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Matemática · Ensino Médio · Funções

Funções

O preço da carne depende do peso na balança, a temperatura da tarde depende da hora, e a conta de luz depende do consumo do mês. Em cada caso uma grandeza fica determinada pela outra, e o gráfico deixa ver essa dependência inteira de uma vez, com os máximos, os trechos de subida e de descida e os saltos. A regra que devolve exatamente uma saída para cada entrada é o que chamamos de função.

  1. 1O que é uma função
  2. 2Domínio e imagem
  3. 3Leitura de gráficos
  4. 4Taxa de variação
  5. 5Funções por partes
  6. 6Transformações
  7. 7Composição
  8. 8Inversa
  9. ✓Desafios
PASSO 1

Que regra merece o nome de função?

Uma função de A em B é uma regra que associa a cada elemento do conjunto de partida A um único elemento do conjunto de chegada B. Podemos imaginá-la como uma máquina que recebe uma entrada e devolve uma saída, sempre a mesma para a mesma entrada.

Duas entradas podem dar a mesma saída. Se Ana e Bia tiraram 8 na prova, a regra que leva cada aluno à sua nota continua sendo função, porque cada aluna tem uma nota só. A definição proíbe duas coisas, a mesma entrada com duas saídas, como na relação que leva o 4 às duas raízes quadradas, 2 e −2, e uma entrada sem saída nenhuma.

No plano cartesiano, a entrada \(x\) fica no eixo horizontal e a saída \(y\) no vertical. Uma curva é o gráfico de uma função de \(x\) quando toda reta vertical a corta no máximo uma vez. Esse teste da reta vertical traduz para o desenho a exigência de uma única saída por entrada, e uma reta vertical que não toca a curva só diz que aquele \(x\) está fora do domínio.

\(f: A \to B\)\(x \mapsto y = f(x)\)Para cada \(x \in A\) existe um, e só um, \(y \in B\) com \(y = f(x)\). Chamamos \(y\) de imagem de \(x\), e o passo 2 trata do domínio e da imagem da função inteira.

Para conversar

  • Na relação entre aluno e nota, arraste a ponta da flecha de Caio até o 8. Agora três alunos têm a mesma nota. A relação deixou de ser função?
  • Escolha "± raiz" e toque no 4 para ver o que a máquina devolve. Depois apague uma flecha de cada número que sai com duas. Que regra conhecida sobra?
  • No preço do quilo, arraste do 1 kg uma flecha nova até R$ 45. O que a máquina responde para 1 kg, e o que isso significaria na balança do açougue?
  • No modo da reta vertical, escolha o círculo e leve a reta até x = 2. Quantos cortes aparecem ali, e quantos logo à esquerda? Repita com a parábola deitada perto de x = 0.
É função?
Onde falha
Imagem dos pares
Exercícios do passo 1 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Com \(A = \{1, 2, 3\}\) e \(B = \{4, 5, 6\}\), a relação \(\{(1, 4), (2, 5), (3, 5)\}\) é uma função de A em B?

    Ver resolução
    Cada elemento de A aparece como primeira coordenada exatamente uma vez, o 1 com o 4, o 2 com o 5 e o 3 com o 5.
    O 2 e o 3 têm a mesma saída, o que a definição permite, e o 6 fica sem flecha chegando, o que ela também permite.
    Sim, é função.
  2. básico

    Com os mesmos conjuntos, a relação \(\{(1, 4), (1, 5), (2, 6), (3, 6)\}\) é uma função de A em B?

    Ver resolução
    O 1 sai com duas flechas, uma para o 4 e outra para o 5, e a regra não diz qual das duas é a saída de 1.
    Não é função, por causa do 1.
  3. básico

    Com \(A = \{0, 1, 2, 3\}\), a relação \(\{(0, 1), (1, 2), (2, 3)\}\) é uma função de A em \(\mathbb{N}\)?

    Ver resolução
    Cada elemento listado tem uma saída só, mas o 3 está em A e não tem saída nenhuma.
    Não é função de A em \(\mathbb{N}\). Seria uma função de \(\{0, 1, 2\}\) em \(\mathbb{N}\).
  4. básico

    A regra que leva cada pessoa à sua data de nascimento é uma função? E a regra que leva cada data às pessoas nascidas nela?

    Ver resolução
    Cada pessoa nasceu num dia só, e por isso a primeira regra dá uma única saída por entrada. Muitas pessoas compartilham a data, o que não atrapalha.
    Na segunda regra, uma mesma data leva a várias pessoas, e há datas em que, num grupo pequeno, ninguém nasceu.
    A primeira é função e a segunda não é.
  5. médio

    Para \(f: \mathbb{R} \to \mathbb{R}\) dada por \(f(x) = 3x - 2\), calcule \(f(0)\) e \(f(-1)\), e encontre o \(x\) com \(f(x) = 10\).

    Ver resolução
    \(f(0) = 3 \cdot 0 - 2 = -2\) e \(f(-1) = 3 \cdot (-1) - 2 = -5\).
    Para a saída 10, resolvemos \(3x - 2 = 10\), que dá \(3x = 12\).
    \(f(0) = -2\), \(f(-1) = -5\) e \(x = 4\).
  6. médio

    A circunferência \(x^2 + y^2 = 25\) é o gráfico de uma função de \(x\)? Se não for, que parte dela é?

    Ver resolução
    A reta vertical \(x = 3\) corta a circunferência em \((3, 4)\) e em \((3, -4)\), duas saídas para a mesma entrada.
    Resolvendo para \(y\), \(y = \pm\sqrt{25 - x^2}\). Ficando só com o sinal positivo, cada \(x\) de \([-5; 5]\) tem uma saída.
    Não é. A metade de cima, \(y = \sqrt{25 - x^2}\), é o gráfico de uma função, e a de baixo também.
  7. médio

    Quais das equações definem \(y\) como função de \(x\) em todo o plano: (a) \(y = |x|\), (b) \(|y| = x\), (c) \(x = 3\), (d) \(y = 3\)?

    Ver resolução
    (a) Para cada \(x\) o valor absoluto é um número só.
    (b) Com \(x = 2\), tanto \(y = 2\) quanto \(y = -2\) servem.
    (c) A própria curva é uma reta vertical, e a entrada \(x = 3\) aparece com todos os valores de \(y\), enquanto as outras entradas não têm saída.
    (d) Cada \(x\) tem a saída 3, uma reta horizontal que passa no teste.
    (a) e (d) são funções de \(x\); (b) e (c) não são.
  8. médio

    A curva \(y^2 = x + 1\) é o gráfico de uma função de \(x\)? E \(x\) é função de \(y\) nessa curva?

    Ver resolução
    Com \(x = 3\), \(y^2 = 4\), e a reta vertical \(x = 3\) corta a curva em \(y = 2\) e em \(y = -2\).
    Isolando \(x\), temos \(x = y^2 - 1\), uma única saída para cada \(y\).
    \(y\) não é função de \(x\), mas \(x\) é função de \(y\), \(x = y^2 - 1\). A curva é uma parábola deitada.
  9. desafio

    Quantas funções diferentes existem de \(A = \{1, 2\}\) em \(B = \{a, b, c\}\)? Em quantas delas a imagem tem um elemento só?

    Ver resolução
    Uma função fica determinada pela saída de cada elemento de A. O 1 tem 3 escolhas e o 2 tem outras 3, independentes.
    Isso dá \(3 \cdot 3 = 9\) funções.
    A imagem tem um elemento só quando 1 e 2 vão para o mesmo lugar, o que pode acontecer de 3 maneiras.
    9 funções, e 3 delas têm imagem com um só elemento.
  10. desafio

    O gráfico de uma função passou no teste da reta vertical. Refletido pela reta \(y = x\), ele continua passando? Dê um exemplo e diga quando isso acontece.

    Ver resolução
    A reflexão troca \(x\) com \(y\), e as retas verticais da figura nova correspondem às retas horizontais da figura antiga.
    A parábola \(y = x^2\) passa no teste, e a refletida, \(x = y^2\), não passa, porque a horizontal \(y = 4\) cortava a original em \(x = 2\) e em \(x = -2\).
    Nem sempre. A figura refletida passa no teste quando a original é cortada no máximo uma vez por toda reta horizontal, isto é, quando entradas diferentes dão saídas diferentes. O passo 8 volta a essa ideia, na inversa.
PASSO 2

Que valores entram, e que valores saem?

Uma função vem com três conjuntos, e a regra sozinha não basta para descrevê-la. O domínio é o conjunto dos valores de \(x\) que a função aceita como entrada, o contradomínio é o conjunto em que as saídas moram, e a imagem reúne só as saídas que de fato aparecem.

Quando ninguém diz qual é o domínio, tomamos o maior conjunto em que a conta pode ser feita, que chamamos de domínio natural. Duas contas costumam tirar números dele. A raiz quadrada de um número negativo não existe entre os reais, e por isso \(\sqrt{x}\) só aceita \(x \ge 0\), e a divisão por zero não tem resultado, o que tira o 0 do domínio de \(1/x\).

No gráfico, o domínio é a sombra que a curva projeta no eixo \(x\), e a imagem é a sombra que ela projeta no eixo \(y\). A imagem cabe sempre dentro do contradomínio e pode ser bem menor que ele, como em \(x^2\), que tem contradomínio \(\mathbb{R}\) e nunca dá um número negativo.

Escrevemos esses conjuntos como intervalos. O colchete voltado para dentro, como em [2; 5], diz que a ponta pertence ao intervalo, e o colchete virado para fora, como em ]2; 5[, diz que ela fica de fora. O infinito leva sempre o colchete aberto. É a notação das escolas brasileiras, com ponto e vírgula entre as pontas porque a vírgula já serve de separador decimal.

\(f: A \to B\)\(D(f) = A\)\(\text{Im}(f) \subset B\)\(D(f)\) é o domínio, \(B\) é o contradomínio e \(\text{Im}(f) = \{\,f(x) : x \in A\,\}\) é a imagem. Nos intervalos, [a; b] tem as duas pontas, ]a; b[ não tem nenhuma, e [a; +∞[ reúne todos os números a partir de a.

Para conversar

  • Escolha \(x^2\) e use as alças para restringir o domínio a [0; 2]. Depois leve a alça da esquerda até −2 e compare as duas imagens. Por que a faixa do eixo \(y\) não cresceu junto com a do eixo \(x\)?
  • Escolha \(\sqrt{x}\) e arraste a alça da esquerda para os negativos. Onde ela para, e o que a regra precisaria fazer do outro lado?
  • Em \(1/x\), deixe o 0 dentro do intervalo e compare a imagem com a de [1; 4]. O que acontece com a faixa do eixo \(y\) quando uma alça chega perto do zero?
  • Com \(\operatorname{sen} x\), alargue o intervalo aos poucos até a imagem parar de crescer. Depois mude a posição das alças sem mudar a largura. Que largura garante a imagem [−1; 1] em qualquer posição?
Regra
Domínio
Imagem
Exercícios do passo 2 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Qual é o domínio natural de \(f(x) = \sqrt{x - 3}\)?

    Ver resolução
    A raiz quadrada só existe entre os reais quando o radicando não é negativo, \(x - 3 \ge 0\).
    Isso dá \(x \ge 3\).
    \(D(f) = [3; +\infty[\)
  2. básico

    Qual é o domínio natural de \(f(x) = \dfrac{5}{x + 2}\)?

    Ver resolução
    A conta só falha quando o denominador zera, \(x + 2 = 0\), ou seja, em \(x = -2\).
    Todos os outros reais servem.
    \(D(f) = \mathbb{R} - \{-2\}\), que também escrevemos \(]-\infty; -2[ \cup ]-2; +\infty[\).
  3. básico

    A função \(f: \mathbb{R} \to \mathbb{R}\) é dada por \(f(x) = x^2\). Qual é o contradomínio, qual é a imagem, e o número \(-1\) pertence a qual deles?

    Ver resolução
    O contradomínio é o conjunto que aparece depois da flecha, \(\mathbb{R}\).
    Um quadrado nunca é negativo, e todo \(y \ge 0\) é o quadrado de \(\sqrt{y}\), e assim a imagem é \([0; +\infty[\).
    Contradomínio \(\mathbb{R}\), imagem \([0; +\infty[\). O \(-1\) está no contradomínio e fora da imagem.
  4. básico

    Escreva na notação de intervalo os conjuntos \(\{x \in \mathbb{R} \mid -2 < x \le 5\}\) e \(\{x \in \mathbb{R} \mid x \ge 1\}\).

    Ver resolução
    No primeiro, o \(-2\) fica de fora e o 5 fica dentro, e por isso o colchete do \(-2\) vira para fora.
    No segundo, o 1 fica dentro e o intervalo não tem fim à direita, o que pede colchete aberto no infinito.
    \(]-2; 5]\) e \([1; +\infty[\)
  5. médio

    Qual é o domínio natural de \(f(x) = \dfrac{\sqrt{4 - x}}{x - 1}\)?

    Ver resolução
    A raiz pede \(4 - x \ge 0\), isto é, \(x \le 4\).
    A fração pede \(x - 1 \ne 0\), isto é, \(x \ne 1\).
    As duas condições valem ao mesmo tempo, e o 1 sai do intervalo \(]-\infty; 4]\).
    \(D(f) = ]-\infty; 1[ \cup ]1; 4]\)
  6. médio

    Restrinja \(f(x) = x^2\) ao domínio \([-1; 3]\). Qual é a imagem? Muita gente responde \([1; 9]\). Onde está o erro?

    Ver resolução
    Nas pontas temos \(f(-1) = 1\) e \(f(3) = 9\), e a resposta \([1; 9]\) supõe que o menor valor está numa ponta.
    O zero, porém, está dentro do intervalo, e \(f(0) = 0\) é menor que 1.
    Entre 0 e 3 a função cresce de 0 até 9, e entre \(-1\) e 0 ela só passa por valores de 0 a 1, que já estão cobertos.
    \(\text{Im}(f) = [0; 9]\). O mínimo aparece no meio do intervalo, em \(x = 0\).
  7. médio

    O gráfico de uma função \(f\) é uma linha sem saltos que vai do ponto \((-2, 3)\), marcado com bolinha cheia, ao ponto \((4, -1)\), marcado com bolinha vazia, descendo o tempo todo. Quais são o domínio e a imagem de \(f\)?

    Ver resolução
    A sombra do gráfico no eixo \(x\) vai de \(-2\), que pertence ao gráfico, até 4, que não pertence.
    No eixo \(y\), a sombra vai de 3, incluído, até \(-1\), excluído, porque a função só desce.
    \(D(f) = [-2; 4[\) e \(\text{Im}(f) = ]-1; 3]\)
  8. médio

    A função \(f: A \to B\), com \(A = \{0, 1, 2, 3\}\) e \(B = \{1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8\}\), é dada por \(f(x) = 2x + 1\). Qual é a imagem, e quais elementos do contradomínio ficam sem flecha chegando?

    Ver resolução
    Calculando, \(f(0) = 1\), \(f(1) = 3\), \(f(2) = 5\) e \(f(3) = 7\).
    A imagem é \(\{1, 3, 5, 7\}\), contida em \(B\) como deve ser.
    \(\text{Im}(f) = \{1, 3, 5, 7\}\), e os números 2, 4, 6 e 8 estão no contradomínio sem ser imagem de nenhum \(x\).
  9. desafio

    Qual é o domínio natural de \(f(x) = \dfrac{1}{\sqrt{x^2 - 4x}}\)?

    Ver resolução
    A raiz pede \(x^2 - 4x \ge 0\), e o denominador não pode ser zero, o que torna a desigualdade estrita, \(x^2 - 4x > 0\).
    Fatorando, \(x(x - 4) > 0\). O produto é positivo quando os dois fatores têm o mesmo sinal, ou seja, para \(x < 0\) ou para \(x > 4\).
    \(D(f) = ]-\infty; 0[ \cup ]4; +\infty[\)
  10. desafio

    A função \(f(x) = \dfrac{1}{x}\) tem domínio \([-2; 0[ \cup ]0; 4]\). Qual é a imagem, e o 0 pertence a ela?

    Ver resolução
    Em \([-2; 0[\), \(1/x\) começa em \(f(-2) = -0{,}5\) e desce sem limite à medida que \(x\) se aproxima de 0 pela esquerda, o que dá \(]-\infty; -0{,}5]\).
    Em \(]0; 4]\), a função vem de valores tão grandes quanto quisermos e desce até \(f(4) = 0{,}25\), o que dá \([0{,}25; +\infty[\).
    Uma fração com numerador 1 nunca vale zero.
    \(\text{Im}(f) = ]-\infty; -0{,}5] \cup [0{,}25; +\infty[\), e o 0 fica de fora.
PASSO 3

O que um gráfico de dados conta?

Um gráfico de dados guarda uma tabela inteira num desenho. Dele lemos o valor num instante, os trechos em que a grandeza cresce e aqueles em que decresce, o máximo e o mínimo, e os zeros, os instantes em que a grandeza vale zero e o sinal pode trocar.

A bancada traz duas séries reais. A primeira é a temperatura do ar medida de hora em hora pela estação do INMET no Mirante de Santana, em São Paulo, num dia seco de inverno, 16 de agosto de 2024. A segunda é o volume do Sistema Cantareira, que abastece boa parte da Grande São Paulo, no dia 1 de cada mês de 2013 a 2016, os anos da crise hídrica.

\(y(t) = y_i + \dfrac{y_{i+1} - y_i}{x_{i+1} - x_i}\,(t - x_i)\)É o valor que o cursor lê entre duas medidas vizinhas, com \(x_i \le t \le x_{i+1}\). Sobre uma medida, \(t = x_i\), e o valor lido é o próprio \(y_i\).

Os pontos são as medidas, e os segmentos que os ligam são uma escolha nossa. Entre duas medidas não sabemos o que aconteceu, e a reta supõe que a grandeza variou de modo regular, o que parece razoável para a temperatura de hora em hora e é menos seguro com medidas separadas por um mês.

O índice do Cantareira que usamos desconta a reserva técnica, a água que fica abaixo das tomadas normais e que só sai com bombas. Com o índice negativo, o volume útil já tinha acabado. Os rios continuavam trazendo água, e o que faltava para manter a captação, já reduzida, passou a ser tirado da reserva. Os dois zeros do gráfico marcam o esgotamento do volume útil, em 2014, e a sua recuperação, no fim de 2015.

Para conversar

  • Com a temperatura, arraste o cursor pela madrugada até achar o mínimo. Por que o dia tende a ficar mais frio logo antes do nascer do sol do que à meia-noite?
  • Leve o cursor até o meio de duas horas cheias, como 13h30. O valor lido foi medido pela estação? De onde ele vem?
  • Troque para o Cantareira e encontre os dois zeros. Por quantos meses, mais ou menos, o índice ficou negativo?
  • No Cantareira, procure o trecho de descida mais longo. Em que mês ele começa e em que mês termina, e o que a série faz logo depois?

No cursor
Trecho
Máximo
Mínimo
Zeros
Exercícios do passo 3 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Numa cidade, a temperatura foi medida às 6h, 9h, 12h, 15h e 18h, com os valores 12, 18, 25, 27 e 21 °C. Quais são o máximo, o mínimo e a amplitude térmica dessas medidas?

    Ver resolução
    O maior valor é 27 °C, às 15h, e o menor é 12 °C, às 6h.
    A amplitude é a diferença entre os dois, \(27 - 12 = 15\).
    Máximo de 27 °C às 15h, mínimo de 12 °C às 6h e amplitude de 15 °C.
  2. básico

    Na bancada, em 16/08/2024, a maior temperatura medida no Mirante de Santana foi 30,9 °C, às 15h, e a menor foi 14,5 °C, às 6h. Qual foi a amplitude térmica, e quantas horas a temperatura levou para ir do mínimo ao máximo?

    Ver resolução
    A amplitude é \(30{,}9 - 14{,}5 = 16{,}4\).
    Das 6h às 15h passam 9 horas, todas num trecho em que a série só cresce.
    16,4 °C, em 9 horas.
  3. básico

    Uma função \(f\), de gráfico sem saltos, cresce em \([0; 3]\) e decresce em \([3; 7]\), com \(f(0) = -2\), \(f(3) = 4\) e \(f(7) = -1\). Quantos zeros ela tem em \([0; 7]\), e qual é o máximo?

    Ver resolução
    Em \([0; 3]\) a função sobe de \(-2\) até 4 e passa pelo zero uma única vez, porque só sobe.
    Em \([3; 7]\) ela desce de 4 até \(-1\) e passa de novo pelo zero uma vez só.
    Dois zeros, um em \(]0; 3[\) e outro em \(]3; 7[\). O máximo é \(f(3) = 4\).
  4. básico

    A temperatura era 20 °C às 10h e 24 °C às 11h. Ligando as duas medidas por um segmento, que valor lemos às 10h30? Esse valor foi medido?

    Ver resolução
    Meia hora é metade do intervalo, e o segmento sobe metade de \(24 - 20 = 4\), isto é, 2 °C.
    \(20 + 2 = 22\).
    22 °C, um valor que vem do segmento e não de uma medida. A temperatura real às 10h30 pode ter sido um pouco diferente.
  5. médio

    Uma série tem \(x = 0, 1, 2, 3, 4, 5\) e \(y = 3, 1, -2, -1, 2, 4\). Ligando os pontos por segmentos, onde ficam os zeros, e onde a série é positiva?

    Ver resolução
    O sinal troca entre \(x = 1\) e \(x = 2\), em que \(y\) cai de 1 para \(-2\). O segmento perde 3 em uma unidade e chega a zero depois de perder 1, em \(x = 1 + \tfrac{1}{3}\).
    Entre \(x = 3\) e \(x = 4\), \(y\) sobe de \(-1\) para 2, e o zero fica em \(x = 3 + \tfrac{1}{3}\).
    Zeros em \(x = \tfrac{4}{3}\) e \(x = \tfrac{10}{3}\). A série é positiva em \([0; \tfrac{4}{3}[\) e em \(]\tfrac{10}{3}; 5]\), e negativa entre os dois zeros.
  6. médio

    No Cantareira, o índice foi de 62,8% em 1/5/2013 a \(-24{,}3\)% em 1/2/2015, descendo o tempo todo. Quanto ele caiu, em média, por mês?

    Ver resolução
    A variação foi \(-24{,}3 - 62{,}8 = -87{,}1\) pontos percentuais.
    De maio de 2013 a fevereiro de 2015 passam 21 meses.
    \(-87{,}1 / 21 \approx -4{,}1\).
    Cerca de 4,1 pontos percentuais por mês. O passo 4 dá nome a essa conta, a taxa de variação média.
  7. médio

    Uma grandeza vale 10, 14, 17, 19 e 20 em cinco medidas igualmente espaçadas. Ela cresce em todo o intervalo? O crescimento é sempre do mesmo tamanho?

    Ver resolução
    Cada valor é maior que o anterior, e a série cresce em todo o intervalo.
    Os aumentos, porém, são 4, 3, 2 e 1, cada vez menores.
    Cresce sempre, cada vez mais devagar. O gráfico sobe e vai se achatando.
  8. médio

    O arquivo do INMET também traz, para cada hora, a maior temperatura registrada na hora anterior. Em 16/08/2024, entre 15h e 16h, ela chegou a 31,4 °C, acima dos 30,9 °C da bancada. Como as duas coisas podem ser verdade?

    Ver resolução
    A série da bancada guarda uma leitura por hora cheia, e o máximo do gráfico é o maior desses números.
    Entre duas leituras a temperatura continuou mudando, e a estação registrou um pico de 31,4 °C no meio da hora, que nenhuma das leituras horárias pegou.
    O máximo de uma série de medidas é o máximo do que foi medido. O máximo real do dia pode ter ficado entre duas medidas.
  9. desafio

    No Cantareira, o índice valia 1,8% em 1/7/2014 e \(-3{,}3\)% em 1/8/2014, e depois \(-9{,}7\)% em 1/12/2015 e 0,7% em 1/1/2016. Ligando os pontos por segmentos, estime quando o índice cruzou o zero nas duas vezes e por quanto tempo ficou negativo.

    Ver resolução
    Na primeira vez, o segmento perde \(1{,}8 + 3{,}3 = 5{,}1\) pontos em um mês, e chega a zero depois de perder 1,8, em \(1{,}8 / 5{,}1 \approx 0{,}35\) mês, perto do dia 11 de julho.
    Na segunda, ganha \(9{,}7 + 0{,}7 = 10{,}4\) pontos em um mês e chega a zero depois de \(9{,}7 / 10{,}4 \approx 0{,}93\) mês, perto do fim de dezembro.
    De meados de julho de 2014 ao fim de dezembro de 2015 são cerca de 17,6 meses.
    Cerca de um ano e meio. Nos dados diários da Sabesp, o índice ficou negativo de 11/07/2014 a 30/12/2015, bem perto do que os segmentos estimam.
  10. desafio

    Uma grandeza que varia sem saltos valia 5 em \(t = 2\) e \(-3\) em \(t = 6\). Ela passou pelo zero entre esses instantes? Quantas vezes? E o que o segmento entre as duas medidas diz?

    Ver resolução
    Para ir de um valor positivo a um negativo sem saltar, a grandeza precisa passar pelo zero ao menos uma vez.
    Nada impede que ela tenha descido, subido e descido de novo, cruzando o zero três vezes, e as duas medidas não distinguem esses casos.
    O segmento cai 8 em 4 unidades de tempo, 2 por unidade, e chega a zero em \(t = 2 + 5/2 = 4{,}5\).
    Passou ao menos uma vez, e o número exato de vezes não se decide com duas medidas. O segmento dá um único zero, em \(t = 4{,}5\), que é uma estimativa.
PASSO 4

Quão depressa uma grandeza muda?

Entre dois valores da entrada, \(a\) e \(b\), a função passa de \(f(a)\) para \(f(b)\). A taxa de variação média divide a mudança na saída pela mudança na entrada e diz quanto \(y\) muda, em média, para cada unidade de \(x\).

No gráfico, os pontos \((a, f(a))\) e \((b, f(b))\) determinam uma reta, a secante. Quando andamos \(\Delta x\) para a direita, ela sobe \(\Delta y\), e a taxa média é a sua inclinação. Taxa positiva quer dizer secante subindo, taxa negativa quer dizer secante descendo, e a taxa zero aparece sempre que \(f(a) = f(b)\), por mais que a curva tenha oscilado entre os dois pontos.

Num gráfico da posição \(s\) contra o tempo \(t\), a mesma conta dá a velocidade média, \(\Delta s / \Delta t\), que a aula de Cinemática trata em detalhe. Na temperatura do passo 3, ela diz quantos graus o ar ganhou por hora. Das 6h às 12h de 16/08/2024 a temperatura foi de 14,5 °C a 28,5 °C, cerca de 2,3 °C por hora, e essa média junta horas de subida rápida com horas de subida lenta.

Quando aproximamos B de A, a secante passa a cortar a curva em dois pontos quase iguais e tende a uma reta que só encosta na curva em A. A taxa média num trecho tão curto descreve o que a função faz ali, naquele ponto, e essa ideia volta mais adiante no estudo de limites.

\(\dfrac{\Delta y}{\Delta x} = \dfrac{f(b) - f(a)}{b - a}\)Vale para \(a \ne b\). A unidade da taxa é a unidade de \(y\) dividida pela de \(x\), como °C por hora ou km por hora.

Para conversar

  • Em \(x^2\), ponha A em −2 e B em 2. A taxa média dá zero, e a curva nem por isso ficou parada entre os dois pontos. O que ela fez no caminho?
  • Em \(2^x\), mantenha B uma unidade à direita de A e leve o par da esquerda para a direita. O que acontece com a taxa, e o que isso diz sobre o crescimento da exponencial?
  • Escolha a temperatura e ponha A às 6h e B às 15h. Depois traga B para as 12h. Em qual dos dois trechos o ar esquentou mais depressa, em média?
  • Em \(\operatorname{sen} x\), aproxime B de A até quase encostar, em vários lugares da curva. Onde a secante fica horizontal, e onde ela fica mais inclinada?
Ponto A
Ponto B
Δx
Δy
Taxa média
Exercícios do passo 4 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Qual é a taxa de variação média de \(f(x) = x^2\) entre \(x = 1\) e \(x = 3\)?

    Ver resolução
    \(f(1) = 1\) e \(f(3) = 9\).
    \(\dfrac{\Delta y}{\Delta x} = \dfrac{9 - 1}{3 - 1} = \dfrac{8}{2} = 4\).
    A taxa média é 4. Entre 1 e 3, \(y\) cresce em média 4 para cada unidade de \(x\).
  2. básico

    Um carro está no km 20 de uma estrada às 8h e no km 140 às 10h. Qual foi a sua velocidade média nesse intervalo?

    Ver resolução
    A posição mudou \(\Delta s = 140 - 20 = 120\) km em \(\Delta t = 10 - 8 = 2\) h.
    \(\Delta s / \Delta t = 120 / 2 = 60\).
    60 km/h, a inclinação da secante no gráfico da posição contra o tempo.
  3. básico

    Na bancada, a temperatura em São Paulo era 14,5 °C às 6h e 28,5 °C às 12h de 16/08/2024. Quantos graus por hora o ar ganhou, em média, nessa manhã?

    Ver resolução
    \(\Delta y = 28{,}5 - 14{,}5 = 14\) °C e \(\Delta x = 12 - 6 = 6\) h.
    \(14 / 6 \approx 2{,}33\).
    Cerca de 2,3 °C por hora, em média. Hora a hora, os aumentos foram de 0,5 °C a 3,4 °C.
  4. básico

    Calcule a taxa de variação média de \(f(x) = 3x - 2\) entre \(-1\) e \(4\), e depois entre \(10\) e \(20\). Por que as duas dão o mesmo número?

    Ver resolução
    Entre \(-1\) e 4, \(\dfrac{10 - (-5)}{4 - (-1)} = \dfrac{15}{5} = 3\).
    Entre 10 e 20, \(\dfrac{58 - 28}{20 - 10} = \dfrac{30}{10} = 3\).
    O gráfico é uma reta, e toda secante coincide com ela.
    As duas valem 3, o coeficiente de \(x\). Numa função afim a taxa média é a mesma em qualquer intervalo.
  5. médio

    Para \(f(x) = 2^x\), calcule a taxa média entre 0 e 1, entre 1 e 2 e entre 2 e 3. O que os resultados mostram?

    Ver resolução
    Entre 0 e 1, \((2 - 1)/1 = 1\).
    Entre 1 e 2, \((4 - 2)/1 = 2\).
    Entre 2 e 3, \((8 - 4)/1 = 4\).
    Taxas 1, 2 e 4. Com intervalos de mesma largura, a taxa dobra a cada passo, e a exponencial cresce cada vez mais depressa.
  6. médio

    A taxa média de \(\operatorname{sen} x\) entre 0 e \(\pi\) é zero. Isso quer dizer que a função ficou constante nesse intervalo?

    Ver resolução
    \(\operatorname{sen} 0 = 0\) e \(\operatorname{sen} \pi = 0\), e a taxa é \(0/\pi = 0\).
    No meio do caminho, porém, o seno sobe até 1 em \(x = \pi/2\) e volta.
    Não. A taxa média só compara as pontas, e uma subida seguida de uma descida do mesmo tamanho dá taxa zero.
  7. médio

    Na bancada, a temperatura era 30,9 °C às 15h e 23,8 °C às 20h. Qual foi a taxa média nesse trecho, e o que o sinal indica?

    Ver resolução
    \(\Delta y = 23{,}8 - 30{,}9 = -7{,}1\) °C em \(\Delta x = 5\) h.
    \(-7{,}1 / 5 = -1{,}42\).
    \(-1{,}42\) °C por hora. O sinal negativo indica que a temperatura caiu, e a secante desce da esquerda para a direita.
  8. médio

    Sabe-se que \(f(1) = 5\) e que a taxa de variação média de \(f\) entre 1 e 4 vale \(-2\). Quanto vale \(f(4)\)?

    Ver resolução
    \(\dfrac{f(4) - f(1)}{4 - 1} = -2\), e assim \(f(4) - 5 = -6\).
    \(f(4) = -1\).
  9. desafio

    Para \(f(x) = x^2\), calcule a taxa média entre 2 e \(2 + h\), com \(h \ne 0\). O que acontece com ela quando \(h\) vale 0,1, depois 0,01, depois 0,001?

    Ver resolução
    \(\dfrac{(2 + h)^2 - 4}{h} = \dfrac{4h + h^2}{h} = 4 + h\).
    Para \(h = 0{,}1\), \(0{,}01\) e \(0{,}001\), a taxa vale 4,1, 4,01 e 4,001.
    A taxa é \(4 + h\) e se aproxima de 4 à medida que \(h\) encolhe. A secante tende à reta de inclinação 4 que só encosta na parábola em \((2, 4)\).
  10. desafio

    Mostre que a taxa média de \(f(x) = x^2\) entre \(a\) e \(b\), com \(a \ne b\), vale \(a + b\). Em que intervalo de largura 2 essa taxa é zero?

    Ver resolução
    \(\dfrac{b^2 - a^2}{b - a} = \dfrac{(b - a)(b + a)}{b - a} = a + b\).
    Com \(b = a + 2\), a taxa \(2a + 2\) zera em \(a = -1\).
    No intervalo \([-1; 1]\), simétrico em torno do vértice, onde \(f(-1) = f(1)\).
PASSO 5

E quando a regra muda no meio do caminho?

Uma função definida por partes divide o domínio em faixas e usa uma regra diferente em cada faixa. Muitas tarifas funcionam assim, e o gráfico costuma denunciar as viradas de faixa, com quinas ou com saltos.

A conta de água da Sabesp na Região Metropolitana de São Paulo cobra um valor fixo pelos primeiros 10 m³ do mês, e quem gasta 3 m³ paga o mesmo que quem gasta 10. A partir daí, cada metro cúbico custa mais caro conforme a faixa em que cai, e o preço mais alto vale só para a parte do consumo que entra na faixa. O gráfico segue sem saltos e fica mais inclinado a cada virada, e cada quina marca uma troca de preço por m³.

O imposto de renda segue a mesma ideia, com alíquotas no lugar dos preços por m³. Quem ganha um pouco acima de uma virada paga a alíquota maior só sobre esse pouco, e por isso passar de faixa nunca faz a renda líquida cair. Em 2026 a Lei nº 15.270/2025 acrescentou à tabela uma redução que zera o imposto de quem recebe até R$ 5 mil por mês e diminui o de quem recebe até R$ 7.350, e a bancada mostra só a tabela progressiva.

O frete por peso tem outra forma. Cada faixa tem um preço único, e o pacote paga o preço inteiro da faixa em que cai. O gráfico é feito de degraus, com saltos nas viradas. A bolinha cheia no fim de cada degrau diz que o peso da virada ainda pertence à faixa de baixo, e a bolinha vazada no começo do degrau seguinte diz que ali a regra nova ainda não vale.

\(f(x) = \begin{cases} f_1(x), & x \le x_1 \\ f_2(x), & x_1 < x \le x_2 \\ \;\vdots \end{cases}\)Em cada faixa vale uma regra. Nas tarifas progressivas as regras se emendam nas viradas e o gráfico só faz quina. Nas tabelas em degraus elas não se emendam e o gráfico salta.

Para conversar

  • Na conta de água, leve o consumo de 0 a 10 m³. O que acontece com o valor a pagar, e quanto custa o próximo m³ em cada ponto?
  • Ponha o consumo em 20 m³ e depois em 21 m³. A conta saltou, ou só passou a subir mais depressa? Compare com o frete entre 2 kg e 2,1 kg.
  • No imposto, escolha uma renda logo acima de uma virada de faixa. Quanto do imposto vem da alíquota nova? Confira na conta faixa a faixa.
  • No frete, procure dois pesos diferentes que paguem o mesmo valor. O que isso diz sobre a inversa dessa função, que o passo 8 vai tratar?

Valor a pagar
Faixa atual
Próximo m³
Exercícios do passo 5 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Pela tabela residencial da Sabesp de 2026, os primeiros 10 m³ custam R$ 40,42 no mês. Quanto paga de água uma família que consumiu 8 m³? E uma que consumiu 3 m³?

    Ver resolução
    Os dois consumos ficam dentro da faixa mínima, que cobra um valor fixo.
    R$ 40,42 nos dois casos. Até 10 m³ o gráfico é um trecho horizontal.
  2. básico

    Na mesma tabela, de 10 a 20 m³ cada m³ custa R$ 6,40. Quanto paga de água uma família que consumiu 18 m³?

    Ver resolução
    Os primeiros 10 m³ custam R$ 40,42.
    Os 8 m³ seguintes caem na segunda faixa, \(8 \times 6{,}40 = 51{,}20\).
    \(40{,}42 + 51{,}20 = 91{,}62\).
    R$ 91,62 pela água.
  3. básico

    Na tabela de frete da bancada, pacotes de 1 kg a 2 kg pagam R$ 32 e pacotes de 2 kg a 5 kg pagam R$ 45, com o 2 kg na faixa de baixo. Quanto custa mandar 1,8 kg? E 2,1 kg?

    Ver resolução
    1,8 kg fica na faixa até 2 kg, que custa R$ 32 inteiros.
    2,1 kg passa da virada e cai na faixa de 2 a 5 kg.
    R$ 32 e R$ 45. Os 300 gramas a mais custam R$ 13.
  4. básico

    Seja \(f(x) = x + 1\) para \(x < 2\) e \(f(x) = 5 - x\) para \(x \ge 2\). Calcule \(f(0)\), \(f(2)\) e \(f(5)\). O gráfico salta em \(x = 2\)?

    Ver resolução
    \(f(0) = 0 + 1 = 1\), \(f(2) = 5 - 2 = 3\) e \(f(5) = 5 - 5 = 0\).
    Pela esquerda, \(x + 1\) se aproxima de 3 quando \(x\) chega a 2, o mesmo valor de \(f(2)\).
    \(f(0) = 1\), \(f(2) = 3\), \(f(5) = 0\). As duas regras se emendam em \((2, 3)\), e o gráfico faz uma quina sem saltar.
  5. médio

    Com a tabela residencial da Sabesp de 2026 (R$ 40,42 até 10 m³, R$ 6,40 por m³ de 10 a 20 e R$ 15,95 por m³ de 20 a 50), quanto custa a água de 30 m³? Onde há coleta de esgoto, que é cobrada pela mesma tabela, quanto fica a conta inteira?

    Ver resolução
    Faixa mínima, R$ 40,42.
    De 10 a 20 m³, \(10 \times 6{,}40 = 64{,}00\).
    De 20 a 30 m³, \(10 \times 15{,}95 = 159{,}50\).
    Água, \(40{,}42 + 64{,}00 + 159{,}50 = 263{,}92\).
    R$ 263,92 pela água e R$ 527,84 com o esgoto.
  6. médio

    Uma pessoa com renda tributável de R$ 3.000 por mês viu na tabela que a faixa dela tem alíquota de 15% e concluiu que paga \(0{,}15 \times 3000 = 450\) reais de imposto. Onde está o erro? Use a tabela de 2026, sem a redução.

    Ver resolução
    A alíquota de 15% vale só para a parte da renda acima de R$ 2.826,65.
    Até R$ 2.428,80, nada.
    De R$ 2.428,80 a R$ 2.826,65, \(397{,}85 \times 0{,}075 \approx 29{,}84\).
    De R$ 2.826,65 a R$ 3.000, \(173{,}35 \times 0{,}15 \approx 26{,}00\).
    Pela parcela a deduzir da Receita, \(0{,}15 \times 3000 - 394{,}16 = 55{,}84\), o mesmo valor.
    R$ 55,84. Aplicar a alíquota da última faixa sobre a renda toda cobra 15% de reais que estão em faixas mais baratas.
  7. médio

    Pela tabela progressiva de 2026, o imposto sobre R$ 5.000 é \(0{,}275 \times 5000 - 908{,}73\). Quanto dá, e que porcentagem da renda isso representa? Por que o valor fica tão abaixo de 27,5%?

    Ver resolução
    \(1375 - 908{,}73 = 466{,}27\).
    \(466{,}27 / 5000 \approx 0{,}093\).
    R$ 466,27, cerca de 9,3% da renda. A bancada mostra R$ 466,28 porque soma faixa a faixa, e a Receita arredonda a parcela a deduzir ao centavo, o que pode deixar os dois caminhos um centavo distantes. Os 27,5% só incidem sobre o que passa de R$ 4.664,68, e as faixas de baixo pesam menos. Em 2026, a redução da Lei nº 15.270/2025 ainda zera esse imposto.
  8. médio

    No frete da bancada, quanto valem \(F(2)\) e \(F(2{,}001)\)? Que bolinhas aparecem no gráfico em \(x = 2\), e o que cada uma quer dizer?

    Ver resolução
    O 2 pertence à faixa de 1 a 2 kg, e \(F(2) = 32\).
    Qualquer peso logo acima de 2 cai na faixa seguinte, e \(F(2{,}001) = 45\).
    Bolinha cheia em \((2, 32)\), porque o ponto pertence ao gráfico, e bolinha vazada em \((2, 45)\), porque o degrau de cima começa logo depois do 2 sem incluí-lo.
  9. desafio

    A parcela a deduzir da faixa de 15% da tabela de 2026 é R$ 394,16. Mostre de onde vem esse número, sabendo que o imposto sobre R$ 2.826,65 é R$ 29,84.

    Ver resolução
    Na faixa de 15%, o imposto é o valor da virada mais 15% do que passa dela, \(29{,}84 + 0{,}15\,(x - 2826{,}65)\).
    Abrindo os parênteses, o imposto fica \(0{,}15x - (0{,}15 \times 2826{,}65 - 29{,}84)\).
    Como \(0{,}15 \times 2826{,}65 \approx 424{,}00\), o que se subtrai é \(424{,}00 - 29{,}84\).
    \(424{,}00 - 29{,}84 = 394{,}16\). A parcela a deduzir é o desconto que transforma a conta faixa a faixa numa única multiplicação.
  10. desafio

    A parte de água de uma conta residencial da Sabesp de 2026 veio em R$ 200,12. Quantos m³ a família consumiu?

    Ver resolução
    Até 20 m³ a água custa no máximo \(40{,}42 + 64{,}00 = 104{,}42\), menos que a conta.
    O consumo passou de 20 m³, e o que sobra, \(200{,}12 - 104{,}42 = 95{,}70\), foi pago a R$ 15,95 o m³.
    \(95{,}70 / 15{,}95 = 6\).
    26 m³. A conta inverte a função faixa a faixa, primeiro achando a faixa e depois resolvendo a regra dela.
PASSO 6

Como mexer num gráfico sem refazer a conta?

Muitas funções que aparecem nos problemas são uma curva conhecida que foi deslocada, esticada ou espelhada. O gráfico de \(y = 2(x - 1)^2 + 3\) é a parábola de \(x^2\) levada uma unidade para a direita, esticada duas vezes na vertical e erguida três unidades. Quatro números descrevem essas mudanças, e cada um age de um jeito.

O \(k\), somado do lado de fora, sobe a curva inteira quando é positivo e a desce quando é negativo. O \(h\), subtraído do \(x\) lá dentro, leva a curva para os lados, e com \(h\) positivo ela anda para a direita. Isso costuma parecer ao contrário, já que o sinal que aparece na fórmula é o de menos. A curva nova chega em \(x = h\) ao valor que a antiga tinha em \(x = 0\), e por isso tudo nela acontece \(h\) unidades mais tarde.

O \(a\) multiplica as saídas e estica a curva na vertical, ou a achata quando fica entre −1 e 1. Com \(a\) negativo as saídas trocam de sinal, e o gráfico se espelha no eixo \(x\). O \(b\) multiplica a entrada e age na horizontal ao contrário do que o número sugere. Com \(b = 2\) a curva chega a cada valor na metade do caminho e fica comprimida, e com \(b\) negativo a entrada troca de sinal e o gráfico se espelha no eixo \(y\).

\(y = a\,f\big(b\,(x - h)\big) + k\)Com \(a \ne 0\) e \(b \ne 0\), o ponto \((x_0, y_0)\) do gráfico de \(f\) vai para \(\big(h + x_0/b,\ a\,y_0 + k\big)\). Os parâmetros \(a\) e \(k\) agem nas saídas e mexem na vertical, e \(b\) e \(h\) agem na entrada e mexem na horizontal.

Lida de dentro para fora, a fórmula subtrai \(h\), multiplica por \(b\), aplica \(f\), multiplica por \(a\) e soma \(k\). É uma cadeia de funções aplicadas uma depois da outra, a composição que o passo 7 trata com calma.

Para conversar

  • Escolha \(x^2\) e leve \(h\) para 2. Para onde foi o vértice? Escreva a fórmula com \(x - 2\) e confira que \(x = 2\) zera o parêntese.
  • Com \(|x|\), aperte "Espelhar no eixo y". A curva mudou? Faça o mesmo com \(2^x\) e explique a diferença.
  • Em \(\operatorname{sen} x\), ponha \(b = 2\) e depois \(b = 0{,}5\). Quantas ondas cabem na tela em cada caso, e o que aconteceu com a altura delas?
  • Em \(1/x\), mexa em \(h\) e em \(k\) e acompanhe as duas retas de que a curva se aproxima sem tocar. Que parâmetro move cada uma?
Ponto marcado
O que cada número faz
Exercícios do passo 6 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    A partir do gráfico de \(y = x^2\), descreva o de \(y = (x + 3)^2 - 2\). Onde fica o vértice?

    Ver resolução
    Na forma \(a\,f\big(b\,(x - h)\big) + k\), o parêntese \(x + 3\) é \(x - (-3)\), e assim \(h = -3\) e \(k = -2\), com \(a = b = 1\).
    O vértice de \(x^2\), em \((0, 0)\), vai para \((-3, -2)\).
    A parábola anda 3 unidades para a esquerda e desce 2, com vértice em \((-3, -2)\).
  2. básico

    O gráfico de \(y = \sqrt{x}\) começa na origem. Onde começa o de \(y = \sqrt{x - 4} + 1\), e qual é o domínio dessa função?

    Ver resolução
    Aqui \(h = 4\) e \(k = 1\), e a origem vai para \((4, 1)\).
    A raiz pede \(x - 4 \ge 0\), ou seja, \(x \ge 4\).
    Começa em \((4, 1)\), e o domínio é \([4; +\infty[\).
  3. básico

    Que fórmula descreve o gráfico de \(y = |x|\) espelhado no eixo \(x\) e depois erguido 3 unidades?

    Ver resolução
    Espelhar no eixo \(x\) troca o sinal das saídas, \(a = -1\), e dá \(y = -|x|\).
    Erguer 3 unidades soma 3 do lado de fora, \(k = 3\).
    \(y = -|x| + 3\), um V de cabeça para baixo com o bico em \((0, 3)\).
  4. básico

    O gráfico de \(y = 2^x\) passa por \((0, 1)\). Por onde passa o de \(y = 3 \cdot 2^x\)? E o de \(y = 2^{-x}\)?

    Ver resolução
    Com \(a = 3\), a altura do ponto é multiplicada por 3, e \((0, 1)\) vai para \((0, 3)\).
    Com \(b = -1\), a abscissa vira \(0/(-1) = 0\), e o ponto fica em \((0, 1)\). A curva inteira, porém, se espelha no eixo \(y\).
    \((0, 3)\) e \((0, 1)\). A segunda curva é o espelho de \(2^x\) no eixo \(y\) e decresce, já que \(2^{-x} = (1/2)^x\).
  5. médio

    Compare \(y = 2\operatorname{sen} x\) com \(y = \operatorname{sen}(2x)\). Qual das duas tem imagem \([-2; 2]\), e qual tem período \(\pi\)?

    Ver resolução
    Em \(2\operatorname{sen} x\), \(a = 2\) multiplica as saídas, a imagem passa a \([-2; 2]\) e as ondas mantêm a largura \(2\pi\).
    Em \(\operatorname{sen}(2x)\), \(b = 2\) faz a curva chegar a cada valor na metade do caminho, e uma onda inteira cabe em \(2\pi / 2 = \pi\). A altura continua entre \(-1\) e 1.
    \(2\operatorname{sen} x\) tem imagem \([-2; 2]\), e \(\operatorname{sen}(2x)\) tem período \(\pi\).
  6. médio

    O ponto \((2, 5)\) está no gráfico de uma função \(f\). Que ponto está, com certeza, no gráfico de \(y = 3f(x - 1) - 4\)?

    Ver resolução
    Com \(a = 3\), \(b = 1\), \(h = 1\) e \(k = -4\), o ponto vai para \(\big(1 + 2,\ 3 \cdot 5 - 4\big) = (3, 11)\).
    Conferindo, em \(x = 3\) o parêntese vale \(3 - 1 = 2\), \(f(2) = 5\) e \(3 \cdot 5 - 4 = 11\).
    \((3, 11)\)
  7. médio

    Escreva \(y = x^2 - 6x + 11\) na forma \(a(x - h)^2 + k\) e descreva o gráfico a partir do de \(x^2\).

    Ver resolução
    \(x^2 - 6x + 9 = (x - 3)^2\), e assim \(x^2 - 6x + 11 = (x - 3)^2 + 2\).
    Isso dá \(a = 1\), \(h = 3\) e \(k = 2\).
    \(y = (x - 3)^2 + 2\), a parábola de \(x^2\) levada 3 unidades para a direita e 2 para cima, com vértice em \((3, 2)\).
  8. médio

    O gráfico de \(y = 1/x\) se aproxima, sem tocar, das retas \(x = 0\) e \(y = 0\), as suas assíntotas. Quais são as assíntotas de \(y = \dfrac{1}{x - 2} + 1\), e quais são o domínio e a imagem dessa função?

    Ver resolução
    Com \(h = 2\), a assíntota vertical anda de \(x = 0\) para \(x = 2\).
    Com \(k = 1\), a horizontal sobe de \(y = 0\) para \(y = 1\).
    A curva de \(1/x\) não passa por \(x = 0\) nem por \(y = 0\), e a nova não passa pelas retas deslocadas.
    Assíntotas \(x = 2\) e \(y = 1\), domínio \(\mathbb{R} - \{2\}\) e imagem \(\mathbb{R} - \{1\}\).
  9. desafio

    Um estudante diz que o gráfico de \(y = \sqrt{2x - 6}\) é o de \(\sqrt{x}\) comprimido duas vezes e levado 6 unidades para a direita. Corrija, escrevendo a função na forma \(f\big(b\,(x - h)\big)\).

    Ver resolução
    Pondo o 2 em evidência, \(2x - 6 = 2(x - 3)\), e assim \(b = 2\) e \(h = 3\).
    O gráfico começa onde o radicando zera, \(2x - 6 = 0\), em \(x = 3\).
    Comprimir e depois levar 6 para a direita daria \(\sqrt{2(x - 6)} = \sqrt{2x - 12}\), outra função.
    \(y = \sqrt{2(x - 3)}\), comprimida duas vezes e levada 3 unidades para a direita. O 6 da fórmula já é o \(h\) multiplicado por \(b\).
  10. desafio

    Uma função é par quando \(f(-x) = f(x)\) para todo \(x\) do domínio. Mostre que espelhar no eixo \(y\) o gráfico de uma função par não muda nada, e decida se \(f(x) = x^2 + x\) é par.

    Ver resolução
    Espelhar no eixo \(y\) é tomar \(b = -1\), o que dá \(y = f(-x)\). Para uma função par, \(f(-x) = f(x)\), e a fórmula é a mesma.
    Para \(x^2 + x\), \(f(1) = 2\) e \(f(-1) = 0\), e um único \(x\) com \(f(-x) \ne f(x)\) basta.
    O espelho é \(y = x^2 - x\), com vértice em \((\tfrac{1}{2}, -\tfrac{1}{4})\), enquanto o de \(f\) fica em \((-\tfrac{1}{2}, -\tfrac{1}{4})\).
    \(x^2 + x\) não é par. O espelho dela é outra parábola, \(x^2 - x\). Na bancada, \(x^2\) e \(|x|\) são pares, e por isso o botão do eixo \(y\) não as muda.
PASSO 7

O que acontece quando uma função alimenta a outra?

Numa compra feita no exterior com cartão, o preço em dólares passa por algumas contas até virar o valor da fatura. Cada conta é uma função, e a saída de uma vira a entrada da seguinte. Essa ligação em série se chama composição.

Escrevemos \((g \circ f)(x) = g(f(x))\) e lemos "g composta com f". A conta começa por dentro, com \(f\) aplicada a \(x\), e só depois \(g\) age sobre o resultado. A notação engana quem lê da esquerda para a direita, porque a função escrita primeiro é a última a agir.

A ordem costuma mudar o resultado. Se uma máquina converte dólares em reais multiplicando por 5 e a outra soma uma tarifa de 10, converter e depois somar dá \(5x + 10\), e somar e depois converter dá \(5(x + 10) = 5x + 50\). Quando as duas multiplicam, como o câmbio e o IOF, a ordem deixa de importar, porque \(1{,}035 \cdot 5x = 5 \cdot 1{,}035x\).

A composta só existe onde a cadeia não quebra. Um \(x\) pertence ao domínio de \(g \circ f\) quando está no domínio de \(f\) e quando \(f(x)\) cai no domínio de \(g\). Com \(f(x) = x - 4\) e \(g(x) = \sqrt{x}\), a composta \(g(f(x)) = \sqrt{x - 4}\) aceita só \(x \ge 4\), embora \(f\) aceite qualquer número.

\((g \circ f)(x) = g\big(f(x)\big)\)\(x \in D(g \circ f)\)\(\iff x \in D(f)\ \text{e}\ f(x) \in D(g)\)Primeiro \(f\), depois \(g\). Em geral \(g \circ f \ne f \circ g\), e as duas só coincidem em casos particulares, como o de duas funções que apenas multiplicam.

Para conversar

  • Com câmbio e depois tarifa, leve o preço de US$ 20 a US$ 180. A diferença para a outra ordem muda? Por que ela fica sempre igual?
  • Troque a tarifa pelo IOF e compare as duas ordens. O que essas duas máquinas têm em comum que a tarifa não tinha?
  • Escolha tarifa e IOF. Em uma das ordens o imposto incide também sobre a tarifa. Em qual, e quanto isso custa?
  • Se você fosse o banco e pudesse escolher a ordem do câmbio e da tarifa, qual escolheria? E se fosse o cliente?
Entrada
Depois da 1ª
Depois da 2ª
Na outra ordem
Diferença
Exercícios do passo 7 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Com \(f(x) = 2x + 1\) e \(g(x) = x^2\), calcule \(g(f(3))\) e \(f(g(3))\).

    Ver resolução
    \(f(3) = 7\) e \(g(7) = 49\).
    \(g(3) = 9\) e \(f(9) = 19\).
    \(g(f(3)) = 49\) e \(f(g(3)) = 19\).
  2. básico

    Com \(f(x) = x + 4\) e \(g(x) = 3x\), escreva \((g \circ f)(x)\) e \((f \circ g)(x)\).

    Ver resolução
    \(g(f(x)) = 3(x + 4) = 3x + 12\).
    \(f(g(x)) = 3x + 4\).
    \(3x + 12\) e \(3x + 4\), que diferem por 8 em todo \(x\). O 4 somado antes de multiplicar sai multiplicado por 3.
  3. básico

    Com o câmbio a R$ 5 por dólar e o IOF de 3,5%, quanto aparece na fatura por uma compra de US$ 40? A ordem das contas importa?

    Ver resolução
    Convertendo primeiro, \(5 \cdot 40 = 200\) e \(1{,}035 \cdot 200 = 207\).
    Com o IOF primeiro, \(1{,}035 \cdot 40 = 41{,}40\) dólares e \(5 \cdot 41{,}40 = 207\).
    R$ 207,00 nas duas ordens. As duas contas são multiplicações, e a ordem dos fatores não altera o produto.
  4. básico

    Sabe-se que \(f(1) = 3\), \(f(2) = 1\), \(f(3) = 2\), \(g(1) = 2\), \(g(2) = 3\) e \(g(3) = 1\). Calcule \((g \circ f)(1)\), \((f \circ g)(1)\) e \((f \circ f)(2)\).

    Ver resolução
    \(g(f(1)) = g(3) = 1\).
    \(f(g(1)) = f(2) = 1\).
    \(f(f(2)) = f(1) = 3\).
    1, 1 e 3.
  5. médio

    Com \(f(x) = x^2\) e \(g(x) = x - 3\), escreva \(g \circ f\) e \(f \circ g\) e resolva \(g(f(x)) = f(g(x))\).

    Ver resolução
    \(g(f(x)) = x^2 - 3\) e \(f(g(x)) = (x - 3)^2 = x^2 - 6x + 9\).
    Igualando, \(x^2 - 3 = x^2 - 6x + 9\), o que dá \(6x = 12\).
    \(x = 2\), o único ponto em que as duas compostas coincidem, ambas valendo 1.
  6. médio

    Qual é o domínio de \(g \circ f\), com \(f(x) = 1 - x\) e \(g(x) = \sqrt{x}\)?

    Ver resolução
    \(f\) aceita qualquer real, e \(g\) pede entrada não negativa.
    \(g(f(x)) = \sqrt{1 - x}\) exige \(1 - x \ge 0\), isto é, \(x \le 1\).
    \(D(g \circ f) = ]-\infty; 1]\)
  7. médio

    Escreva \(h(x) = (2x + 5)^3\) como composição de duas funções mais simples. Há uma única maneira?

    Ver resolução
    Com \(f(x) = 2x + 5\) e \(g(x) = x^3\), \(g(f(x)) = (2x + 5)^3\).
    Com \(f(x) = 2x\) e \(g(x) = (x + 5)^3\), também se chega a \(h\).
    \(h = g \circ f\), com \(f(x) = 2x + 5\) e \(g(x) = x^3\). A decomposição não é única.
  8. médio

    Com \(f(x) = ax + 3\) e \(g(x) = 2x - 1\), para que valor de \(a\) vale \(f \circ g = g \circ f\)?

    Ver resolução
    \(f(g(x)) = a(2x - 1) + 3\) \(= 2ax - a + 3\).
    \(g(f(x)) = 2(ax + 3) - 1 = 2ax + 5\).
    Os termos em \(x\) já coincidem, e falta \(-a + 3 = 5\).
    \(a = -2\). Conferindo, as duas compostas dão \(-4x + 5\).
  9. desafio

    Com \(f(x) = x^2 - 2x\) e \(g(x) = x + 1\), escreva \(f \circ g\) e mostre que o gráfico dela é o de \(f\) deslocado. Para que lado, e de quanto?

    Ver resolução
    \(f(g(x)) = (x + 1)^2 - 2(x + 1)\) \(= x^2 + 2x + 1 - 2x - 2\) \(= x^2 - 1\).
    Completando o quadrado, \(f(x) = (x - 1)^2 - 1\), com vértice em \((1, -1)\), e \(f(g(x)) = f(x + 1)\) tem vértice em \((0, -1)\).
    \(f(g(x)) = x^2 - 1\), o gráfico de \(f\) levado 1 unidade para a esquerda. Somar 1 antes de \(f\) é o \(h = -1\) do passo 6.
  10. desafio

    Numa loja, uma compra de \(x\) reais pode receber um desconto de 20%, \(D(x) = 0{,}8x\), e um cupom de R$ 30, \(C(x) = x - 30\). Escreva as duas ordens e diga qual é melhor para o cliente, e por quanto.

    Ver resolução
    Desconto e depois cupom, \(C(D(x)) = 0{,}8x - 30\).
    Cupom e depois desconto, \(D(C(x)) = 0{,}8(x - 30) = 0{,}8x - 24\).
    A diferença é \(30 - 24 = 6\) para qualquer \(x\).
    Aplicar o desconto primeiro sai R$ 6 mais barato. Na outra ordem, o desconto de 20% também reduz o cupom, de 30 para 24.
PASSO 8

Dá para desfazer o que uma função fez?

A inversa de uma função \(f\) é a função que desfaz o que \(f\) fez. Se \(f\) leva a temperatura em graus Celsius à temperatura em graus Fahrenheit, a inversa recebe o valor em Fahrenheit e devolve o Celsius de onde ele veio. Escrevemos \(f^{-1}\), e o expoente aqui é só um nome, sem relação com \(1/f\).

Para desfazer, cada saída precisa ter vindo de uma única entrada, e a função com essa propriedade se chama injetora. A inversa também precisa de uma saída para cada elemento do conjunto de chegada de \(f\), o que pede uma função sobrejetora, aquela cuja imagem é o contradomínio inteiro. Só a função que é as duas coisas, chamada de bijetora, tem inversa. Na prática tomamos a imagem como conjunto de chegada, e o que sobra para conferir é a injetividade.

Trocar a entrada com a saída troca os eixos, e por isso o gráfico de \(f^{-1}\) é o de \(f\) espelhado na reta \(y = x\). A parábola de \(x^2\) em todo \(\mathbb{R}\) falha, porque 2 e −2 dão 4, e o espelho dela é a parábola deitada do passo 1, que não é gráfico de função. Restringindo o domínio a \(x \ge 0\), sobra meia parábola, injetora, cujo espelho é o gráfico de \(\sqrt{x}\). É por isso que a raiz quadrada devolve sempre o número não negativo.

\(f^{-1}\big(f(x)\big) = x\)\(f\big(f^{-1}(y)\big) = y\)\((a, b) \in \text{gráfico de } f\)\(\iff (b, a) \in \text{gráfico de } f^{-1}\)A primeira igualdade vale para todo \(x\) do domínio de \(f\), e a segunda para todo \(y\) da imagem. Para achar a fórmula da inversa, escrevemos \(y = f(x)\), isolamos \(x\) e depois trocamos os nomes das variáveis.

Para conversar

  • Em °C → °F, arraste o ponto até −40. Onde fica o espelho dele, e por que essa temperatura se escreve igual nas duas escalas?
  • Escolha \(x^2\) e puxe a alça do domínio para −2. O que acontece com o espelho, e onde a reta vertical o corta duas vezes?
  • Com \(x^2\) restrita a \(x \ge 0\), ponha o ponto em \(x = 3\) e leia o espelho. Que conta a inversa fez com o 9?
  • Em \(2^x\), leve o ponto para a esquerda. O espelho chega a encostar no eixo \(y\)? Que função é essa inversa?
Entrada x
Saída f(x)
Injetora?
Sobrejetora sobre a imagem?
Fórmula da inversa
Exercícios do passo 8 10 questões · 4 básicas · 4 médias · 2 desafios
  1. básico

    Encontre a inversa de \(f(x) = 3x - 6\) e confira com \(x = 1\).

    Ver resolução
    De \(y = 3x - 6\) vem \(3x = y + 6\) e \(x = \dfrac{y + 6}{3}\).
    Trocando os nomes, \(f^{-1}(x) = \dfrac{x + 6}{3} = \dfrac{x}{3} + 2\).
    Conferindo, \(f(1) = -3\) e \(f^{-1}(-3) = -1 + 2 = 1\).
    \(f^{-1}(x) = \dfrac{x}{3} + 2\)
  2. básico

    A temperatura em Fahrenheit é \(F = 1{,}8\,C + 32\). Que temperatura em Celsius corresponde a 86 °F?

    Ver resolução
    A inversa é \(C = \dfrac{F - 32}{1{,}8}\).
    \(\dfrac{86 - 32}{1{,}8} = \dfrac{54}{1{,}8} = 30\).
    30 °C
  3. básico

    A função \(f(x) = x^2\), com domínio \(\mathbb{R}\), tem inversa? Explique com dois números.

    Ver resolução
    \(f(3) = 9\) e \(f(-3) = 9\).
    Uma inversa teria de levar o 9 de volta a uma entrada só, e há duas candidatas.
    Não tem, porque \(f\) não é injetora em \(\mathbb{R}\). Restrita a \(x \ge 0\), passa a ter, e a inversa é \(\sqrt{x}\).
  4. básico

    O ponto \((2, 7)\) está no gráfico de uma função inversível \(f\). Que ponto está, com certeza, no gráfico de \(f^{-1}\)? Quanto vale \(f^{-1}(7)\)?

    Ver resolução
    \(f(2) = 7\), e a inversa desfaz essa conta, \(f^{-1}(7) = 2\).
    No gráfico, isso troca as coordenadas.
    \((7, 2)\), e \(f^{-1}(7) = 2\).
  5. médio

    Encontre a inversa de \(f(x) = \dfrac{x + 1}{x - 2}\), com \(x \ne 2\). Qual é o domínio da inversa?

    Ver resolução
    De \(y(x - 2) = x + 1\) vem \(yx - 2y = x + 1\), e assim \(x(y - 1) = 2y + 1\).
    Para \(y \ne 1\), \(x = \dfrac{2y + 1}{y - 1}\), e trocando os nomes, \(f^{-1}(x) = \dfrac{2x + 1}{x - 1}\).
    Como \(f(x) = 1 + \dfrac{3}{x - 2}\), o valor 1 nunca sai de \(f\), e a imagem de \(f\) é \(\mathbb{R} - \{1\}\).
    \(f^{-1}(x) = \dfrac{2x + 1}{x - 1}\), com domínio \(\mathbb{R} - \{1\}\), a imagem de \(f\).
  6. médio

    Restrinja \(f(x) = (x - 1)^2\) ao maior intervalo que contém o 3 e em que ela é injetora, e encontre a inversa.

    Ver resolução
    O vértice está em \(x = 1\), e a parábola só sobe a partir dali. O intervalo é \([1; +\infty[\).
    De \(y = (x - 1)^2\) com \(x \ge 1\) vem \(x - 1 = \sqrt{y}\).
    \(f^{-1}(x) = 1 + \sqrt{x}\), com domínio \([0; +\infty[\) e imagem \([1; +\infty[\).
  7. médio

    A função \(f(x) = 2^x\) tem inversa? Qual é o domínio de \(f^{-1}\), e quanto vale \(f^{-1}(32)\)?

    Ver resolução
    \(2^x\) só cresce, e é injetora em \(\mathbb{R}\). A imagem é \(]0; +\infty[\).
    A inversa é o logaritmo de base 2, \(f^{-1}(x) = \log_2 x\), definida na imagem de \(f\).
    \(2^5 = 32\).
    Tem, com domínio \(]0; +\infty[\), e \(f^{-1}(32) = 5\).
  8. médio

    Mostre que \(f(x) = 5 - x\) é a sua própria inversa. O que isso diz sobre o gráfico dela?

    Ver resolução
    De \(y = 5 - x\) vem \(x = 5 - y\), e trocando os nomes, \(f^{-1}(x) = 5 - x = f(x)\).
    Conferindo, \(f(f(x)) = 5 - (5 - x) = x\).
    \(f^{-1} = f\). O gráfico coincide com o seu espelho na reta \(y = x\), e a reta \(y = 5 - x\) é perpendicular a ela.
  9. desafio

    Em que ponto o gráfico de \(f(x) = 2x - 3\) encontra o da sua inversa? Mostre que, para uma função crescente, um encontro desses fica sempre sobre a reta \(y = x\).

    Ver resolução
    \(f^{-1}(x) = \dfrac{x + 3}{2}\). Igualando, \(2x - 3 = \dfrac{x + 3}{2}\), \(4x - 6 = x + 3\), \(x = 3\), e o ponto é \((3, 3)\).
    No caso geral, um ponto \((a, b)\) comum aos dois gráficos dá \(f(a) = b\) e \(f(b) = a\).
    Se fosse \(a < b\), uma função crescente daria \(f(a) < f(b)\), isto é, \(b < a\), uma contradição. O caso \(a > b\) cai na mesma contradição.
    \((3, 3)\). Com \(f\) crescente o encontro tem \(a = b\) e fica sobre \(y = x\). Uma função decrescente pode encontrar a inversa fora dessa reta.
  10. desafio

    A conta de água do passo 5 cobra R$ 40,42 por qualquer consumo até 10 m³ e depois sobe faixa a faixa. Ela tem inversa em \([0; 60]\)? E em \([10; 60]\)?

    Ver resolução
    Em \([0; 10]\) todos os consumos dão R$ 40,42, e a conta não é injetora em \([0; 60]\). Ninguém saberia dizer, pelo valor da água, se a família gastou 3 ou 8 m³.
    A partir de 10 m³ cada faixa cobra um preço positivo por m³, e a conta só cresce. Em \([10; 60]\) ela é injetora, e restrita à sua imagem tem inversa.
    Não em \([0; 60]\), sim em \([10; 60]\). O desafio 10 do passo 5, que achou 26 m³ a partir de R$ 200,12, calculava justamente essa inversa num ponto.
FECHAMENTO

Desafios

Passos 3 e 4 · Gráfico e taxa

Na temperatura de 16/08/2024 em São Paulo, a da bancada do passo 3, o ar estava a 18,0 °C às 8h, a 26,6 °C às 11h, a 30,9 °C às 15h e a 25,7 °C às 18h. Em qual dos dois trechos, das 8h às 11h ou das 15h às 18h, a temperatura mudou mais depressa, em média?

Ver resolução
De manhã, \(\dfrac{26{,}6 - 18{,}0}{11 - 8} = \dfrac{8{,}6}{3} \approx 2{,}9\ ^\circ\text{C/h}\).
No fim da tarde, \(\dfrac{25{,}7 - 30{,}9}{18 - 15} = \dfrac{-5{,}2}{3} \approx -1{,}7\ ^\circ\text{C/h}\).
Comparamos a rapidez pelo tamanho da taxa, e o sinal só diz se o ar esquentou ou esfriou. A manhã ganhou quase 3 °C por hora, e a tarde perdeu menos de 2 °C por hora, e foi de manhã que a temperatura mudou mais depressa. Num dia seco e sem nuvens, o sol da manhã parece aquecer o ar mais depressa do que o fim da tarde consegue esfriá-lo.
Passos 5 e 8 · Tarifa e inversa

Escreva a regra por partes da tarifa de água da Sabesp de 2026 para consumos de 0 a 50 m³. Uma família recebeu uma conta de R$ 591,64, com água e esgoto, que seguem a mesma tabela. Quanto ela consumiu no mês?

Ver resolução
Com \(x\) em m³,
\(A(x) = \begin{cases} 40{,}42, \\ \quad 0 \le x \le 10 \\[4pt] 40{,}42 + 6{,}40\,(x - 10), \\ \quad 10 < x \le 20 \\[4pt] 104{,}42 + 15{,}95\,(x - 20), \\ \quad 20 < x \le 50 \end{cases}\)
As três linhas se emendam em 10 m³, com R$ 40,42, e em 20 m³, com R$ 104,42. Em 50 m³ a água chega a R$ 582,92.
O esgoto dobra a conta, e a água sozinha custou \(591{,}64 / 2 = 295{,}82\). O valor fica entre R$ 104,42 e R$ 582,92, na terceira faixa.
\(104{,}42 + 15{,}95\,(x - 20) = 295{,}82\) dá \(x - 20 = \dfrac{191{,}40}{15{,}95} = 12\), e a família gastou 32 m³.
Passo 6 · Transformações

Uma parábola passa pelos pontos \((-1, 0)\), \((1, 8)\) e \((3, 0)\). Que transformações levam o gráfico de \(y = x^2\) até ela, e qual é a sua fórmula?

Ver resolução
Os dois zeros, em −1 e em 3, ficam à mesma distância de \(x = 1\), e o vértice da parábola está sobre essa reta. O vértice é então o ponto \((1, 8)\), e daí \(h = 1\) e \(k = 8\).
Em \(x = 3\), \(a\,(3 - 1)^2 + 8 = 0\), e \(a = -2\).
A fórmula é \(y = -2(x - 1)^2 + 8\). Partindo de \(x^2\), esticamos duas vezes na vertical, espelhamos no eixo \(x\), andamos uma unidade para a direita e subimos oito.
Com \(x^2\) a escolha não é única, porque \((b\,x)^2 = b^2 x^2\) e só o produto \(a\,b^2\) importa. Com \(a = -1\) e \(b = \sqrt{2}\) chegamos à mesma curva.
Passo 7 · Composição

Um site de ingressos cobra uma taxa de serviço de 10% e uma taxa de conveniência de R$ 8 por ingresso. Faz diferença em que ordem as duas entram na conta? E se a segunda taxa também fosse um percentual, de 5%?

Ver resolução
Com \(f(x) = x + 8\) e \(g(x) = 1{,}1\,x\), as duas ordens dão \(g(f(x)) = 1{,}1\,x + 8{,}80\) e \(f(g(x)) = 1{,}1\,x + 8\).
As compostas diferem em R$ 0,80 por ingresso, qualquer que seja o preço, porque numa das ordens os 10% incidem também sobre a taxa fixa.
Com duas taxas percentuais as duas funções só multiplicam, e \(1{,}05 \cdot 1{,}1\,x = 1{,}1 \cdot 1{,}05\,x = 1{,}155\,x\). Nesse caso a composição comuta e a ordem deixa de importar.
Passos 2 e 8 · Domínio e inversa

A função \(f(x) = (x - 3)^2 + 1\) não tem inversa em \(\mathbb{R}\). Qual é o maior intervalo que contém o 5 em que ela passa a ter inversa? Escreva \(f^{-1}\) e o seu domínio.

Ver resolução
Em \(\mathbb{R}\) a função não é injetora, porque \(f(2) = f(4) = 2\). O gráfico é uma parábola com vértice em \((3, 1)\), que desce até \(x = 3\) e sobe depois dele.
O maior intervalo com o 5 em que ela só sobe é \([3; +\infty[\), e ali a função é injetora, com imagem \([1; +\infty[\).
De \(y = (x - 3)^2 + 1\) com \(x \ge 3\) vem \(x - 3 = \sqrt{y - 1}\), com a raiz positiva porque \(x - 3 \ge 0\).
Trocando os nomes, \(f^{-1}(x) = 3 + \sqrt{x - 1}\), com domínio \([1; +\infty[\), a imagem da \(f\) restrita.
Passos 1 e 5 · Função por partes

Um colega definiu \(f(x) = x + 1\) para \(x \le 2\) e \(f(x) = x^2\) para \(x \ge 2\). Essa regra é uma função? Mude uma coisa só na definição para que ela passe a ser, e depois mude outra, de modo que o gráfico não salte.

Ver resolução
As duas faixas incluem o 2, e as duas regras dão \(f(2) = 3\) e \(f(2) = 4\). Uma entrada com duas saídas é justamente o que a definição do passo 1 proíbe, e a regra não é função.
Trocando \(x \ge 2\) por \(x > 2\), o 2 fica só na primeira faixa, e \(f(2) = 3\). O gráfico salta de 3 para 4 em \(x = 2\), com bolinha cheia em \((2, 3)\) e vazada em \((2, 4)\).
Para que as regras se emendem, a primeira precisa dar 4 em \(x = 2\), como \(x + 2\). O gráfico fica sem salto e faz uma quina no ponto \((2, 4)\), onde a inclinação passa de 1 para 4.
Passos 3 e 8 · Gráfico e inversa

Na mesma temperatura de 16/08/2024, o ar passou por 24 °C às 10h e às 19h. A função que leva a hora à temperatura tem inversa no dia inteiro? Em que intervalo de horas, contendo as 9h, ela passa a ter inversa? E quando, nesse intervalo, o ar passou por 20 °C?

Ver resolução
Duas horas com a mesma temperatura bastam para que a função não seja injetora, e no dia inteiro ela não tem inversa. Quem lê 24 °C não sabe dizer se era de manhã ou de noite.
A temperatura chega ao mínimo de 14,5 °C às 6h e sobe sem parar até o máximo de 30,9 °C às 15h. Em \([6; 15]\) ela só sobe, e ali tem inversa.
O 20 °C cai entre 18,0 °C às 8h e 20,6 °C às 9h. No segmento que liga as duas medidas, \(t = 8 + \dfrac{20 - 18{,}0}{20{,}6 - 18{,}0} \approx 8{,}77\ \text{h}\), por volta das 8h46.
Esse minuto vem da reta entre duas medidas, e o termômetro provavelmente passou por 20 °C um pouco antes ou um pouco depois.

Questões no estilo ENEM

Escrevemos as cinco questões abaixo no formato do ENEM, com um texto-base tirado do cotidiano, um comando e cinco alternativas, e cada uma retoma um passo diferente da aula. Mais embaixo listamos questões reais da prova sobre os mesmos temas, que talvez sejam o melhor treino depois destas.

  1. Leitura de gráficos · Passo 3

    Helena instalou no celular um aplicativo que registra a carga da bateria ao longo do dia. Num sábado, ela tirou o aparelho da tomada às 7h, com a carga completa, e o pôs para carregar duas vezes, no almoço e no começo da noite. O gráfico abaixo mostra o registro das 7h às 23h, e vamos supor que a carga variou de modo regular entre os pontos marcados.

    02040 6080100 71213 192123 carga (%)hora

    Das 7h às 23h, por quantas horas, ao todo, a carga da bateria diminuiu?

    1. 3 horas
    2. 6 horas
    3. 11 horas
    4. 13 horas
    5. 16 horas
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    Resposta: D.
    A carga diminui nos trechos em que o gráfico desce da esquerda para a direita, e somamos a duração de cada um deles.
    Das 7h às 12h são 5 horas, das 13h às 19h são 6 horas e das 21h às 23h são mais 2 horas, e \(5 + 6 + 2 = 13\).
    As 3 horas são o tempo na tomada, das 12h às 13h e das 19h às 21h, e as 6 horas são só o trecho mais longo de descida. Quem chega a 11 horas esquece a descida depois da segunda carga, e as 16 horas cobrem o registro inteiro.
    A carga mais baixa do dia, 20% às 19h, não muda a resposta. Um gráfico desses responde a perguntas diferentes, e convém ler no comando se ela é sobre um valor, sobre um instante ou sobre um trecho.
  2. Taxa de variação · Passo 4

    Na caderneta de saúde de Lucas, a pediatra marcou a altura do menino no nascimento e nos aniversários de 1, 2, 4 e 6 anos. No gráfico abaixo, as medidas foram ligadas por segmentos de reta.

    507587102115 406080 100120 012 3456 altura (cm)idade (anos)

    Qual foi a taxa média de crescimento de Lucas entre os 2 e os 6 anos, em centímetro por ano?

    1. 6,5
    2. 7,0
    3. 7,5
    4. 10,8
    5. 28,0
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    Resposta: B.
    A taxa média divide o quanto a altura mudou pelo tempo em que mudou, e para calculá-la só precisamos das duas pontas do trecho.
    \(\dfrac{\Delta h}{\Delta t} = \dfrac{115 - 87}{6 - 2} = \dfrac{28}{4} = 7\ \text{cm por ano}\)
    Quem esquece de dividir pelo tempo fica com os 28 cm. Os 7,5 e os 6,5 são as taxas de cada metade do trecho, dos 2 aos 4 anos e dos 4 aos 6, e a taxa do trecho inteiro fica entre as duas. Os 10,8 vêm de contar desde o nascimento, \(\dfrac{115 - 50}{6}\).
    O gráfico também mostra que a taxa cai com a idade, de 25 cm no primeiro ano para 6,5 cm por ano no fim, e os segmentos ficam cada vez menos inclinados. A curva real de crescimento é provavelmente mais suave do que esses segmentos sugerem.
  3. Funções por partes · Passo 5

    Na entrada do estacionamento de um shopping, uma placa informa a tabela de preços. A primeira hora, ou fração dela, custa R$ 12,00. Cada hora adicional, ou fração, custa R$ 4,00, e o valor cobrado nunca passa da diária de R$ 30,00. Rodrigo entrou às 14h05 e saiu às 18h25.

    Quanto Rodrigo pagou pelo estacionamento?

    1. R$ 24,00
    2. R$ 25,33
    3. R$ 28,00
    4. R$ 29,33
    5. R$ 30,00
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    Resposta: C.
    Rodrigo ficou 4 h 20 min. A primeira hora custa R$ 12,00, e sobram 3 h 20 min de horas adicionais.
    Uma fração de hora é cobrada como hora inteira, e as 3 h 20 min contam como 4 horas adicionais, \(4 \cdot 4 = 16\).
    O total é \(12 + 16 = 28\), abaixo da diária de R$ 30,00, que por isso não entra na conta.
    Quem ignora os 20 minutos chega a R$ 24,00, e quem cobra a fração pelo tempo exato, como \(4 \cdot 3{,}33\), chega a R$ 25,33. Os R$ 29,33 vêm de cobrar as 4 h 20 min inteiras como horas adicionais, e os R$ 30,00 aplicam a diária sem conferir se ela já valia.
    O gráfico dessa tarifa é uma escada, como o frete da bancada, e salta R$ 4,00 a cada hora cheia depois da primeira, até encostar no teto de R$ 30,00.
  4. Transformações · Passo 6

    Uma arquiteta desenha, num programa de computador, o contorno de uma porta em arco para uma capela, com 4 m de largura e 4 m de altura, e as medidas em metro. O programa parte da curva \(y = x^2\), tracejada no gráfico, e a transforma até chegar ao arco, em linha cheia, que toca o chão nos pontos \((0, 0)\) e \((4, 0)\) e tem o topo em \((2, 4)\).

    −2−11 234 1234 y (m)x (m)

    Quais transformações, feitas nessa ordem, levam o gráfico de \(y = x^2\) até o arco?

    1. Deslocar a curva 2 unidades para a direita e 4 para cima.
    2. Espelhar a curva no eixo \(x\), deslocá-la 2 unidades para a esquerda e 4 para cima.
    3. Espelhar a curva no eixo \(y\), deslocá-la 2 unidades para a direita e 4 para cima.
    4. Espelhar a curva no eixo \(x\), esticá-la 2 vezes na vertical e deslocá-la 4 unidades para cima.
    5. Espelhar a curva no eixo \(x\), deslocá-la 2 unidades para a direita e 4 para cima.
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    Resposta: E.
    O arco tem a boca para baixo, e por isso a curva precisa ser espelhada no eixo \(x\), o que dá \(y = -x^2\), com o vértice ainda em \((0, 0)\).
    O vértice tem de ir para \((2, 4)\), com \(h = 2\) e \(k = 4\), e chegamos a \(y = -(x - 2)^2 + 4\).
    Conferindo, \(x = 0\) e \(x = 4\) dão \(-(\pm 2)^2 + 4 = 0\), os dois pontos em que o arco toca o chão, e não sobrou nenhum esticamento a fazer, \(a = -1\).
    A alternativa A esquece o espelho e deixa a boca para cima. A B troca o sinal de \(h\), o engano mais comum com \(x - h\). A C espelha no eixo \(y\), o que não muda uma parábola com vértice sobre esse eixo, e chega à mesma curva da A. A D dá \(y = -2x^2 + 4\), que toca o chão em \(\pm\sqrt{2}\) e deixa a porta com menos de 3 m de largura.
  5. Inversa · Passo 8

    Um aplicativo de transporte de uma cidade cobra R$ 5,00 de tarifa base e R$ 3,00 por quilômetro rodado, e o preço de uma corrida de \(d\) quilômetros é \(P(d) = 5 + 3d\). Os passageiros pediram que o extrato mostrasse também a distância percorrida, e os programadores decidiram calculá-la a partir do valor pago.

    Qual expressão dá a distância \(d\) em função do valor pago \(P\), e quantos quilômetros teve uma corrida de R$ 41,00?

    1. \(d = \dfrac{P - 5}{3}\), e a corrida teve 12 km.
    2. \(d = \dfrac{P + 5}{3}\), e a corrida teve cerca de 15,3 km.
    3. \(d = \dfrac{P}{3} - 5\), e a corrida teve cerca de 8,7 km.
    4. \(d = \dfrac{P - 3}{5}\), e a corrida teve 7,6 km.
    5. \(d = 5 + 3P\), e a corrida teve 128 km.
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    Resposta: A.
    A função que calcula a distância a partir do preço desfaz o que \(P\) faz, e é a inversa de \(P\). A conta de \(P\) multiplica a distância por 3 e depois soma 5, e a inversa desfaz as duas operações na ordem contrária.
    De \(P = 5 + 3d\) vem \(P - 5 = 3d\), e isolamos \(d = \dfrac{P - 5}{3}\).
    Com \(P = 41\), \(d = \dfrac{36}{3} = 12\ \text{km}\). Conferindo, \(5 + 3 \cdot 12 = 41\).
    A B soma os 5 em vez de subtraí-los, e a C desfaz as operações na ordem errada, dividindo antes de tirar a tarifa base. A D troca os papéis da tarifa e do preço por quilômetro, e a E só reescreve \(P\) com as letras trocadas.
    A conta só funciona porque \(P\) é injetora, já que corridas mais longas custam sempre mais. Um aplicativo que cobrasse também pelo tempo parado no trânsito tenderia a dar preços iguais a corridas de distâncias diferentes, e o extrato não teria como recuperar a distância só pelo preço.

Questões reais do ENEM sobre este tema

As provas e os gabaritos oficiais ficam no site do INEP, onde podemos procurar cada questão pelo ano, pelo dia, pela cor do caderno e pelo número.

  • ENEM 2022, 2º dia, caderno azul, questão 136. O gráfico registra a temperatura de uma máquina ao longo de 10 horas, a velocidade de um pistão depende dessa temperatura por \(V = T^2 - 4\), e a questão pergunta quantas vezes a velocidade se anulou, o que pede uma composição lida no gráfico.
  • ENEM 2022, 2º dia, caderno azul, questão 157. O salário de um vendedor tem uma parte fixa e uma comissão que paga um valor por peça até a quinquagésima e outro a partir dela, e precisamos escolher a expressão por partes que descreve o salário.
  • ENEM 2022, 2º dia, caderno azul, questão 162. Um gráfico mostra as vendas de dois setores de uma loja nos primeiros vinte dias do mês, e com a tendência linear de cada um estimamos quanto falta para a meta no fim do mês.
  • ENEM 2023, 2º dia, caderno azul, questão 156. Um aplicativo registra a intensidade do sinal de internet de um celular durante uma caminhada de 30 minutos, e lemos no gráfico por quanto tempo o aparelho ficou sem sinal.
  • ENEM 2023, 2º dia, caderno azul, questão 163. O gráfico dá a distância de um vigilante de moto até a base ao longo de uma patrulha, e a questão pede a vista de cima do trajeto que produz esse gráfico.
  • ENEM 2023, 2º dia, caderno azul, questão 177. Uma roda-gigante gira com velocidade constante a partir do instante em que uma cadeira está no alto, e precisamos reconhecer o gráfico da altura dessa cadeira em função do tempo.

Provas e gabaritos do ENEM no site do INEP →

Cola da aula

Função de A em Bcada \(x \in A\) tem um único \(f(x) \in B\)
Teste da reta verticalcada reta vertical corta o gráfico no máximo uma vez
Em \(f: A \to B\), domínio A e contradomínio B\(D(f) = A\) e \(\text{Im}(f) \subset B\)
Intervalos[a; b] com as pontas, ]a; b[ sem elas, [a; +∞[
Taxa de variação média\(\dfrac{\Delta y}{\Delta x} = \dfrac{f(b) - f(a)}{b - a}\)
Função por partesuma regra em cada faixa do domínio
Quina e saltoregras que se emendam fazem quina, e as que não se emendam fazem salto
Transformações de \(f\)\(a\,f\big(b\,(x - h)\big) + k\)
Composição, com \(f\) agindo primeiro\((g \circ f)(x) = g\big(f(x)\big)\)
Domínio da composta\(x \in D(f)\) e \(f(x) \in D(g)\)
Inversaexiste quando \(f\) é bijetora, e \(f^{-1}\big(f(x)\big) = x\)
Gráfico da inversao de \(f\) espelhado na reta \(y = x\)
Os parâmetros das transformações
ParâmetroOnde entraEfeito no gráfico
\(k\)somado às saídassobe com \(k > 0\) e desce com \(k < 0\)
\(h\)subtraído da entradaanda para a direita com \(h > 0\) e para a esquerda com \(h < 0\)
\(a\)multiplica as saídasestica na vertical com \(|a| > 1\), achata com \(0 < |a| < 1\) e espelha no eixo \(x\) com \(a < 0\)
\(b\)multiplica a entradacomprime na horizontal com \(|b| > 1\), alarga com \(0 < |b| < 1\) e espelha no eixo \(y\) com \(b < 0\)