,}5 < 1\), e em \(x = 0\), \(1 > 0\). Há um cruzamento entre \(-1\) e 0, perto de \(x \approx -0{,}77\).
    Entre 2 e 4, \(2^3 = 8 < 9\), e depois de 4 a exponencial passa à frente, \(2^5 = 32 > 25\), para não voltar mais.
    Três cruzamentos, em \(x \approx -0{,}77\), em \(x = 2\) e em \(x = 4\). Para \(x\) grande \(2^x\) vence, como no passo 1 a multiplicação vencia a soma.
PASSO 3

Quanto tempo leva para sobrar metade?

Quando a base fica entre 0 e 1, a exponencial descreve um decaimento. A cada intervalo igual de tempo a grandeza fica multiplicada pelo mesmo número menor que 1, e perde sempre a mesma fração do que ainda tem. É o que acontece com a quantidade de um remédio no sangue, em boa aproximação, e com o número de núcleos de uma amostra radioativa.

A meia-vida \(T\) é o tempo que a grandeza leva para cair à metade. Depois de uma meia-vida resta \(1/2\), depois de duas resta \(1/4\), e depois de \(t/T\) meias-vidas resta \((1/2)^{t/T}\). O tempo para ir de 400 a 200 é o mesmo para ir de 200 a 100, ou de 2 a 1, porque cada intervalo \(T\) divide por 2 o que havia no começo dele.

Num núcleo radioativo, a chance de decair na próxima hora não depende de há quanto tempo ele existe, e por isso não dá para prever quando um núcleo em particular vai decair. Numa amostra com muitos núcleos, porém, a fração que decai em cada intervalo fica perto de uma constante, e a contagem segue de perto a curva exponencial. A aula de Física Moderna conta de onde vem essa radiação e o que ela faz. A bancada usa meias-vidas medidas, e a tela mostra a amostra sempre no mesmo ritmo, uma meia-vida a cada 3 segundos. Para o carbono-14 usamos 5700 anos, o valor atual da DDEP, com incerteza de 30 anos. A aula de Física Moderna usa 5730 anos, um valor mais antigo que cabe nessa incerteza, e as contas com um e com outro diferem menos de 1%.

\(N(t) = N_0 \cdot \left(\tfrac{1}{2}\right)^{t/T}\)\(N(t + T) = \tfrac{1}{2}\,N(t)\)\(N_0\) é a quantidade no instante 0 e \(T\) é a meia-vida, na mesma unidade de tempo que \(t\). Com \(b = (1/2)^{1/T}\), a mesma função se escreve \(N_0 \cdot b^t\), uma exponencial de base entre 0 e 1.

Para conversar

  • Com o iodo-131, pause quando o tempo chegar a uma meia-vida, cerca de 8 dias. Restaram exatamente 200 núcleos? E a curva, por onde passa ali?
  • Recomece algumas vezes e anote a contagem em 2 meias-vidas. Quanto ela costuma se afastar de 100?
  • Troque para o carbono-14. O que mudou no gráfico, além dos números do eixo do tempo?
  • Leve o tempo até 6 meias-vidas. Que fração da amostra deveria restar, e quantos núcleos isso dá em 400?

Meias-vidas passadas
Núcleos na amostra
Previsto pela curva
Exercícios do passo 3 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Uma amostra de 640 mg de um material radioativo tem meia-vida de 5 dias. Quanto resta depois de 15 dias?

    Ver resolução
    15 dias são \(15/5 = 3\) meias-vidas, e resta \((1/2)^3 = 1/8\) da amostra.
    \(640 / 8 = 80\).
    80 mg.
  2. básico

    O tecnécio-99m, usado em cintilografia, tem meia-vida de cerca de 6 horas. Que fração da atividade inicial resta depois de 24 horas?

    Ver resolução
    24 horas são \(24/6 = 4\) meias-vidas.
    \((1/2)^4 = 1/16\).
    Cerca de 1/16, ou 6,25%.
  3. básico

    A quantidade de um material, em gramas, é \(N(t) = 800 \cdot (1/2)^{t/10}\), com \(t\) em anos. Qual é a meia-vida, e quanto resta em \(t = 30\)?

    Ver resolução
    Comparando com \(N_0 \cdot (1/2)^{t/T}\), \(N_0 = 800\) e \(T = 10\).
    \(N(30) = 800 \cdot (1/2)^3 = 100\).
    Meia-vida de 10 anos, e restam 100 g.
  4. básico

    Depois de quantas meias-vidas resta menos de 1% de uma amostra?

    Ver resolução
    Precisamos de \((1/2)^n < 0{,}01\), isto é, \(2^n > 100\).
    \(2^6 = 64\) não basta e \(2^7 = 128\) basta.
    7 meias-vidas, quando resta \(1/128 \approx 0{,}78\%\).
  5. médio

    A concentração de um remédio no sangue cai 20% a cada hora. Quanto resta depois de 3 horas? A meia-vida fica entre que horas inteiras?

    Ver resolução
    Cair 20% é multiplicar por 0,8, e em 3 horas, \(0{,}8^3 = 0{,}512\).
    Em 4 horas, \(0{,}8^4 = 0{,}4096\).
    Resta 51,2% depois de 3 horas. Como 0,512 ainda passa de metade e 0,4096 já fica abaixo, a meia-vida está entre 3 e 4 horas.
  6. médio

    O césio-137 do acidente de Goiânia, em 1987, tem meia-vida de cerca de 30 anos. Que fração dele resta em 2047? E em 2026, usando uma calculadora?

    Ver resolução
    De 1987 a 2047 passam 60 anos, duas meias-vidas, e resta \(1/4\).
    De 1987 a 2026 passam 39 anos, \(39/30 = 1{,}3\) meia-vida, e \((1/2)^{1{,}3} \approx 0{,}41\).
    Um quarto em 2047 e cerca de 41% em 2026. Quase quatro décadas depois, a maior parte daquele césio ainda não decaiu.
  7. médio

    O iodo-131 tem meia-vida de cerca de 8 dias. Escreva a quantidade como \(N_0 \cdot b^t\), com \(t\) em dias, e diga que porcentagem a amostra perde por dia.

    Ver resolução
    \((1/2)^{t/8} = \big((1/2)^{1/8}\big)^t\), e daí \(b = (1/2)^{1/8} = 2^{-1/8}\).
    A calculadora dá \(b \approx 0{,}917\).
    \(N(t) = N_0 \cdot 0{,}917^t\), e a amostra perde cerca de 8,3% por dia. Perder 8,3% por dia durante 8 dias não dá \(8 \cdot 8{,}3\%\), e sim metade.
  8. médio

    Num resto de madeira, a proporção de carbono-14 é \(1/8\) da que há numa árvore viva. Há quanto tempo a árvore morreu? Use a meia-vida de 5700 anos.

    Ver resolução
    \(1/8 = (1/2)^3\), e passaram 3 meias-vidas.
    \(3 \cdot 5700 = 17.100\).
    Há cerca de 17.100 anos. Com o valor mais antigo da meia-vida, 5730 anos, a conta dá 17.190, e a diferença fica bem dentro da incerteza de uma datação dessas.
  9. desafio

    A amostra A tem 800 núcleos e meia-vida de 2 h. A amostra B tem 400 núcleos e meia-vida de 3 h. Em que instante as duas têm o mesmo número de núcleos, e quantos são?

    Ver resolução
    Queremos \(800 \cdot 2^{-t/2} = 400 \cdot 2^{-t/3}\), isto é, \(2 = 2^{t/2 - t/3} = 2^{t/6}\).
    Os expoentes são iguais, \(t/6 = 1\), e \(t = 6\).
    Conferindo, A passou 3 meias-vidas, \(800/8 = 100\), e B passou 2, \(400/4 = 100\).
    Em \(t = 6\) h, com 100 núcleos em cada. Depois disso B fica sempre à frente, porque decai mais devagar.
  10. desafio

    Um contador registra 3200 contagens por minuto vindas de uma amostra às 8h e 400 contagens por minuto às 17h do mesmo dia. Qual é a meia-vida? A que horas a contagem passou por 1600, e quando ela vai chegar a 25 por minuto?

    Ver resolução
    De 3200 para 400 a contagem caiu a \(1/8 = (1/2)^3\), três meias-vidas em 9 horas, e \(T = 3\) h.
    1600 é a metade de 3200, uma meia-vida depois das 8h, às 11h.
    De 400 para 25 a contagem cai a \(1/16\), quatro meias-vidas, 12 h depois das 17h.
    Meia-vida de 3 h. A contagem passou por 1600 às 11h e chega a 25 às 5h do dia seguinte, se o contador só registrar a amostra. Na prática, a radiação de fundo do ambiente também entra na contagem e pesa mais quando a amostra fica fraca.
PASSO 4

Que expoente transforma a base nesse número?

O logaritmo de \(x\) na base \(b\) é o expoente a que precisamos elevar \(b\) para chegar a \(x\). Como \(2^3 = 8\), escrevemos \(\log_2 8 = 3\), e como \(10^{-2} = 0{,}01\), \(\log_{10} 0{,}01 = -2\). Pedimos \(b > 0\) e \(b \ne 1\), como na exponencial, e \(x > 0\), porque nenhuma potência de base positiva dá zero ou um número negativo.

Calcular \(\log_b x\) desfaz o que \(b^x\) faz, e o logaritmo é a função inversa da exponencial de mesma base. O gráfico de \(y = \log_b x\) é então o de \(y = b^x\) espelhado na reta \(y = x\), como na aula de Funções. A assíntota horizontal da exponencial vira uma assíntota vertical, o eixo \(y\). O domínio do logaritmo é \(]0; +\infty[\), a imagem é \(\mathbb{R}\), e a curva passa por \((1, 0)\) e por \((b, 1)\).

Duas bases têm nome próprio. O logaritmo decimal, de base 10, escreve-se só \(\log x\), e o logaritmo natural, de base \(e\), escreve-se \(\ln x\). O decimal mede a ordem de grandeza de um número. Um número de três algarismos fica entre \(10^2\) e \(10^3\), e o seu logaritmo decimal fica entre 2 e 3.

\(\log_b x = y \iff b^{\,y} = x\)\(\log_b 1 = 0\)\(\log_b b = 1\)\(b^{\log_b x} = x\)Com \(b > 0\), \(b \ne 1\) e \(x > 0\). A última igualdade, e também \(\log_b(b^y) = y\), dizem que as duas funções se desfazem uma à outra.

Para conversar

  • Na base 2, arraste o ponto de \(x = 4\) até \(x = 8\). Que expoente aparece, e onde está o espelho dele na exponencial?
  • Leve o ponto para um \(x\) entre 0 e 1. Com que sinal fica o logaritmo, e por quê?
  • Troque para a base 10 e ponha o ponto em \(x = 5\). Entre que inteiros fica \(\log 5\)?
  • Com a base \(1/2\), compare a curva do logaritmo com a da base 2. Que espelho leva uma na outra?
x
log₂ x
Conferindo
Sinal
Exercícios do passo 4 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Calcule \(\log_2 32\), \(\log_3 81\), \(\log 0{,}001\) e \(\log_5 1\).

    Ver resolução
    \(2^5 = 32\), \(3^4 = 81\), \(10^{-3} = 0{,}001\) e \(5^0 = 1\).
    5, 4, −3 e 0.
  2. básico

    Encontre \(x\) em \(\log_2 x = 6\) e em \(\log_x 49 = 2\).

    Ver resolução
    Pela definição, \(\log_2 x = 6\) quer dizer \(2^6 = x\).
    \(\log_x 49 = 2\) quer dizer \(x^2 = 49\), e a base precisa ser positiva.
    \(x = 64\) e \(x = 7\).
  3. básico

    Qual é o domínio de \(f(x) = \log(x - 3)\)?

    Ver resolução
    O logaritmo só aceita números positivos, e precisamos de \(x - 3 > 0\).
    \(D(f) = ]3; +\infty[\).
  4. básico

    Quanto valem \(\log_7 7^{5}\) e \(10^{\log 4}\)?

    Ver resolução
    O logaritmo de base 7 desfaz a potência de base 7, e a potência de base 10 desfaz o logaritmo decimal.
    5 e 4.
  5. médio

    Calcule \(\log_4 8\).

    Ver resolução
    Procuramos \(y\) com \(4^y = 8\). Na base 2, \(2^{2y} = 2^3\).
    Os expoentes são iguais, \(2y = 3\).
    \(\log_4 8 = \dfrac{3}{2}\).
  6. médio

    Sem calculadora, diga entre que inteiros consecutivos ficam \(\log_2 100\) e \(\log 2026\).

    Ver resolução
    \(2^6 = 64 < 100\) e \(100 < 128 = 2^7\), e o logaritmo de base 2 é crescente.
    \(10^3 = 1000 < 2026\) e \(2026 < 10.000 = 10^4\).
    \(\log_2 100\) fica entre 6 e 7, e \(\log 2026\) entre 3 e 4.
  7. médio

    Quantos algarismos tem \(2^{100}\)? Use \(\log 2 \approx 0{,}301\).

    Ver resolução
    \(\log 2^{100} = 100 \cdot \log 2 \approx 30{,}1\), pela regra da potência do passo 5, e assim \(2^{100} \approx 10^{30{,}1}\).
    Esse número fica entre \(10^{30}\) e \(10^{31}\), e todo número desse intervalo tem 31 algarismos.
    31 algarismos.
  8. médio

    Resolva \(\log_3(2x + 1) = 2\).

    Ver resolução
    Pela definição, \(2x + 1 = 3^2 = 9\), e \(x = 4\).
    Conferindo, \(2 \cdot 4 + 1 = 9 > 0\), dentro do domínio.
    \(x = 4\).
  9. desafio

    Encontre a inversa de \(f(x) = 3 \cdot 2^x\) e o domínio dela. Confira com \(x = 2\).

    Ver resolução
    De \(y = 3 \cdot 2^x\) vem \(2^x = y/3\), e pela definição, \(x = \log_2(y/3)\).
    Trocando os nomes, \(f^{-1}(x) = \log_2(x/3)\), definida onde \(x/3 > 0\), a imagem de \(f\).
    \(f(2) = 12\) e \(f^{-1}(12) = \log_2 4 = 2\).
    \(f^{-1}(x) = \log_2 \dfrac{x}{3}\), com domínio \(]0; +\infty[\).
  10. desafio

    Mostre que \(\log_{1/b} x = -\log_b x\). O que isso diz sobre os gráficos de \(\log_2 x\) e de \(\log_{1/2} x\)?

    Ver resolução
    Seja \(y = \log_{1/b} x\). Então \((1/b)^y = x\), isto é, \(b^{-y} = x\), e pela definição, \(-y = \log_b x\).
    \(\log_{1/b} x = -\log_b x\). O gráfico de \(\log_{1/2} x\) é o de \(\log_2 x\) espelhado no eixo \(x\), e os dois se cruzam em \((1, 0)\).
PASSO 5

Por que o logaritmo troca multiplicação por soma?

Multiplicar potências de mesma base soma os expoentes, \(b^m \cdot b^n = b^{m + n}\). Como o logaritmo é o expoente, essa regra se traduz em \(\log_b(xy) = \log_b x + \log_b y\). Do mesmo jeito, a divisão vira subtração e a potência vira multiplicação, \(\log_b x^k = k \log_b x\). As três regras valem para quaisquer \(x\) e \(y\) positivos.

Uma quarta regra troca a base. Para calcular \(\log_2 10\) numa calculadora que só tem \(\log\) e \(\ln\), dividimos \(\log 10\) por \(\log 2\). Essa mudança de base mostra que os logaritmos de bases diferentes são todos proporcionais entre si, e que o gráfico de um é o de outro esticado na vertical.

A regra do produto foi, por mais de três séculos, a maneira de fazer contas difíceis à mão. John Napier publicou as primeiras tábuas de logaritmos em 1614, e com elas uma multiplicação de números grandes virava uma soma e duas consultas à tábua. A régua de cálculo, que engenheiros usaram até a chegada das calculadoras eletrônicas, faz a mesma coisa com comprimentos. Em cada régua, o número \(u\) fica a uma distância proporcional a \(\log u\) do 1, e somar dois comprimentos é multiplicar os números.

\(\log_b(xy) = \log_b x + \log_b y\)\(\log_b \dfrac{x}{y} = \log_b x - \log_b y\)\(\log_b x^k = k\,\log_b x\)\(\log_b x = \dfrac{\log_c x}{\log_c b}\)Com \(x, y > 0\), \(k\) real, e as bases \(b\) e \(c\) positivas e diferentes de 1. Não há regra para \(\log_b(x + y)\).

Para conversar

  • Com \(a = 2\) e \(b = 3\), veja onde foi parar o 1 da régua de cima e que número aparece embaixo do 3. Que comprimentos foram somados?
  • Leve \(a\) a 4 e \(b\) a 5. Por que a régua passou a usar o 10 de cima, e como o 2 lido embaixo vira 20?
  • No modo dividir, ponha \(a = 8\) e \(b = 2\). Que comprimento foi tirado de qual?
  • Com \(b = 2\), arraste a régua de cima devagar, deixando o seu 1 entre o 1 e o 5 de baixo. O número embaixo do 2 é sempre o dobro do número embaixo do 1. Por quê? E o que a régua faz quando \(a\) passa de 5?
log a
log b
log a + log b
a · b
Exercícios do passo 5 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Com \(\log 2 \approx 0{,}301\) e \(\log 3 \approx 0{,}477\), calcule \(\log 6\), \(\log 1{,}5\) e \(\log 8\).

    Ver resolução
    \(\log 6 = \log 2 + \log 3 \approx 0{,}778\).
    \(\log 1{,}5 = \log \dfrac{3}{2}\)
    \(= \log 3 - \log 2 \approx 0{,}176\).
    \(\log 8 = \log 2^3 = 3 \log 2 \approx 0{,}903\).
    0,778, 0,176 e 0,903.
  2. básico

    Calcule \(\log_2 40 - \log_2 5\).

    Ver resolução
    A diferença de logaritmos é o logaritmo do quociente, \(\log_2 \dfrac{40}{5} = \log_2 8\).
    3.
  3. básico

    Calcule \(\log 5 + \log 20\).

    Ver resolução
    A soma é o logaritmo do produto, \(\log(5 \cdot 20) = \log 100\).
    2.
  4. básico

    Calcule \(\log_3 9^5\).

    Ver resolução
    Pela regra da potência, \(\log_3 9^5 = 5 \log_3 9 = 5 \cdot 2\).
    10.
  5. médio

    Calcule \(\log_2 10\) usando \(\log 2 \approx 0{,}301\).

    Ver resolução
    Pela mudança de base, \(\log_2 10 = \dfrac{\log 10}{\log 2} = \dfrac{1}{0{,}301}\).
    Cerca de 3,32. Conferindo, \(2^3 = 8\) e \(2^4 = 16\), e o 10 fica entre os dois, mais perto do 8.
  6. médio

    Um colega escreveu \(\log(a + b) = \log a + \log b\). Mostre com um exemplo que a regra está errada e diga qual é a regra certa que ele confundiu.

    Ver resolução
    Com \(a = b = 1\), o lado esquerdo é \(\log 2 \approx 0{,}301\) e o direito é \(0 + 0 = 0\).
    A regra certa soma os logaritmos de um produto, \(\log(ab) = \log a + \log b\).
    A igualdade falha já com \(a = b = 1\). O logaritmo transforma produto em soma, e a soma \(a + b\) não tem regra própria.
  7. médio

    Escreva \(\log \dfrac{x^3 y^2}{z}\) em termos de \(\log x\), \(\log y\) e \(\log z\), com \(x, y, z\) positivos.

    Ver resolução
    O quociente vira diferença, \(\log(x^3 y^2) - \log z\).
    O produto vira soma, \(\log x^3 + \log y^2 - \log z\).
    \(3 \log x + 2 \log y - \log z\).
  8. médio

    Calcule \(\log 5\) a partir de \(\log 2 \approx 0{,}301\), sem calculadora.

    Ver resolução
    \(5 = \dfrac{10}{2}\), e \(\log 5 = \log 10 - \log 2\)
    \(= 1 - 0{,}301\).
    \(\log 5 \approx 0{,}699\).
  9. desafio

    Demonstre a regra do produto a partir da definição de logaritmo.

    Ver resolução
    Sejam \(m = \log_b x\) e \(n = \log_b y\). Pela definição, \(b^m = x\) e \(b^n = y\).
    Multiplicando, \(xy = b^m \cdot b^n = b^{m + n}\).
    Pela definição de novo, \(\log_b(xy) = m + n\).
    \(\log_b(xy) = \log_b x + \log_b y\). A regra é a soma dos expoentes, lida pelo lado dos logaritmos.
  10. desafio

    Com \(\log 3 \approx 0{,}477\), quantos algarismos tem \(3^{50}\), e qual é o primeiro deles? Use \(\log 7 \approx 0{,}845\) e \(\log 8 \approx 0{,}903\).

    Ver resolução
    \(\log 3^{50} = 50 \cdot 0{,}477 = 23{,}85\)
    e \(3^{50} = 10^{23} \cdot 10^{0{,}85}\).
    Como \(10^{23} \le 3^{50} < 10^{24}\), o número tem 24 algarismos.
    O fator \(10^{0{,}85}\) fica entre \(10^{0{,}845} \approx 7\) e \(10^{0{,}903} \approx 8\), e o número começa com 7.
    24 algarismos, começando com 7. O valor exato de \(3^{50}\) é 717.897.987.691.852.588.770.249. Com a aproximação 0,477 a conta fica perto da fronteira entre 6 e 7, e um valor mais preciso, \(\log 3 \approx 0{,}4771\), dá \(23{,}856\), com mais folga.
PASSO 6

Quanto tempo até a grandeza dobrar?

Uma equação exponencial pede o expoente, como em \(2^x = 64\) ou \(1{,}1^x = 2\). Quando os dois lados são potências da mesma base, basta igualar os expoentes, como no passo 2. Nos outros casos aplicamos o logaritmo dos dois lados, e a regra da potência tira o \(x\) do expoente, \(x \log b = \log c\). A resposta \(x = \log c / \log b\) é a mudança de base do passo 5.

Uma grandeza que cresce a uma taxa \(r\) por período segue \(N(t) = N_0 (1 + r)^t\). Ela fica multiplicada por \(k\) depois de \(t = \log k / \log(1 + r)\) períodos, um tempo que não depende de \(N_0\). Com \(k = 2\), esse é o tempo de dobra. Para taxas pequenas, uma conta de cabeça chega perto, a regra de 70, que divide 70 pela taxa em porcentagem. Ela vem de \(\ln 2 \approx 0{,}69\) e de \(\ln(1 + r) \approx r\), uma aproximação que piora à medida que a taxa cresce.

A mesma conta sugere de onde vem o número \(e\). Uma taxa de 100% ao ano, paga de uma vez, dobra o saldo. Dividida em 12 parcelas mensais de \(1/12\), ela o multiplica por \((1 + 1/12)^{12} \approx 2{,}613\), e em parcelas diárias, por \((1 + 1/365)^{365} \approx 2{,}715\). Com períodos cada vez menores, o fator se aproxima de \(e \approx 2{,}718\). As taxas da bancada são ilustrativas.

\(b^{\,x} = c \iff x = \dfrac{\log c}{\log b}\)\(t_k = \dfrac{\log k}{\log(1 + r)}\)\(t_2 \approx \dfrac{70}{100\,r}\)Com \(b, c > 0\), \(b \ne 1\) e \(r > 0\). Qualquer base serve para os logaritmos, desde que seja a mesma em cima e embaixo.

Para conversar

  • Com \(r = 10\%\) e \(k = 2\), leia o tempo de dobra exato e o da regra de 70. Por quanto a regra erra?
  • Mantendo \(k = 2\), leve \(r\) a 1% e depois a 20%. Em qual das duas a regra de 70 acerta melhor?
  • Com \(r = 5\%\), compare os tempos para \(k = 2\), \(k = 4\) e \(k = 8\). Que padrão aparece?
  • A curva começa em 1, o valor inicial tomado como unidade. Por que o tempo de dobra seria o mesmo para R$ 100 e para R$ 1 milhão?
Tempo exato
Períodos inteiros
Regra de 70
Erro da regra
Exercícios do passo 6 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Resolva \(2^x = 64\) e \(5^x = \dfrac{1}{125}\).

    Ver resolução
    \(64 = 2^6\) e \(\dfrac{1}{125} = 5^{-3}\), e igualamos os expoentes.
    \(x = 6\) e \(x = -3\).
  2. básico

    Resolva \(3^x = 20\), com \(\log 2 \approx 0{,}301\) e \(\log 3 \approx 0{,}477\).

    Ver resolução
    Aplicando o logaritmo, \(x \log 3 = \log 20\)
    \(= \log 2 + \log 10 \approx 1{,}301\).
    \(x \approx \dfrac{1{,}301}{0{,}477}\).
    \(x \approx 2{,}73\). Conferindo, \(3^2 = 9\) e \(3^3 = 27\), e o 20 fica entre os dois.
  3. básico

    Uma aplicação rende 10% ao ano. Depois de quantos anos inteiros o saldo passa a ser pelo menos o dobro do inicial?

    Ver resolução
    \(1{,}1^7 \approx 1{,}949\), ainda abaixo de 2, e \(1{,}1^8 \approx 2{,}144\).
    O tempo exato é \(\log 2 / \log 1{,}1 \approx 7{,}27\) anos, mas o rendimento só entra no fim de cada ano.
    8 anos.
  4. básico

    Se os preços subissem 3,5% ao ano, todo ano, em quanto tempo eles dobrariam, pela regra de 70?

    Ver resolução
    \(70 / 3{,}5 = 20\).
    Cerca de 20 anos. A conta exata, \(\log 2 / \log 1{,}035\), dá 20,1 anos.
  5. médio

    Uma população cresce 2% ao ano. Em quantos anos ela triplica? Use \(\log 3 \approx 0{,}4771\) e \(\log 1{,}02 \approx 0{,}0086\).

    Ver resolução
    Queremos \(1{,}02^t = 3\), e \(t = \dfrac{\log 3}{\log 1{,}02} \approx \dfrac{0{,}4771}{0{,}0086}\).
    Cerca de 55,5 anos, se a taxa se mantiver. Taxas de crescimento de população costumam mudar bem antes disso, como mostra o passo 8.
  6. médio

    Resolva \(2^{x + 1} = 3^x\), com \(\log 2 \approx 0{,}301\) e \(\log 3 \approx 0{,}477\).

    Ver resolução
    Aplicando o logaritmo, \((x + 1) \log 2 = x \log 3\).
    \(x (\log 3 - \log 2) = \log 2\), e \(x = \dfrac{0{,}301}{0{,}176}\).
    \(x \approx 1{,}71\).
  7. médio

    Um remédio tem meia-vida de 6 horas no sangue. Em quanto tempo a concentração cai a 10% da inicial? Use \(\log 2 \approx 0{,}301\).

    Ver resolução
    Queremos \((1/2)^{t/6} = 0{,}1\), isto é, \(2^{t/6} = 10\).
    \(\dfrac{t}{6} = \log_2 10 = \dfrac{1}{0{,}301} \approx 3{,}32\).
    Cerca de 19,9 horas, pouco mais de três meias-vidas e um terço.
  8. médio

    Uma dívida cresce 5% ao mês sem pagamento nenhum. Em quantos meses ela dobra? Compare com a regra de 70.

    Ver resolução
    \(t = \dfrac{\log 2}{\log 1{,}05} \approx \dfrac{0{,}3010}{0{,}0212} \approx 14{,}2\).
    A regra dá \(70 / 5 = 14\).
    Cerca de 14,2 meses, e a regra de 70 erra por pouco mais de 0,2 mês.
  9. desafio

    Uma grandeza dobra a cada 10 anos. Mostre que ela quadruplica em 20 anos e calcule a taxa anual de crescimento. A regra de 70 concorda?

    Ver resolução
    Com \(N(t) = N_0 \cdot 2^{t/10}\), \(N(20) = N_0 \cdot 2^2 = 4N_0\).
    A taxa anual vem de \((1 + r)^{10} = 2\), e \(1 + r = 2^{1/10} \approx 1{,}0718\).
    Pela regra, \(70 / 10 = 7\%\).
    A taxa é de cerca de 7,18% ao ano, e a regra de 70 dá 7%, perto disso.
  10. desafio

    Calcule \((1 + 1/n)^n\) para \(n = 1\), \(2\), \(12\) e \(365\) e diga o que essas contas representam numa aplicação que rende 100% ao ano.

    Ver resolução
    \(n = 1\): \(2\). \(n = 2\): \(1{,}5^2 = 2{,}25\). \(n = 12\): \(\approx 2{,}613\). \(n = 365\): \(\approx 2{,}715\).
    Cada conta divide os 100% em \(n\) períodos iguais e aplica \(100\%/n\) sobre o saldo já corrigido.
    O fator cresce com \(n\), cada vez mais devagar, e se aproxima de \(e \approx 2{,}718\). Nenhuma divisão do ano em partes leva o saldo a passar de \(e\) vezes o inicial.
PASSO 7

Por que pH, decibéis e magnitude contam em potências de 10?

Algumas grandezas variam por muitas ordens de grandeza. A concentração de íons H⁺ numa solução vai de mais de 1 mol/L a menos de \(10^{-14}\) mol/L, e a intensidade de um som que ouvimos vai de \(10^{-12}\) a mais de 1 W/m². Numa régua comum, quase todos os valores ficariam espremidos perto do zero. Uma escala logarítmica anota o expoente, e cada passo de uma unidade nela multiplica a grandeza por 10.

O pH é \(-\log[\text{H}^+]\), com a concentração em mol/L. A água pura a 25 °C tem pH 7, as soluções ácidas ficam abaixo e as básicas acima, e descer uma unidade de pH multiplica por 10 a concentração de H⁺. Segundo a NOAA, a superfície do oceano, hoje com pH em torno de 8,1, perdeu 0,1 de pH desde a Revolução Industrial. Parece pouco, e corresponde a cerca de um quarto a mais de H⁺.

O nível sonoro, em decibéis, é \(N = 10 \log(I/I_0)\), com \(I_0 = 10^{-12}\ \text{W/m}^2\). Somar 10 dB multiplica a intensidade por 10, e somar 3 dB quase a dobra. Para o NIDCD, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, sons até 70 dBA dificilmente causam perda auditiva, e a exposição longa ou repetida a partir de 85 dBA pode causá-la.

Na magnitude de um terremoto, cada grau a mais corresponde a uma amplitude 10 vezes maior no sismograma e, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), a cerca de 32 vezes mais energia liberada. A escala de Richter, de 1935, deu origem às escalas usadas hoje, e muitas questões trazem a relação entre magnitude e energia na forma abaixo.

\(\text{pH} = -\log[\text{H}^+]\)\(N = 10 \log \dfrac{I}{I_0}\)\(M_2 - M_1 = \dfrac{2}{3} \log \dfrac{E_2}{E_1}\)\([\text{H}^+]\) em mol/L, \(I\) em W/m² com \(I_0 = 10^{-12}\ \text{W/m}^2\), \(E\) a energia liberada. Da última vem \(E_2/E_1 = 10^{1{,}5\,(M_2 - M_1)}\), e \(10^{1{,}5} \approx 32\).

Para conversar

  • No pH, ponha A na chuva ácida, em 4,3, e B na chuva sem poluição, em 5,6. Quantas vezes mais H⁺ tem a chuva ácida?
  • Ainda no pH, ponha A em 8,1 e B em 8,2, as duas pontas da mudança do oceano. Quanto por cento mudou a concentração?
  • Nos decibéis, ponha A em 60 e B em 90. A intensidade ficou quantas vezes maior? E com B em 63?
  • Na magnitude, compare o Haiti, em 2010, com o Chile, em 1960. Quantas vezes mais energia liberou o terremoto maior?

Cursor A
Cursor B
De A para B
Exercícios do passo 7 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Uma solução tem \([\text{H}^+] = 10^{-3}\) mol/L. Qual é o pH, e ela é ácida ou básica?

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    \(\text{pH} = -\log 10^{-3} = 3\).
    pH 3, abaixo de 7, e a solução é ácida.
  2. básico

    Uma solução tem pH 4 e outra tem pH 6. Quantas vezes maior é a concentração de H⁺ na primeira?

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    \(\dfrac{10^{-4}}{10^{-6}} = 10^2\).
    100 vezes maior. Duas unidades de pH são dois fatores de 10.
  3. básico

    Um som de 80 dB tem quantas vezes a intensidade de um som de 60 dB?

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    Cada 10 dB multiplicam a intensidade por 10, e 20 dB multiplicam por \(10^2\).
    100 vezes.
  4. básico

    Um terremoto de magnitude 7 é comparado com um de magnitude 5. Quantas vezes maior é a amplitude no sismograma? E a energia, usando \(10^{1{,}5}\) por grau?

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    Amplitude, \(10^{7 - 5} = 100\).
    Energia, \(10^{1{,}5 \cdot 2} = 10^3\).
    Amplitude 100 vezes e energia 1000 vezes maior.
  5. médio

    Uma máquina produz \(I = 10^{-5}\ \text{W/m}^2\) no ouvido do operador. Qual é o nível sonoro? E com duas máquinas iguais ligadas juntas? Use \(\log 2 \approx 0{,}3\).

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    \(N = 10 \log \dfrac{10^{-5}}{10^{-12}} = 10 \cdot 7 = 70\) dB.
    Duas máquinas somam as intensidades, \(2 \cdot 10^{-5}\), e \(N = 10\,(\log 2 + 7) \approx 73\) dB.
    70 dB com uma máquina e cerca de 73 dB com duas. Dobrar a intensidade não dobra os decibéis.
  6. médio

    A superfície do oceano passou de pH 8,2 para 8,1. Em quantos por cento aumentou a concentração de H⁺? A NOAA fala em cerca de 30%. Como conciliar os dois números?

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    A razão entre as concentrações é \(10^{-8{,}1}/10^{-8{,}2} = 10^{0{,}1} \approx 1{,}26\), um aumento de 26%.
    Uma queda de 0,11 já daria \(10^{0{,}11} \approx 1{,}29\).
    Cerca de 26% com os valores arredondados. Os 30% da NOAA provavelmente vêm de valores medidos com mais casas, em que a queda fica um pouco acima de 0,1, e numa escala logarítmica uma diferença pequena na segunda casa muda a porcentagem de forma visível.
  7. médio

    No sangue arterial, o pH fica normalmente entre 7,38 e 7,42. Quanto a concentração de H⁺ na ponta ácida passa da concentração na ponta básica?

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    \(\dfrac{10^{-7{,}38}}{10^{-7{,}42}} = 10^{0{,}04} \approx 1{,}10\).
    Cerca de 10%. Uma faixa que parece estreita no pH ainda deixa a concentração variar 10%.
  8. médio

    O terremoto de Tohoku, no Japão, em 2011, teve magnitude 9,1, e o de Maule, no Chile, em 2010, teve 8,8. Compare as amplitudes e as energias.

    Ver resolução
    Amplitude, \(10^{0{,}3} \approx 2\).
    Energia, \(10^{1{,}5 \cdot 0{,}3} = 10^{0{,}45} \approx 2{,}8\).
    O de Tohoku teve amplitude cerca de 2 vezes e energia cerca de 2,8 vezes maior. Três décimos de magnitude não são pouca coisa.
  9. desafio

    Com \(M = \dfrac{2}{3} \log \dfrac{E}{E_0}\), compare a energia liberada pelo terremoto de Valdivia, no Chile, em 1960, de magnitude 9,5, com a do terremoto do Haiti, em 2010, de magnitude 7,0.

    Ver resolução
    Subtraindo as duas magnitudes, \(9{,}5 - 7{,}0\)
    \(= \dfrac{2}{3}\left(\log \dfrac{E_1}{E_0} - \log \dfrac{E_2}{E_0}\right)\)
    \(= \dfrac{2}{3} \log \dfrac{E_1}{E_2}\).
    \(\log \dfrac{E_1}{E_2} = 1{,}5 \cdot 2{,}5 = 3{,}75\), e \(\dfrac{E_1}{E_2} = 10^{3{,}75} \approx 5600\).
    Cerca de 5600 vezes mais energia. O terremoto do Haiti foi muito mais mortal, e a magnitude mede a energia liberada, não o estrago, que depende também da profundidade, da distância das cidades e das construções.
  10. desafio

    Uma pessoa falando produz 60 dB a certa distância. Supondo que as intensidades de várias pessoas, todas à mesma distância, simplesmente se somem, quantas pessoas falando juntas dariam 80 dB? E 85 dB?

    Ver resolução
    Com \(n\) pessoas a intensidade é \(n\) vezes a de uma, e o nível sobe \(10 \log n\).
    Para subir 20 dB, \(\log n = 2\) e \(n = 100\).
    Para subir 25 dB, \(\log n = 2{,}5\) e \(n = 10^{2{,}5} \approx 316\).
    Cerca de 100 pessoas para 80 dB e cerca de 316 para 85 dB. A soma simples das intensidades é um modelo, que tende a valer para fontes independentes, como vozes diferentes.
PASSO 8

Como uma exponencial vira reta?

Num gráfico comum, uma exponencial parece parada no começo e explode no fim, e fica difícil comparar o que aconteceu em cada trecho. No eixo logarítmico, as marcas 1, 10, 100 e 1000 ficam igualmente espaçadas, e distâncias iguais na vertical querem dizer fatores iguais. Aplicando o logaritmo a \(y = a \cdot b^x\), obtemos \(\log y = \log a + x \log b\), e com \(\log y\) no lugar de \(y\) a curva vira uma reta de inclinação \(\log b\).

Lido nesse eixo, um trecho reto quer dizer taxa de crescimento constante, um trecho mais inclinado quer dizer taxa maior, e uma curva que se dobra para baixo quer dizer taxa caindo. Uma parábola como \(x^2\) não vira reta, e o eixo logarítmico ajuda a distinguir um crescimento exponencial de um crescimento que só parece rápido.

\(y = a \cdot b^x\)\(\iff \log y = \log a + x \log b\)\(r = \left(\dfrac{P_2}{P_1}\right)^{1/\Delta t} - 1\)A segunda fórmula dá a taxa média anual que leva \(P_1\) a \(P_2\) em \(\Delta t\) anos. No eixo logarítmico, a inclinação do segmento entre os dois pontos é \(\log(1 + r)\) por ano.

A bancada traz a população do Brasil nos treze censos de 1872 a 2022, segundo o IBGE. Em escala comum, a série parece crescer cada vez mais depressa até por volta de 1980 e depois amansar. Em escala logarítmica ela fica quase reta até 1980, com taxas entre 1,5% e 3% ao ano, e depois se dobra para baixo, até ficar perto de 0,5% ao ano entre 2010 e 2022. A queda da fecundidade é provavelmente a maior parte dessa história, contada em detalhe pela demografia. Os intervalos entre os censos não são iguais. A tabela do IBGE não tem censos em 1910 nem em 1930, e por isso há dois intervalos de 20 anos, e o de 1991 veio onze anos depois do de 1980. A bancada calcula a taxa de cada intervalo pela sua duração.

Para conversar

  • Com a população em escala comum, procure o intervalo de crescimento mais rápido. Troque para a escala logarítmica e procure de novo. A resposta mudou?
  • No eixo logarítmico, ponha o cursor entre 1950 e 1960 e depois entre 2010 e 2022. Quantas vezes a taxa anual diminuiu?
  • Nas curvas, troque o eixo e veja quais delas viram retas. Que inclinação tem cada reta?
  • Ainda nas curvas, compare \(x^2\) com \(2^x\) no eixo logarítmico. A partir de onde a exponencial fica sempre acima?

Início do intervalo
Fim do intervalo
Taxa média anual
Inclinação no eixo log
Exercícios do passo 8 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Num eixo logarítmico, a marca do 10 fica a 2 cm da marca do 1. A que distância do 1 ficam as marcas do 100 e do 1000? E a do 0,1?

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    Cada fator 10 ocupa os mesmos 2 cm.
    100 é \(10^2\) e 1000 é \(10^3\), e 0,1 é \(10^{-1}\).
    4 cm e 6 cm acima do 1, e 2 cm abaixo dele.
  2. básico

    No mesmo eixo, a que distância do 1 fica a marca do 2? Use \(\log 2 \approx 0{,}301\).

    Ver resolução
    A distância é proporcional ao logaritmo, \(0{,}301 \cdot 2\) cm.
    Cerca de 0,6 cm. O 2 fica bem mais perto do 1 do que do 10, ao contrário de uma régua comum.
  3. básico

    Num gráfico de eixo \(y\) logarítmico, a curva de \(y = 5 \cdot 3^x\) é uma reta. Qual é a inclinação, em décadas por unidade de \(x\), e onde ela corta o eixo \(y\)? Use \(\log 3 \approx 0{,}477\).

    Ver resolução
    \(\log y = \log 5 + x \log 3\).
    Inclinação \(\log 3 \approx 0{,}477\), e a reta corta o eixo \(y\) na marca do 5, em \(\log 5 \approx 0{,}7\).
  4. básico

    Pelos censos do IBGE, o Brasil tinha 9.930.478 habitantes em 1872 e 203.080.756 em 2022. Por quanto a população foi multiplicada nesses 150 anos?

    Ver resolução
    \(\dfrac{203\,080\,756}{9\,930\,478} \approx 20{,}5\).
    Cerca de 20,5 vezes, um pouco mais de 4 dobras, porque \(2^4 = 16\) e \(2^5 = 32\).
  5. médio

    Com os números do exercício anterior, qual foi a taxa média anual de crescimento de 1872 a 2022? Use uma calculadora.

    Ver resolução
    \(r = 20{,}45^{1/150} - 1\).
    Pelo logaritmo, \(\log 20{,}45 \approx 1{,}311\), e \(1{,}311 / 150 \approx 0{,}00874\), que dá \(10^{0{,}00874} \approx 1{,}0203\).
    Cerca de 2,0% ao ano em média. A bancada mostra que a taxa variou muito em volta dessa média.
  6. médio

    A população do Brasil foi de 51.944.397 em 1950 para 70.191.370 em 1960, e de 190.755.799 em 2010 para 203.080.756 em 2022. Calcule as taxas médias anuais dos dois intervalos.

    Ver resolução
    1950–1960: \(\left(\dfrac{70\,191\,370}{51\,944\,397}\right)^{1/10}\)
    \(= 1{,}3513^{0{,}1} \approx 1{,}0306\).
    2010–2022: \(\left(\dfrac{203\,080\,756}{190\,755\,799}\right)^{1/12}\)
    \(= 1{,}0646^{1/12} \approx 1{,}0052\).
    Cerca de 3,1% e 0,5% ao ano. A taxa caiu a menos de um quinto, e no eixo logarítmico o segundo segmento é quase horizontal.
  7. médio

    Uma grandeza tem os valores 3, 12, 48 e 192 em \(x = 0, 1, 2, 3\). Num eixo logarítmico os pontos ficam alinhados? Que função passa por eles?

    Ver resolução
    Os quocientes entre vizinhos são todos 4, e a sequência é geométrica.
    Os logaritmos, \(\log 3 + x \log 4\), crescem a passos iguais.
    Ficam alinhados, sobre a reta de inclinação \(\log 4\), e a função é \(y = 3 \cdot 4^x\).
  8. médio

    Os valores 1, 4, 9, 16 e 25, em \(x = 1, 2, 3, 4, 5\), ficam alinhados num eixo \(y\) logarítmico? Por que um gráfico desses ajuda a decidir se um crescimento é exponencial?

    Ver resolução
    Os quocientes entre vizinhos são 4, 2,25, 1,78 e 1,56, e caem.
    No eixo logarítmico os degraus de altura ficam cada vez menores, e os pontos desenham uma curva que se dobra para baixo.
    Não ficam alinhados, porque \(y = x^2\) não é exponencial. Num eixo logarítmico, só a exponencial vira reta, e o desvio da reta aparece a olho.
  9. desafio

    Uma grandeza dobra a cada 3 anos. Num gráfico com eixo \(y\) logarítmico e o tempo em anos, qual é a inclinação da reta? Quantos anos ela leva para subir uma década, isto é, ser multiplicada por 10?

    Ver resolução
    \(y = y_0 \cdot 2^{t/3}\), e \(\log y = \log y_0 + t \cdot \dfrac{\log 2}{3}\).
    A inclinação é \(\dfrac{0{,}301}{3} \approx 0{,}1\) década por ano.
    Uma década pede \(t \cdot 0{,}1 = 1\), cerca de 10 anos, ou, com mais casas, \(3 \log_2 10 \approx 9{,}97\).
    Cerca de 0,1 década por ano, e uma década a cada 10 anos, mais ou menos.
  10. desafio

    Pela Lei de Moore, como aparece numa questão do ENEM de 2018, a densidade de transistores num processador dobraria a cada 2 anos. Se valesse sempre, quanto tempo levaria para a densidade ser multiplicada por um milhão? Use \(\log 2 \approx 0{,}3\).

    Ver resolução
    Precisamos de \(2^{t/2} = 10^6\), e aplicando o logaritmo, \(\dfrac{t}{2} \cdot 0{,}3 = 6\).
    \(t = 40\) anos.
    Cerca de 40 anos, ou 20 dobras, porque \(2^{20} = 1.048.576\). Num eixo logarítmico a Lei de Moore desenha uma reta, e qualquer curvatura nesse gráfico indicaria que a dobra passou a demorar mais ou menos.
FECHAMENTO

Desafios

Passos 3 e 6 · Datação

Num osso encontrado numa escavação, a proporção de carbono-14 é 20% da encontrada num ser vivo. Há quanto tempo o animal morreu? Use a meia-vida de 5700 anos e \(\log 2 \approx 0{,}301\).

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Queremos \((1/2)^{t/5700} = 0{,}2\), isto é, \(2^{t/5700} = 5\).
\(\dfrac{t}{5700} = \log_2 5 = \dfrac{\log 5}{\log 2}\)
\(= \dfrac{1 - 0{,}301}{0{,}301} \approx 2{,}32\).
\(t \approx 2{,}32 \cdot 5700 \approx 13.200\) anos.
Entre duas meias-vidas, quando restaria 25%, e três, quando restaria 12,5%, como esperado. Com 5730 anos, o valor mais antigo da meia-vida, a conta daria cerca de 13.300 anos, uma diferença bem menor que a incerteza da própria datação. A conta supõe que a proporção de carbono-14 na atmosfera foi a mesma de hoje, e as datações reais costumam corrigir esse ponto com curvas de calibração.
Passo 7 · Decibéis

Uma caixa de som produz 80 dB num ponto da sala. Que nível teremos com duas caixas iguais, à mesma distância? Quantas caixas seriam precisas para chegar a 90 dB? Suponha que as intensidades se somem e use \(\log 2 \approx 0{,}3\).

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Com \(n\) caixas a intensidade fica \(n\) vezes maior, e o nível sobe \(10 \log n\).
Duas caixas, \(10 \log 2 \approx 3\) dB a mais, cerca de 83 dB.
Para subir 10 dB, \(\log n = 1\), e \(n = 10\).
Dobrar o número de caixas acrescenta só 3 dB, e são precisas dez caixas para os 10 dB a mais.
Passos 2 e 4 · Inversa

Encontre a inversa de \(f(x) = 10^{x - 1} + 2\), o domínio dela e a assíntota do gráfico de \(f^{-1}\). Confira com \(x = 3\).

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A imagem de \(f\) é \(]2; +\infty[\), porque \(10^{x - 1}\) assume todos os valores positivos.
De \(y = 10^{x - 1} + 2\) vem \(10^{x - 1} = y - 2\) e \(x - 1 = \log(y - 2)\).
Trocando os nomes, \(f^{-1}(x) = 1 + \log(x - 2)\), com domínio \(]2; +\infty[\).
A assíntota horizontal \(y = 2\) de \(f\) vira a assíntota vertical \(x = 2\) da inversa.
Conferindo, \(f(3) = 10^2 + 2 = 102\) e \(f^{-1}(102) = 1 + \log 100 = 3\).
Passos 1 e 6 · Somar ou multiplicar

Duas propostas de salário começam em R$ 3000. A primeira dá R$ 300 de aumento por ano, e a segunda dá 6% de aumento por ano. A partir de que ano a segunda passa a pagar mais?

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Depois de \(n\) anos, a primeira paga \(3000 + 300n\) e a segunda \(3000 \cdot 1{,}06^n\). Dividindo por 3000, comparamos \(1 + 0{,}1n\) com \(1{,}06^n\).
Com uma calculadora, \(1{,}06^{17} \approx 2{,}693\), ainda abaixo de 2,7, e \(1{,}06^{18} \approx 2{,}854\), acima de 2,8.
A segunda proposta só passa a pagar mais no 18º ano. Antes disso, a primeira pagou mais em todos os anos, e quem pensa ficar pouco tempo no emprego provavelmente prefere ela.
Passo 5 · Régua de cálculo

Na régua de cálculo, como se faz 3,5 × 4? Onde se lê o resultado, e por que ele aparece como 1,4?

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\(\log 3{,}5 + \log 4 \approx 0{,}544 + 0{,}602\)
\(= 1{,}146\), mais que o comprimento inteiro da régua.
Pomos então o 10 da régua de cima sobre o 3,5 de baixo, o que desconta 1 da soma. Embaixo do 4 de cima lemos \(10^{0{,}146} \approx 1{,}4\).
A régua não guarda a vírgula, e quem a usa decide a ordem de grandeza de cabeça, aqui \(3{,}5 \times 4\) perto de \(4 \times 4 = 16\). O resultado é 14.
Passos 6 e 8 · População

De 2010 a 2022, a população do Brasil cresceu em média 0,52% ao ano, segundo os censos, e chegou a 203,1 milhões. Se essa taxa se mantivesse, em que ano o país chegaria a 250 milhões?

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Queremos \(1{,}0052^t = \dfrac{250}{203{,}1} \approx 1{,}231\).
\(t = \dfrac{\log 1{,}231}{\log 1{,}0052} \approx \dfrac{0{,}0903}{0{,}00225} \approx 40\) anos.
Seria por volta de 2062. A bancada do passo 8 mostra que a taxa caiu de censo para censo desde 1960, e se a queda continuar, o país pode não chegar a esse número. A conta mostra o que a taxa daria, sem prever o que vai acontecer.
Passos 2 e 6 · Equação

Resolva \(4^x - 3 \cdot 2^x - 4 = 0\).

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Como \(4^x = (2^x)^2\), chamamos \(u = 2^x\) e a equação vira \(u^2 - 3u - 4 = 0\), com raízes \(u = 4\) e \(u = -1\).
\(2^x\) é sempre positivo, e \(u = -1\) não serve.
De \(2^x = 4\) vem \(x = 2\). Conferindo, \(16 - 12 - 4 = 0\).

Questões no estilo ENEM

Escrevemos as cinco questões abaixo no formato do ENEM, com um texto-base tirado do cotidiano, um comando e cinco alternativas, e cada uma retoma um passo diferente da aula. Mais embaixo listamos questões reais da prova sobre os mesmos temas, conferidas nos cadernos do INEP.

  1. Crescer multiplicando · Passo 1

    Às 8h, Lia enviou uma mensagem a 3 amigos. Cada pessoa que recebe a mensagem a repassa, exatamente uma hora depois, para 3 pessoas que ainda não a receberam, e ninguém recebe a mensagem duas vezes. Às 9h, portanto, 9 pessoas receberam a mensagem pela primeira vez.

    Quantas pessoas receberam a mensagem pela primeira vez às 12h?

    1. 15
    2. 81
    3. 243
    4. 363
    5. 729
    Ver resolução
    Resposta: C.
    A cada hora, o número de pessoas novas fica multiplicado por 3: 3 às 8h, 9 às 9h, 27 às 10h, 81 às 11h e 243 às 12h, isto é, \(3 \cdot 3^4 = 3^5\).
    Os 15 vêm de somar 3 a cada hora, como numa progressão aritmética. Os 81 param uma hora antes, e os 729 andam uma hora a mais. Os 363 são o total de pessoas que receberam das 8h às 12h, \(3 + 9 + 27 + 81 + 243\), e respondem a outra pergunta.
    O modelo supõe que sempre há gente nova para receber. Numa cidade real, depois de algumas horas, a mensagem começaria a chegar a quem já a tinha, e o crescimento perderia o ritmo.
  2. Meia-vida · Passo 3

    O iodo-131, usado no tratamento de doenças da tireoide, tem meia-vida de cerca de 8 dias. Suponha que um hospital adote a regra de só descartar um frasco com restos desse material quando a atividade dele ficar abaixo de 1/100 da atividade do dia em que o frasco foi fechado.

    Considere 0,30 como aproximação para \(\log 2\). Qual é o menor número inteiro de dias que o frasco precisa esperar?

    1. 16
    2. 40
    3. 54
    4. 56
    5. 800
    Ver resolução
    Resposta: C.
    A atividade depois de \(t\) dias é \(A_0 \cdot (1/2)^{t/8}\), e queremos \((1/2)^{t/8} < \dfrac{1}{100}\), isto é, \(2^{t/8} > 100\).
    Aplicando o logaritmo, \(\dfrac{t}{8} \cdot 0{,}30 > 2\), e \(t > 53{,}3\). O menor inteiro é 54.
    Os 56 dias contam 7 meias-vidas inteiras, quando a atividade já caiu a 1/128, um pouco mais do que a regra pede. Os 40 dias são 5 meias-vidas, quando resta 1/32, e os 16 dias, 2 meias-vidas. Os 800 dias tratam o decaimento como se ele tirasse 1/100 da atividade a cada 8 dias.
  3. Propriedades do logaritmo · Passo 5

    Um site exige senhas de 8 caracteres, cada um escolhido entre 62 símbolos, as 26 letras minúsculas, as 26 maiúsculas e os 10 algarismos, com repetição permitida. O número de senhas possíveis é \(62^8\).

    Considere 1,79 como aproximação para \(\log 62\). Escrito por extenso, o número de senhas possíveis tem quantos algarismos?

    1. 14
    2. 15
    3. 16
    4. 62
    5. 496
    Ver resolução
    Resposta: B.
    Pela regra da potência, \(\log 62^8 = 8 \cdot 1{,}79 = 14{,}32\), e \(62^8 = 10^{14{,}32}\).
    Esse número fica entre \(10^{14}\), que tem 15 algarismos, e \(10^{15}\), que já tem 16, e todo número desse intervalo tem 15 algarismos.
    A alternativa A confunde o expoente com o número de algarismos, e \(10^{14}\) é o menor número com 15. A C arredonda o logaritmo para cima antes de contar. O 62 é só o número de símbolos possíveis para um caractere, e o 496 multiplica 62 por 8. O valor exato, 218.340.105.584.896, confirma os 15 algarismos.
  4. Escalas logarítmicas · Passo 7

    Num bar, o som ambiente chega a 95 dB, enquanto uma conversa normal fica em torno de 65 dB. O nível sonoro, em decibéis, é dado por \(N = 10 \log \dfrac{I}{I_0}\), em que \(I\) é a intensidade do som e \(I_0\) é uma intensidade de referência.

    A intensidade do som no bar é quantas vezes a intensidade de uma conversa normal?

    1. 1,46
    2. 30
    3. 300
    4. 1000
    5. \(10^{30}\)
    Ver resolução
    Resposta: D.
    Subtraindo os dois níveis, \(95 - 65 = 10 \log \dfrac{I_1}{I_0} - 10 \log \dfrac{I_2}{I_0}\)
    \(= 10 \log \dfrac{I_1}{I_2}\).
    \(\log \dfrac{I_1}{I_2} = 3\), e \(\dfrac{I_1}{I_2} = 10^3\).
    A alternativa A divide 95 por 65, como se a escala fosse proporcional, e a B toma a diferença de 30 dB como um fator. A C multiplica 30 por 10, e a E esquece de dividir por 10.
    Segundo o NIDCD, a exposição longa ou repetida a partir de 85 dBA pode causar perda auditiva, e os 95 dB do bar ficam acima desse limite.
  5. Eixo logarítmico · Passo 8

    Num laboratório, o número de bactérias de uma cultura foi contado a cada 2 horas. O gráfico abaixo usa um eixo vertical logarítmico, em que cada marca vale 10 vezes a marca de baixo, e os pontos ficaram sobre uma reta.

    10²10³10⁴ 10⁵10⁶ 024 68 bactériastempo (h)

    Supondo que a cultura cresça sempre no mesmo ritmo, por qual fator o número de bactérias fica multiplicado a cada hora?

    1. 2
    2. \(\sqrt{10} \approx 3{,}16\)
    3. 5
    4. 10
    5. 100
    Ver resolução
    Resposta: B.
    Uma reta num eixo logarítmico quer dizer crescimento exponencial, \(N(t) = 100 \cdot b^t\). Pelo gráfico, a cada 2 horas o número sobe uma marca, isto é, fica multiplicado por 10.
    Em 2 horas o fator é \(b^2 = 10\), e por hora, \(b = \sqrt{10} \approx 3{,}16\). Conferindo, \(\sqrt{10} \cdot \sqrt{10} = 10\).
    Quem divide os 10 por 2, como se o crescimento fosse por soma, chega a 5. O 10 é o fator de 2 horas, e o 100, o de 4 horas. O 2 pode vir de ler o próprio espaçamento das contagens como fator.
    No gráfico, a reta tracejada até 8 h prevê um milhão de bactérias, uma previsão que depende de a cultura continuar com espaço e alimento.

Questões reais do ENEM sobre este tema

Todas estão no caderno azul do 2º dia, o de Ciências da Natureza e Matemática, e podem ser conferidas nos arquivos de provas do INEP.

  • ENEM 2011, 2º dia, caderno azul, questão 137. A escala de magnitude de momento liga a magnitude \(M_W\) ao momento sísmico \(M_0\) por um logaritmo, e a questão pede o \(M_0\) do terremoto de Kobe, de 1995, a partir da magnitude.
  • ENEM 2013, 2º dia, caderno azul, questão 166. O césio-137 do acidente de Goiânia tem meia-vida de 30 anos, e com uma aproximação de \(\log 2\) calculamos em quanto tempo a massa cai a 10% da inicial.
  • ENEM 2016, 2º dia, caderno azul, questão 160. Uma liga metálica sai do forno a 3000 °C e perde 1% da temperatura a cada 30 minutos, e o logaritmo dá o tempo até ela chegar a 30 °C.
  • ENEM 2016, 2º dia, caderno azul, questão 180. Os terremotos do Japão, em 2011, e de Sichuan, em 2013, de magnitudes 9,0 e 7,0, são comparados pela energia liberada, com a magnitude escrita como logaritmo da energia.
  • ENEM 2018, 2º dia, caderno azul, questão 174. Pela Lei de Moore, a densidade de transistores num processador dobra a cada dois anos, e precisamos achar o ano em que ela chega a 100 bilhões por centímetro quadrado.
  • ENEM 2023, 2º dia, caderno azul, questão 152. Uma indústria escolhe a medida de proteção de cada operário pelo nível sonoro em decibéis, e calculamos esse nível para uma máquina nova a partir da intensidade do som.
  • ENEM 2024, 2º dia, caderno azul, questão 148. A temperatura de uma caneca que sai do micro-ondas é modelada por \(T(t) = a + 80 \cdot b^t\), e identificamos as constantes \(a\) e \(b\) a partir do gráfico.
  • ENEM 2024, 2º dia, caderno azul, questão 170. Dois terremotos, um com um décimo da energia do outro, são comparados por uma relação logarítmica entre magnitude e energia.

Provas e gabaritos do ENEM no site do INEP →

Cola da aula

Progressões, começando em \(a_0\)\(a_0 + k\,n\) e \(a_0 \cdot b^{\,n}\)
Função exponencial\(f(x) = a \cdot b^x\), com \(b > 0\) e \(b \ne 1\)
Com \(a > 0\)domínio \(\mathbb{R}\), imagem \(]0; +\infty[\); cresce com \(b > 1\) e decresce com \(0 < b < 1\)
Meia-vida \(T\)\(N(t) = N_0 \cdot (1/2)^{t/T}\)
Logaritmo\(\log_b x = y \iff b^{\,y} = x\), com \(x > 0\)
Inversas uma da outra\(b^{\log_b x} = x\) e \(\log_b b^{\,y} = y\)
Produto e quociente\(\log(xy) = \log x + \log y\), \(\log \frac{x}{y} = \log x - \log y\)
Potência e mudança de base\(\log x^k = k \log x\), \(\log_b x = \dfrac{\log x}{\log b}\)
Equação exponencial\(b^{\,x} = c \iff x = \dfrac{\log c}{\log b}\)
Tempo para multiplicar por \(k\)\(\dfrac{\log k}{\log(1 + r)}\); para dobrar, cerca de \(70/(100\,r)\)
Escalas\(\text{pH} = -\log[\text{H}^+]\), \(N = 10 \log(I/I_0)\)
Eixo logarítmico\(y = a \cdot b^x\) vira a reta \(\log y = \log a + x \log b\)
O que vale um passo em cada escala
EscalaGrandezaEfeito de um passo
pHconcentração de H⁺, em mol/L1 a menos no pH multiplica a concentração por 10
decibéisintensidade do som, em W/m²10 dB a mais multiplicam a intensidade por 10, e 3 dB a mais quase a dobram
magnitudeamplitude e energia de um terremoto1 a mais multiplica a amplitude por 10 e a energia por cerca de 32